28 de novembro de 2010

Trecho de Oposcinio: Sentido e Deus

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Para alguns o "mito de Deus" surgiu do anseio humano em dar-se sentido em viver no aqualientar perante o frio do infinito sobre a dubialidade do finito. Mas mesmo que o conceito de Deus, existente por si só, pressuponha completo independente, por sua vez porque Deus criou o homem se não precisa dele?Acúmulo de poder e controle não é o sentido da vida, não somente carece de responder um porque, mas de ter um porque, logo a resposta está na pergunta, porque. O homem se originou da crise existencial de Deus perante uma ausência de propósito de si próprio existir, um reflexo de si, para se medir, sendo um teo símile da razão. Deus consiste em ter algo a se criar, não somente a si próprio. Assim sendo Deus precisa moralmente do homem e vice-versa. Assim é razoável supor sua existência, assim como a fé seje parte integrante da razão, assim como o fim da razão implica obviamente em ser o fim da sanidade.Nietzche, um ateu cuja derradeira loucura não atestou somente a suposta morte de Deus, mas antes disse que o mal surgiu de seu sono, ócio, levantou implicações filosófico-morais de tal questão como colocadas em 'Ecce Libro' onde justamente a fé e sua perda pode ter ligações com tais pressupostos.Mas não se trata da fé na existência ou inexistência de Deus - ambas nãocomprovadas - assim como do lógico e razão, mas sim sentido e propósito do qual as demais são conseqüentes, mesmo que Deus se possa ser compreendido como o Legislador, as Leis sobre (o) natural.Ora, pregar o ilógico implica seguir uma "lógica" própria mesmo quecontralógico ao lógico comum oposição ao "lógico". Sendo assim o ilógico ao seu modo é uma abrangência do lógico não no sentido etimológico, masfilosófico, mas sendo assim o signo mor da oposição, desde que siga por si só o porque.O mito de Sísifo de 1942 pelo filósofo Albert Camus, atesta a situação moralmente precária na busca pelo sentido em seu cenário ateu e não eterno, sendo aplicável ao absurdo da própria vida sendo abrangente as demais crenças e doutrinas como da eternidade e reencarnação sob o signo do mitológico Sísifo. Proveniente da mitologia grega o personagem condenado a repetir infinitamente a tarefa de empurrar uma pedra ao topo da montanha para rola-la lá de cima nos serve não somente para as rotinas, mas crenças tal como a repetição. A questão aqui não trata-se de acreditar ou não em Deus, mas abrangendo a implicação mesmo do suicídio como o não suicídio moral, sobre uma razão supostamente inatingível a seu modo perante a ciência humana que uma vez acordada tal consciência torna-se "a mais angustiante de todas paixões".O engrandecer da alma (psiquê) por si só abstrata e impalpável mesmo confrontada pela ciência empírica consiste essencialmente na fé novamente como vital a "certa razão" que perante a mesma ciência pende-se de tal, afinal cientistas tem fé nas objeções evidenciais como conclusões a um racioncio próprio regido pelo método empírico sendo a seu modo o surgimento de tal pressuposto "absurdo" pela colocação obcecada por colocar-se sentidos que traduzindo-se a exemplo de certas buscas são ocasionais como o próprio sentido do "destino orgânico" que forçado perde-se e envolve-se no oposta, por transferência moral, a pretensão demasiada destituiu razão de si própria como sendo justamente o porque do livre-arbítrio, querer é poder não somente ao que se diz poder, mas aos que tem o poder sobre o querer alheio.Resumindo viver e amar não são missões militares inflexíveis, mas simplesmente ato livre de sentir, o sentir é o sentido, mesmo que não aplicável à concepção de Deus sobrenatural essencial, pois o propósito de propósito não há propósito se não de contra-senso, por tal neste âmbito a religião resume-se ao sentir do experimentar livre a catarse psique perante a fé no posterior ao passo que a arte é o sentir sem o posterior (salvação,eternidade) tendo pela alma parte integrante deste sentir.

Opuscinio de Gerson Machado de Avillez (sobre religião)

Visitem meu blog: http://blog.gersonavillez.com

27 de novembro de 2010

Trecho de 'Sleepners'

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Capitulum I - Nightmare of Century

"O sono é o doce consolador dos homens. Dá-lhes repouso e o esquecimento de seus pesares."
Torquato Tasso

Sonda espacial Voyager I, Nuvem de Oort, data terrestre 2020
O que ao longe parecia poeira cósmica toma forma inicialmente como grãos e gradualmente como grandes pedaços de rochas que surgem em contornos sinuosos e irregulares cortando uns sobre os outros em meio à escuridão como se competissem por um lugar em órbita da estrela central do sistema solar. Alguns esféricos o bastante para serem dados como planetas a justificar temores, classificações e desclassificações de planetas como Plutão a mero “entulho” das fronteiras do sistema solar. Alguns, de certo, pouco visíveis apresentavam a mesma atração típica que os compeliam a dança elíptica em torno do sol, mas algo pouco visível ao longe em nossa pequena bilha azul perdida em angústias, guerras e tristezas inúteis e solitárias na batalha eterna contra nós mesmos.
Mas em meio aqui, a milhões de quilômetros de distância de nossa nem sempre benevolente civilização um pedaço de nós cortava lentamente entre tais pedras entregue a sua própria sorte até que algum semiplaneta errante o atingisse ou mesmo um cometa do que se tornou aquele lugar como repositório, distante de toda mediocridade, mas não menos solitário. Com uma grande antena que mais lembrava uma vara de pescar e uma espécie de parabólica aquela sonda parecia clamar pedindo passagens aos revoltosos corpos celestes mal resolvidos em formação, Voyager em sua sorrateira e solitária viagem pela primeira vez ansiava por tocar o exterior sideral de nossa galáxia livre do magnetismo atrativo de nosso sol como presas invisíveis que impedia tal de prosseguir sem dificuldades. Mas mesmo antes os cientistas notavam que tal atração parecia exceder sob o controle da mesma tendo oscilações misteriosas em sua velocidade, o que naquele momento parecia se perceber. Num súbito parar a sonda refreou com se algo a coibisse de prosseguir dizendo “daqui não passarás”. Uma pequena luz piscou sob a face do prato-radar como quem clamando por socorro quando algo das sombras surgiu não menos sorrateiro a tomar contornos menos irregulares, mas inteligentes. Similar a um hexágono ambulante algumas luzes rapidamente o identificaram numa proporção cerca de 16 vezes maior que aquela humilde cabana remota do ser humano a um amontoado de lata velha sem sentido de existir, perante o frio colosso desconhecido que surgiu diante dele.
A Sonda sentiu-se então estranhamente atraída aquele corpo enquanto suas câmeras começaram a registrar tudo que se via e sentida aquele pequeno ser metálico perante o cruel e opressor colosso chegando há algo pouco mais que amontoado de rocha polidamente oval como esboço de planeta. Suas pequenas luzes se tornaram visíveis e logo gases se viram numa espécie de resíduos de atmosfera a se conter em sua superfície patética e irregular como um enorme bloco de gelo que não menos distante diante da inveja e mediocridade de homens profanos ao seu próprio falar e promessas, por meras questões pessoais de autograndeza.
A velocidade do pequeno corpo inteligente da humanidade cresceu e vertiginosamente correu mesmo que contrariado em direção ao astro das trevas a ser engolido até sumir sendo num pequeno clarão despedido para sempre da humanidade enquanto mandava fotos e sinais para a mesma como se pedisse socorro. Mas lá na superfície de gelo os destroços agonizantes da pobre Voyager revelava seu interior repleto de boas intenções, de uma placa de metal com desenhos de um homem e uma mulher com descrições sobre seu sistema e um belo disco de vinil dourado jazido no chão em meio aos destroços, quando em meio à pálida luz uma sombra surgiu caminhando impiedosa e cruel e parando sobre o disco a contemplou como se com desdém a pisoteando como quem se pisasse em seu conceber Carl Sagan.

Terra, alguns dias depois.
Um dia aparentemente tranqüilo para ao menos aos cientistas da NASA enquanto a humanidade se perdia em suas próprias tarefas de lutas infindáveis contra a miséria, guerras e moléstias, mas um alarme soou como um sinal recebido do exterior até então inédito ao homem, somente agora os suspiros finais da sonda Voyager chegaram a nosso não tão humilde lar.
Ao ver isto, entusiasmado um dos astrônomos recebe os sinais e com expectativa enquanto eram descarregados na tela contempla que diversas imagens e leituras como de gases haviam sido feitas. Ao ser concluído, sem pestanejar o astrônomo as abriu uma a uma constando que por fim a Voyager havia tocado os limites de nosso sistema como esperado. Seus criadores a muito mortos haviam feito com muita qualidade seu trabalho, não numa questão de se julgarem melhor que quaisquer outros, mas representantes de nós, de modo sobre as cobiças cotidianas.
Mas logo numa das imagens contornos estranhamente simétricos crescia na tela mediante a pouca luz do local retirado quando o movimento parecia se diferenciar dos demais astros mediante tais leituras enviadas.
Cerrando a visão sobre a tela, logo o astrônomo se viu numa visão atípica e aparentemente inteligente nos confins do sistema solar. Chamou então entusiasmado seus colegas que quase correndo vieram e perplexos sobre as imagens, leituras e súbita mudança da sonda de velocidade e direção perceberam o óbvio, algo inominável e poderoso a tragou para si, para um corpo celeste não catalogado por eles. O que seria?
Rapidamente a sonda fez outras leituras sobre tal corpo que em sua proximidade notaram algo em sua superfície além de um esboço de atmosfera, gás dióxido de carbono o que indicam a presença de vida animal. Neste momento então as conversas dos especialistas se tornaram gritos e sucederam a diversas ligações aos superiores e outras agências do mundo. Finalmente as perguntas de alguns e preces para outros foram respondidas antes dos últimos passos daquela histórica sonda, porém de modo que jamais esqueceríamos e nos arrependeríamos de ter tais perguntas respondidas pelo restante de nossa existência agora humilde naquele mundo, um pesadelo estaria apenas começando...

O vírus por não ser capaz de se reproduzir fora de uma célula alguns dizem não ser vivo, mas algo assim se perpetuou no frio abiótico do espaço onde o silêncio abafa os gritos daqueles que pareciam ter nascido para morrer numa existência vazia de sentido como a pobre sonda Voyager. Tais seres foram pacientes de esperar como vírus apenas ao momento certo de atacar por um sinal de Quorum Sensing, e o sinal foi encontrado naquele dia, quando toda a mentira no mundo caíram perante os fatos de tal descoberta.
Foi o prelúdio de uma guerra cruel como homem jamais viu e do qual alguns questionam sua vitória, que parece ter induzido a humanidade a uma morte lenta e dolorosa de um hecatombe nuclear vítimas de nós mesmo em nossa tentativa desesperada de resistir. Mas eles a muito estavam entre nós, como dizia H.G. Wells, tramando silenciosamente numa secular conspiração onde grupos e mesmo governos pareciam apoiá-los em troca de sobrevivência.
Porém, foram os primeiros a serem mortos quando transpassaram seus portais surgindo como inúmeros OVNIs sob nossa atmosfera que por anos nos raptaram e nos estudaram como se fossemos nós os vírus, e ao ver que sua tecnologia de controle mental não bastou os fazendo puxarem as cordas e fechar as cortinas da pantomima que permeou por séculos nossa humanidade. O último recurso foram as famigeradas bombas nucleares condenando por longas décadas os sobreviventes aos subterrâneos e mergulhando o mundo num longo e cruel inverno nuclear. O mundo como conhecido foi destruído e jamais voltará a ser o mesmo, mas cinzento com imensas florestas de galhos secos onde carcaças esparsas de colossos de metal sucumbem como monumento a nossa infeliz vitória.
Mal como consolo tivemos a oportunidade de estudarmos a tecnologia deles escondida traiçoeiramente de qualquer patente do qual quem chegasse perto era surrupiada de modo não menos traiçoeiro, e agora em nossas mãos tornou-se uma fuga para dentro de nossas próprias mentes.
O Ser humano passa cerca de 1/3 de sua vida dormindo, mas pouco a pouco com o advento da vida moderna a fonte inesgotável e interminável de informação à correria da humanidade a lugar algum, o sono foi pouco a pouco sendo minimizado. Na primeira metade do século XXI mediante guerras e mais guerras foram criadas pílulas capazes de subtrair o sono quase que por completo de nossa existência especialmente para soldados no front de batalha. No front final do combate alienígena já éramos como quase mortos-vivos armados até os dentes onde acordados parecíamos estarmos num sonho por falta de sono.
Logo se descobriu um revés inevitável, pouco a pouco os seres humanos se distanciavam de sua essência se tornando ecos vazios a vagar como se a própria realidade se tornasse um pesadelo aos seus próprios olhos, como verdadeiros robores desprovidos de emoções e criatividade. Curiosamente a resposta estava nos sonhos do qual alguns temiam nos tornar vulneráveis aos ataques silenciosos dos aliens, e curiosamente em contraponto a realidade cruel que se tornara, e acabou se tornando um refúgio aparentemente seguro. As suas lembranças, medos e desejos, porém muito mais, mudando completamente nossa noção do que seria o sono como um mero repositório de re-organização de memórias.
Grandes investigadores dos sonhos como Gustav Jung do século XX descrevia como o elo de ligação a nossa ancestralidade extraperceptiva onde mentes podiam até mesmo se interligar interativamente. Pouco a pouco as pequenas "fatias de morte" se tornaram como a resposta para a própria existência humana num período em que tudo parecia perder sentido assim como nossa própria função neste mundo, contendo respostas extra-sensoriais não somente sobre nosso futuro, mas nosso passado agora mais do que nunca desejado, e revelando um mundo onírico até então desconhecido graças aqueles que aparentemente nos conhecia melhor que nós mesmos. Repleto de seres que pareciam compartilhar o mesmo mundo criado por nossas mentes adormecidas num portal onírico, que antes os alienígenas induziam nosso inconsciente por ondas invisíveis por nossa pobre tecnologia.
O século XXII que se tornou um lugar frio e cinzento constantemente bombardeado por chuvas ácidas e contaminado por um longo e intenso inverno nuclear, a vida da fauna e flora definhava pelas sombras cinzentas de nuvens eternamente carregadas de toda melancolia aos sobreviventes humanos, entre mutações, aberrações e moribundos. Em meio a isso é fundada a REM Inc sob a carcaça tecnológica das naves alienígenas como monumento do que nunca fomos, sob a proposta de nos levar novamente ao auge da humanidade, a nossa era de ouro perdida pelas nuvens de fumaça da violência e da guerra. Junto a esta empresa surgiram os Onirikers, imaginologos oníricos que navegavam e desbravavam o horizonte adormecido e aparentemente coletivo do ser humano. Estes viajantes adormecidos dividiam a função de criadores de sonhos para uma população carente chamada de Sleepners ao passo que participam de um sigiloso e misterioso projeto chamado Oneirochronos.
Rapidamente os estudos sobre a mente humana cresceram de modo espantoso onde a tecnologia alcançou uma quase singularidade e onde se criaram legislações específicas para métodos de comunicação de telepatia utilizando-se tecnologia e até sonhos coletivos gerenciados pela REM Inc, onde o cérebro humano compartilhado se tornou o hardware e os sonhos ao lado de nossa mente o software. A apatia e nostalgia neste mundo altamente criminal foi rapidamente sanado pela criação da CFM (Centro Forence de Memética) onde se utilizando da investigação das próprias memórias e catálogos de tipos de pensamentos utilizava-se tais como provas em julgamentos, a mente humana não era mais um lugar seguro para se esconder criminosos e serial killers podendo ter até mesmo suas vítimas mortas a depor...
Finalmente fomos do pesadelo do lúcido ao sonho do lúdico.

Mais um dia no século XXII dentre semana após semana, mês, após mês de céu cinza e da constante nevoa para todas as direções com se um mar prata-leitoso de nuvens tivesse se formado nos céus sem nunca deixar um só raio solar transpassar por quaisquer frestas. Para se ver o céu limpo, as estrelas ou o sol, somente pagando uma passagem pelas duas únicas companhias de avião que restaram no mundo. Na verdade, porém, o clima que se tornou tão hostil poucas vezes ofereciam condições meteorológicas estáveis suficiente para permitir uma decolagem ou pousos seguros, mas alguns se arriscavam, afinal tinham de re-estabelecer contato com os demais sobreviventes, numa civilização que tentava se re-erguer das cinzas, como uma fênix agonizante. Sabiamente os sobreviventes escolheram os melhores dentre os deles para se pesquisar nos destroços das imensas espaçonaves alienígenas a decifrando e criando um departamento internacional exclusivo ao assunto, o CIPAT, o Centro de Investigação e Pesquisas Alienígenas e Tecnologia com o intuito de se utilizar de algo que permitisse subsistir naquele mundo agora desfigurado. Foi deste departamento que surgiu a REM Inc e mesmo a CFM sob a determinação inicial de uma divisão específica na tecnologia de controle mental produzida pelos alienígenas após longos anos de estudos de nossa fisiologia cerebral e costumes. Era algo soberbamente poderoso e complexo, onde se tornou vital para aquela raça reptiloide nos controlar tanto quanto compreender algo que eles não eram capazes em sua psique, uma centelha desconhecida que buscavam desde quanto foram destituídos de seu mundo natal onde quer que ficasse.
Sob tal aspecto a intenção era nos usar como meio a sua própria psique atingir um parâmetro ainda não conhecido pelos pesquisadores da CIPAT, mas a tecnologia se tornou imediatamente útil para se procurar traidores da humanidade assim como criminosos tal como oferecer um meio de recreação jamais concebido, não necessitando dos velhos computadores agora resumidos a interfaces de transporte, pois mesmo alguns, seus cérebros passaram a ser utilizado como o hardware de um poderoso programa integrado.
O prédio da Oniriker que rapidamente cresceu desde a saída do homem dos subterrâneos se destacava dos demais e como se tentando transparecer refletir um céu que não era azul seus vidros desta cor frequentemente iluminados por luzes internas que dava um brilho de beleza a destoar das demais construções ainda sobre as ruínas da cidade de Quebec, no Canadá.
Desde que os Estados Unidos se tornou ruínas com grupos esparsos de patriotas a própria sede da CIPAT se transferiu para Quebec tendo outra filial importante no Brasil onde os destroços do imenso Hexágono Celestial, como chamavam os estudiosos, repousavam em meio o que restou da floresta Amazônica. Não havia mais espaço para jogos patéticos de cobiça, mesmo que alguns ainda isto temessem, mas sem dúvidas o principal era sobreviver, e se possível conseguir fazer com que tais naves tornassem a voar, pois não existia nem sinal de Cabo Canaveral ou da NASA.
Washigton, por sua vez, se tornou um monte esparso de concreto retorcido num ataque de apenas um único dia das forças alienígenas sobre este lugar, logo o maior exército do mundo se viu como uma quimera sem cabeça a rodear até cair em pequenos grupos de resistência.
Mas para a Oniriker era diferente hoje, nela a humanidade depositou como fuga ou fé, o pouco que restou de si para sobreviver naquele mundo pela primeira vez aprendendo a olhar para si próprios do modo como deveriam ter feito antes.
Canais de sonhos, como de televisão, mas onde as pessoas se conectam num estado de dormência exterior se tornaram disponíveis utilizando freqüências comuns por conversores de sinais que transformava-os para ondas cerebrais. O que pouco sabiam, entretanto, era tal condição para este meio em vista os recursos esparsos de energia, o cérebro de traidores da humanidade presos a trabalhar no funcionamento do poderoso software psiquicamente interligado.
Mais eventualmente algum "despertava" criando enormes oscilações e instabilidade ao funcionamento criando um incidente que logo foi lembrado por aqueles que protestavam contra tal tecnologia, uma falha levou dezenas de usuários no momento conectados a morte cerebral. Para isto medidas de segurança foram tomadas para precaver tais incidentes, mas arranhou profundamente a imagem da REM Inc, a forçando lançar novas técnicas e tecnologias para atrair novamente seu público que vendo-se naquele mundo que de pouco formidável tinha, aceitaram. Tudo aparentemente transcorria sem problemas até aquele dia de 23 de outubro de 2111 quando um crime ocorreu nos corredores da REM Inc que com custo tentou construir uma imagem de empresa mais segura de todos os tempos. Foi por volta das 8:09 da manhã que num procedimento de rotina um dos funcionários se dirigia à sala para averiguar o funcionamento do sistema Oniriker central. Com o incidente de anos atrás se desenvolveu uma técnica que utilizava da criação em laboratório de neurônios humanos a funcionarem como substitutos eficazes dos velhos chips, o DNA, afinal era capaz de armazenar muito mais informação que qualquer outro componente de modo que utilizando-se de criptografia quântica tal se tornava tão seguro a invasões que qualquer incidente se tornava inviável dentro das instalações ao menos.
Não obstante, os homicídios, estupros e outros atos caíram vertiginosamente com o monitoramento mental nas vias públicas pela CFM onde não havia pensamento que fosse checado de seu intento real. Mas dentro da empresa os funcionários praticamente tinham controlados sua respiração.
Ao entrar numa das salas, o gerente de supervisão de manutenção dos sistemas encontrou diante de seus olhos um dos seus caído morto com uma caneta fincada no olho esquerdo, com num ataque brutal de alguém obviamente de dentro.
Aquilo o deixou perplexo, pois tal gerente como as maiorias das pessoas não conheciam há alguns anos o que era ver um morto por crime violento, cresceram nos subterrâneos sob condições extremamente controladas para subsistir ao longo periodo do inverno nuclear que durava mais de 15 anos.
Logo, aquele corpo caído de uma jovem mulher, da cadeira acolchoada de rodinhas com seus braços estendidos enquanto seu outro olho arregalado parecia clamar por socorro fez com que uma única reação que tivesse, fosse a de sair correndo clamando pela segurança.

Setor de criminologia Internacional
Vozes baixas se ouviam entre passos ligeiros que cortavam um corredor onde os vultos das pessoas se viam por entre um vidro "esfumaçado" de uma das filiais equivalentes a polícia de perecia ligada a CIPAT. Naquela sala havia um homem que de costas com a cabeça baixa parecia refletir diante de uma foto de uma mulher enquanto na tela de seu computador piscava uma mensagem escrita 'STAND BY'. Alguém bateu na porta. Mas quase sem se mover sua boca apenas se moveu num esboço de ruído falando: 'entre'.
Logo que abriu revelou-se no vidro o nome daquele homem Hedi Ofir Armim Xanthus, um investigador psíquico responsável pela Analise Criminológica de Criptografia Mental, que traduzindo se especificava na decifração das memórias finais de uma vítima ou suspeito de crime, um método muito mais eficaz que qualquer interrogatório poderia conseguir. Costumava-se dizer criptografia, pois os sinais do cérebro sempre eram interpretados de modo confuso sendo necessário um método complexo para se estabelecer conexões com datas por vezes em meio do consciente induzindo o paciente (suspeito) a pensar determinados elementos ou memórias que por associação o software investigava. Porém, em caso de mortos tal tornava mais difícil uma analise geral da memória que deveria ser efetuada num prazo de poucas horas após a morte deste, para então um sujeito separar cada memória que fosse a fim de procurar a desejada, num trabalho artesanal.
Talvez por isso Ofir estivesse cansado, pois dali conhecia o íntimo das pessoas mais vis em seus pensamentos mais insanos e sangrentos suprimido por mascaras cotidianas, pois frequentemente casos de assassinos potenciais eram para ele enviado.
Mas Ofir rapidamente tratou de levantar seu rosto ao notar as patentes daquele homem que adentrara a sala ao lado de um senhor vestindo um terno.

- Desculpe-nos atrapalhar seu trabalho, mas creio termos algo primordial a ser investigado.
- Nos diga, mas antes sente-se - respondeu Ofir deitando a foto da jovem mulher que via, sobre a mesa.
- Receio que tenhamos um outro escândalo a estourar, e por isso pedidos de discrição no caso que iremos lhe dar.
- Descrição em excesso hoje em dia pode provocar o efeito oposto, pois nas ruas nem mesmo privacidade mental temos. - respondeu Ofir
- Mas dentro do possível, não queremos mais revoltas e protestos, pois nos já sofremos por demais nas mãos daqueles insetos.
- Do que se trata.
- Foi um homicídio - cortou o senhor de terno por trás do superior da divisão - me perdoe não me apresentar sou Boris Faon vice-presidente da Rem Inc e consultor sênior da CIPAT, temos um incidente ocorrido dentro de nossa empresa que aparentemente quebrou todos os protocolos de segurança, se tal caso vazar não sabemos o que pode ocorrer.

O superior de Ofir pegou uma pasta com fotos da vítima uma jovem funcionária chamada Joan Fay, onde nos relatórios traziam dados detalhados sobre toda movimentação ocorrida na empresa no periodo em que ocorreu o crime. Uma perícia sigilosa já havia sido feita, mas pelo fato do superior de Ofir não ser um expert no assunto contactou-o.

- Tudo que sabemos sobre a vítima é que reclamava nos últimos dias de dores de cabeça e pesadelos terríveis. Mas aparentemente nenhum registro mental de intenção foi registrado por outros funcionários.
- Na sala onde o crime ocorreu não havia câmeras?
- Centro de controle de Software mental - corrigiu Boris um homem com leve sotaque russo.
- Não. Talvez você deva vir no local do crime junto a nós.

26 de novembro de 2010

como mudar o buscador padrão da Barra de endereços no firefox

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Essa me salvou da busca de merda que a merdosoft chama de bing e o pessoal do baixaki me salvou.

Na própria Barra de endereços digite o comando about:config. Se for a primeira vez que você faz isso, surge uma mensagem avisando que mexer nessas configurações pode ser perigoso. Clique em “Serei cuidadoso, prometo!” e continue.

Deve aparecer na tela uma lista enorme de comandos e programações. No campo em que está escrito “Localizar” digite keyword.url. Isto é o que você deve ver:

Para trocar a pesquisa padrão você deve substituir o que está escrito no campo “Valor”. Aqui está uma lista de algumas ferramentas de busca que você pode adicionar. Clique com o botão direito no campo e selecione Editar. Substitua o que estiver escrito por algum dos valores abaixo (somente o link, sem o nome do site), clique em “OK” e feche a aba.

* Yahoo: http://search.yahoo.com/search?ei=ISO-8859-1&p=

* Twitter: http://search.twitter.com/search?q=

* Google: http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&source=hp&q=

* Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Especial:Pesquisar&search=

* Bing: http://www.bing.com/search?q=

11 de novembro de 2010

Sob O Sol (Crossovers Tales)

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Estados Unidos do Brasil, Ilha Grande, Século XVIII
Uma grande caravela se aproxima cortando as calmas águas do lado diante do continente de Ilha Grande, seu vulto rapidamente faz algumas crianças filhas de escravos correrem por uma das trilhas acompanhando a naus que quase em silêncio com suas velas cortam aquele pedaço do mar sendo anunciada pelos gritos destas.
Nisto num porto pequeno próximo ao Abraão, a vila central daquela ilha, sai dois homens vestindo roupas clássicas da Europa com aquelas perucas engraçadas de cabelos enrolados tendo a seu encalço rudimentares rifles de carga onde a pólvora é colocada manualmente junto à bala que é redonda. Lentamente a naus se aproxima tendo seus reflexos ondulantes sob a superfície semiparada do mar naquele lado da ilha enquanto os tripulantes gritando sobem as velas as enrolado e logo um homem imponente a sua frente posa demonstrando-se ser o capitão.
A grande embarcação ancora e logo escravos e alguns tripulantes começam a carregar o material, nisto, porém, um destes, o imediato observa um dos homens negros carregando o equipamento e quando passa em sua frente o sujeito estica a bota o fazendo tropeçar e cair fazendo a caixa com porcelana ao cair se abrir quebrando-as em grande parte. Rapidamente um grito se ouve.

- Maldito negrinho! Por isso sua raça nasceu para servir, não sabe nem ao menos carregar uma caixa!

O Sujeito levantou um bastão para surrar o pobre homem, mas ao invés disto foi impedido pelo capitão que falou - Basta, imediato Carlos! Vois me cê colocou o pé para ele tropeçar e cair.
O imediato sendo obviamente um carreirista presunçoso e repleto de si e preconceito parecia disposto a se engrandecer no "dever" a qualquer custo para se promover, nem que para isto induzindo ao erro, escravos e os próprios tripulantes diante das autoridades daquele lugar.
Porém, fora mercearias para algumas autoridades que lá moravam o navio carregava presos, e não somente escravos, mas homens que condenados seguiram aquela colônia tropical do Atlântico a viverem cumprindo sua pena. Tão logo dois homens saíram da embarcarão com algemas grossas de correntes que ao sair do interior do navio claramente ficaram com a visão cerrada pelo forte sol tropical, foram orientados até uma pequena edificação repleta de celas onde era a quarentena de pessoas como eles vindo do exterior, e lá ficaram.

- Joaquim! - gritou um deles de dentro da cela ao lado - Vois me cê ouviu o que eles falaram?
- Sim, maldita colônia penal! Este lugar é um reduto de presos e escravos, sem falar-se nos primitivos nativos. Mas creio que Carlos deve nos visitar a noite.

Com o cair da noite, mosquitos infestaram aquele buraco quente e úmido que era a quarentena onde mesmo os negros reclamavam em seu idioma natural. Mas os mosquitos logo sumiram dando lugar apenas ao ruído de sapos e grilos da noite cuja escuridão apenas era interrompida pelas luzes tremulas de tochas de fogo no lado exterior onde dois guardas passavam de um lado a outro. Logo, a voz de um homem soou chamando os guardas e estes se retiraram. Rapidamente surgiu diante da grade, Carlos, o capitão da nau.

- Joaquim! Vois me cê e Manuel estão ouvindo?
- Sim, cá estamos no escuro!
- Tenho as chaves, mas digo-vos que tens apenas poucos minutos!

O capitão jogou as chaves fazendo o um rápido barulho quando rapidamente Joaquim se esticou e se contorceu pelas grades com seu braço do lado de fora para pegá-la diante da tênue luz do exterior.

- Logo a lua sai, e a trilha ficará clara como a do entardecer, sigam pela trilha central a sudoeste onde uma embarcação os estará esperando!

Carlos rapidamente olhando para o lado diante das grades ouviu vozes dos guardas se aproximando e falou - vou atrasa-los, mas não demorem!
Os dois sujeitos conseguiram abrir a porta da cela fazendo aquele típico ruído quando aquele escravo que havia tropeçado surgiu numa outra cela sussurrando em seu idioma com as mãos para fora pedindo para soltá-lo também, mas o ignorando por completo.
Os dois abriram a porta principal e olhando para os lados de um viu Carlos ao fim de uma trilha falando com os guardas enquanto eles riam com algo que ele dizia.
Os dois cruzaram a trilha agachados para dentro do mato do outro lado quando Joaquim tirou uma bússola do bolso, e olhando com certa dificuldade mediante o escuro da noite viu que o noroeste era para aquela direção.
Seguiram eles com certa dificuldade até acharem uma trilha que percorreram com mais facilidade com o sair da lua por de trás de um morro cortando os coqueiros mediante suas silhuetas.
Porém, a noite não estava tão firme quanto pensavam, ao horizonte relâmpagos como pequenos clarões pareciam denunciar uma tempestade tropical que se aproximava e tão logo ventos fortes passaram a confirmar suas más expectativas naquele local cujo clima era completamente inédito aqueles homens pálidos por poucas vezes pegarem sol.
Por longo período caminharam, sucedendo-se por horas apenas parado quando o ruído de águas anunciavam uma nascente onde poderiam beber e descansar um pouco, quando um cavalo cortou a trilha a sua frente tendo um homem montado e em seguida uma carroça carregando alguns escravos enquanto a voz de seu senhor praguejava coisas para estes dizendo "vou lhe castrar seu negrinho desgraçado!"
Os dois atravessaram o lugar após passar tal carruagem, mas tão logo a luz da lua se dispersou pelas nuvens que passaram a cobrir o céu estrelado, quando as primeiras gotas de água irromperam o céu demonstrando que teriam eles dificuldades maiores. A tal altura não sabiam eles que horas eram, se não de que o lugar passou a se tornar rapidamente um atoleiro de mato e lama onde Joaquim num movimento em falso tropeço escorregando e batendo a bússola sobre a pedra a quebrando. Como iriam se orientar agora com o céu nublado e sem a bússola? Antes aqueles homens que pareciam ter boas noções de orientação sabiam os caminhos que as estrelas indicavam quando estas ficavam visíveis, o que não era o caso.
Os dois se perderam, e não demoraram para acordarem no dia seguinte com o rosto na lama sendo devorados por insetos como se estivessem mortos, mas Joaquim num súbito pulo se sacudiu e gritando retirou os insetos. Os dois agora famintos tentavam se localizar e subindo caminhando por um período chegaram a uma enorme pra deserta donde subindo um monte tentavam visualizar algum traço da embarcação que lhes aguardavam, mas eles estavam perdidos na mata virgem, sem terem como se orientar...
No fim da tarde Manuel sentou-se numa pedra e resmungando notou algo no chão o pegou, uma espécie de amuleto com dentes e penas.

- Veja Joaquim, deve ser dos primitivos locais! - falou o homem.

Mas tão logo notaram eles estar num lugar que aparentemente tinha mais, muito mais, vasos e ferramentas primitivas parcialmente enterradas que conforme eles iam mexendo e escavando encontraram um esqueleto. Este com seu crânio partido tendo em sua meio uma espécie de machadinha pareciam contar a história de como aquele nativo morreu. Mas como bons comerciantes cujos contatos eram mesmo piratas procuravam achar algo de valor o que para eles aquilo pouco tinha. Mas tão logo novamente choveu torrencialmente e com o cair da noite a fome parecia não deixa-los dormir com seus olhos arregalados diante do céu agora límpido sob o luar e ruído de seres que eles jamais ouviram antes. Mas algo parecia se mover em meio ao mato grande o bastante para lhes chamar atenção de que fosse talvez um homem. Se levantaram então, mas apesar de verem o mato se mover, nada viram se não algo como uma respiração forte que se intensificava e como ruidosa de um asmático parecia estar a seu entorno os deixando nervosos não bastando à fome e o roncar de seus estômagos. A fogueira que eles fizeram parecia dançar de acordo com o movimento que aquele ser faziam a seu entorno como se fizesse vento, mas sem ventar. Na verdade todo ruído da floresta cessou tão repentinamente quanto o vento que antes soprava de modo constante como se todos as formas de vida que caminhassem, mesmo os insetos tivessem fugido de algo, quando repentinamente com num só golpe invisível Manuel fosse jogado em direção a uma moita donde foi arrastado deixando um rastro visível da vegetação que se mexia ruidosamente sob os gritos de Joaquim. - Manuel! Manuel!
O sujeito pegou uma das machadinhas e segurando o estranho amuleto correu não menos ofegante pelo matagal de um quase mangue quando se viu repentinamente com água até a cintura. Caminhou ele tão nervoso, que seus olhos pareciam saltar esbranquiçadamente mais que sua própria pele acinzentada de modo agravado pelo cansaço e fome. Um movimento ao seu lado e ele atacou uma folha a um golpe da machadinha que havia matado o corpo do nativo, mas nada era.
Joaquim então se virou repentinamente para frente quando se deparou com Manuel ensangüentado em sua direção balbuciando algo e caindo na água morto. Quando ele viu aqui, se desesperou de tal modo que correndo de volta pela mata saiu do mangue a areia da praia correndo quando tropeçou numa pedra e caiu, quando olhou para trás teve uma visão de algo bizarro que jamais esqueceria se não fosse por um fato, ele morrer num só grito unicoro a se perder em meio às ondas do mar que quebravam naquela praia.

Dias atuais
A barca saiu do cais de Angra dos Reis repleto em sua maioria por jovens aventureiros a procura de um bom programa de fim de semana de modo saudável enquanto alternavam trilhas e as manhãs nas lindas praias daquele pequeno paraíso natural com o festival noturno que ocorria no Abraão, alguns destes fotografando sorridentemente dentro da barca com suas bagagens normalmente grandes mochilas de camping ficavam descontraídos mesmo aqueles turistas com sotaque do sul e mesmo alguns falando o castelhano fluente sem quase nenhuma palavra em português tirando-se as semelhantes.
Entre estes jovens estavam duas belas jovens, a loira Alinne Fraga e a morena Clarice. Advogada esta última fazia tempos que não saia de férias longe dos crimes cabulosos que participava dos julgamentos na promotoria do Rio de Janeiro, que sob o convite de Alinne resolveram tirar um período daquela vil sociedade que se tornavam especialmente mediante seu trabalho.
Alinne por sua vez havia terminado um longo namoro de três anos com um esportista e parecia mais interessa em curtir sem qualquer preocupação um fim de semana de praia e do festival que lá ocorria.
Do outro lado dois jovens vestindo coletes e um destes um chapéu engraçado tipo de caçador africano observavam elas atentamente, quando um destes falou - Vamos lá, cara! Nos demos uma folga, temos nossas pesquisas, mas podemos curtir um pouco também.

- Você quer que chegue numa e você na outra e novamente fale coisas legais de você? - perguntou o outro.
- Temos trabalhado muito, merecemos um densaço pra nós mesmos, e paquerar nunca faz mal!
- Da outra vez se tornou um monologo onde você fez cantadas que fariam mesmo um pedreiro rir.
- Bebi um pouco além de estar bastante deprimido caso não lembre disto também. Mas você ficou com a aquela garota só por minha causa, porque eu fiz marketing de você! Ou seja, você me deve essa!

O colega ficou meio emburrado cruzando os braços e bufou quando ele prosseguiu.

- Hey cara, elas estão olhando pra nós! Vamos nessa que juro um papo tipo tarantino!
- Você acha que elas querem saber de papos sobre os significados de A like a virgin? Lembre-se para ela somos estranhos!
- A não ser que nos apresentemos! - completou o sujeito convencendo seu colega.

Os dois se aproximaram meio sem jeito, mas sendo simpáticas logo estas com um sorriso falou que seria legal vê-los no festival a noite.

- Meu nome é Rogério Silveira - falou o mais tímido dos dois.
- E este que se acha um Indiana Jones tupiniquim? - perguntou descontraídamente Alinne sobre o camarada de chapéu engraçado.
- Túlio - respndeu ele tocando o chapéu diante dela sarcasticamente.

Os quatro haviam marcado para se encontrar em frente a pequena igreja catolica do centor da vila de Abraão perto dos vários restaurantes e onde um palanque com música nativa ofereceriam shows. O ambiente agradável em alto nível, propício a namorados e parecia ser promissor para aqueles dois jovens se não fosse o fato de que assim que as encontrarem uma murmuração repentina que se espalhou com a força de um vento tomasse a todos no local. Alguém havia sido morto numa das cachoeiras próximas dali.
A polícia local rapidamente irrompeu em meio a eles com um quadricículo - um dos poucos veículos presentes no local fazendo com que um outro colega da UFF se aproximasse dele dizendo ter sido um dos deles.
Recém formado, Rogério teve uma tese aprovada com louvor o que sucedeu a um bom trabalho naquele campos orientado consequentemente os estagiários como seu colega Túlio.
Completamente sem jeito, Rogério e Túlio então foi ao lugar enquanto as duas jovens os seguiam. A jovem, uma estagiária, foi encontrada morta tendo seus olhhos arregalados como num súbito horror diante de uma pedra por onde a água corria. Não havia marcas de sangue, mas apenas seu corpo rígidocom os braços curvados sobre o corpo como se ao se proteger tivesse congelado de medo. Como sendo de um campus de biologia, inicialmente pensaram se tratar de rigidez pós-mortem, mas o curto periodo sugeria que a jovem aparentemente cortorceu com tanto medo seus muscúlos que foi como se tivessem travados, literalmente morta de medo. Rogério lembrou que haviam algumas espécies de cobras que literalmente se quebravam ao se retorcer defencivamente, emesmo que tal não tenha sido o caso um alto indice de stress parece ter sido a causa aparente dela morrer!

- O que poderia assusta-la de tal modo? - perguntou Túlio enquanto as duas jovens pareciam pertubadas.
- Talvez ela estivesse sob efeito de algum alucenogeno que potencializou algo que induziu-a a isto. - retrucou Rogério.

Logo, o único carro de polícia local, e o microônibus do campus pareciam neste lugar onde o festival parecia literalmente ter se transferido em torno da cachoeira tornando o infeliz incidente numa central de fofoca mórbida por crimes - se é que havia sido um - nunca ocorressem naquele lugar a salvo raras exceções, como uma turista morta por um assaltante naquela mesma cachoeira.
De fato seguindo os conhecimentos de Rogério poderia ser no máximo algo provocado por algum tipo de trote de modo a drogarem ela. Mas ao levarem o corpo contrariando a perícia Rogério tirou uma amostra de seu sangue onde no laboratório do campus constatou não haver quaisquer drogas em seu corpo, a não ser as produzidas pelo mesmo em caso de extremo stress que favoreciam a rigidez muscular sob um eminente ataque. Definitivamente aquilo os deixaram instigados. Aquele mundinho civilizado para turistas parecia subitamente, então, entregues a todo tipo de especulação do tipo que criavam os mitos e lendas como criaturas lendárias e mesmo uma certa entidade que atacavam os invasores daquele lugar. Mas nada que as autoridades dessem devida atenção, por motivos óbvios.
Alinne e Clarice - que mesmo acostumava haver crimes dos mais sórdidos, jamais havia visto nada parecido com aquilo - seguiram a uma pousada sob o tempo novamente nebuloso como prenuncio de mais um temporal de verão. Logo, a chuva, torrencial parecia lavar as pedras arás do barro que vertia abundantemente do alto das colinas numa das dezenas enseadas deste paraíso em sua época de extremos opostos. O temor de que um desmoronamento similar ao ocorrido há anos atrás levasse a pousada pareciam soar como ecos silenciosos, mas estampados nos olhos dos turistas cujos quais somente uma brincadeira eclodiu no alívio da situação de um paranaense carregado do sotaque. Mas entre os risos um estrondo surto soou fazendo estes mesmos sorrisos - inclusive a do próprio piadista empalidecer - teria sido uma trovoada ou um desmoronamento. Mas para sua triste surpresa rapidamente o chão vibrou fazendo com que estes sem dizerem quaisquer palavras saíssem do local correndo em meio à chuva quando uma enorme pedra rolando do morro arrastou metade da pousada diretamente a praia sendo seguida, obviamente por um turbilhão de lama e madeira.
Mas somente com o raiar do sol, eles teriam a dimensão do incidente que obrigou Alinne e Clarice dormirem ao relento por temerem mais desmoronamentos. Antes tivesse trazido suas barracas de camping.
Os primeiros raios solares revelaram então uma enorme clareira barrenta que subia o morro até quase o topo donde outras pedras agora descobertas pela vegetação arrastada revelaram uma entrada similar à de uma caverna.
Ao saber que havia sido aquela a pousada onde estava Alinne, imediatamente Rogério se deslocou ao lugar para lhes oferecer auxílio junto a vários estagiários da reserva biológica, quando após verificarem que fisicamente Alinne e sua colega estavam saudáveis, atraído pela curiosidade da súbita entrada revelada e sob o anúncio de um dos moradores que lá havia ido ao amanhecer sob alegações de que parecia um lugar com inscrições estes seguiram como moscas atraídas pela luz, ao lugar.
Passando com dificuldade pela lama e diversos galhos de arvores derrubadas pela enxurrada de destruição cruel, Rogério e Túlio chegaram ao local onde a abertura denunciava definitivamente uma caverna há muitos séculos coberta por algum outro deslizamento. Lá de cima o rastro de devastação era ainda mais impressionante criando como se fosse uma estrada que dava diretamente ao mar. Mas logo a luz do dia deu lugar, a escuridão da caverna apenas interrompida pelas luzes de lanternas que revelaram desenhos dos primitivos e ao fundo um esqueleto.

- Aparentemente pelo menos esta tragédia teve um lado bom, arqueológico ao menos. - falou Túlio.
- Mas um pedacinho de pré-história revelado. - completou Túlio ao lado do morador local. - Vejam estes desenhos, olhem esta criatura monstruosa, continuou ele.

O desenho revelava um ser de olhos descomunais que diante de uma aparente presa, esta caída numa posição similar a da estagiária encontrada denunciava o horror desta ao ver tal ser.

- Foram os mesmos responsáveis pelo Sambaqui? - perguntou Túlio para Rogério.

Os sambaquis eram sedimentos de vestígios deixados por povos pré-históricos ao longo de todo litoral brasileiro, os mesmos que deixavam marcas em pedras praias onde afiavam seus instrumentos de caça e pesca, muitos séculos antes de descobrirem o Brasil oficialmente. Ao caminharem ao fundo da caverna encontraram um amuleto de dentes e penas similar ao encontrados séculos atrás por Joaquim e Manuel. Túlio pegou este curioso e jogando a luz da lanterna sobre contemplou e em seguida o morador pegou.

- Creio que temos uma reportagem da National Geographic!

À noite de volta ao local do campus, sob o céu estrelado todos estagiários pareciam animados com a descoberta apenas da perda da colega de modo estranho e súbito. Túlio se divertindo colocou o apetrecho em torno do pescoço e rindo começou a dar pulos imitando a dança de um indígena.

- Sou o verdadeiro brasileiro! - gritava ele rindo.

Ao ver isto, Rogério o repreendeu, e em seguida um a pequena "festinha" acabou ali. Desanimado pela própria irreverência Túlio e outro colega foram para fora do campus onde acendeu um cigarro enquanto caminhava diante das ruínas do presídio que lá havia em Dois Rios, quando notou que repentinamente o silêncio tomou todo lugar. Não como o silêncio da noite, mas como daqueles que calavam grilos e sapos, e mesmo o vento temendo se apresentar parecia se esconder timidamente tornando não menos tímida as folhas das arvores em se debater.
Um súbito medo sentido por ele, inicialmente associado a prisão o tomou, mas recusando-se admitir a si próprio sorriu, afinal quando foram para lá, havia passado por seu "batismo" ao percorrer todas as ruínas durante a madrugada junto aos outros calouros.
Mas rapidamente sua bexiga não mentiu, e apertando ele prontamente falou como quem fosse apenas fruto da pequena sessão alcoolizada fosse "tirar a água do joelho". Mas para seu colega que rindo percebeu Túlio correr em pequenos saltinhos enquanto segurava a virilha, descarregou diante da parede do presídio quando uma respiração ouviu no local e em seguida um grunhido.
Os dois se olharam em pânicos mesmo que de suas bocas saíssem a mais pronta mentira em contradição com que demonstravam verdadeiramente.

- Vamos lá, deve ser Alex brincando lá dentro! Já passamos por este trote. - falou o colega de Túlio e os dois seguiram até a porta de entrada a abrindo silenciosamente.

Desta vez foi o colega dele que sentiu o arrepio na espinha e a vontade de urinar, o escuro e silêncio com aquela respiração diante do autodesafio deles em ver do que se tratava fez seus corações quase serem ouvidos a distância.
Para os viciados em adrenalina justamente era o único modo de se sentirem vivos, e mesmo que rendesse boas histórias no fundo o colega de Túlio sabia que com aquelas coisas não deveriam brincar. Mas lá estavam eles quando um pedregulho rolando do alto de uma das partes da ruína caiu no chão os fazendo dar um salto de medo e susto, eles riram em seguida, mas um súbito frio pelas costas vieram a eles quando os tomando ao se virar caíram ao chão em mais profundo medo gritando perdidamente na noite do lugar.
Rogério ouvindo aqui correu ao exterior do campus, mas sem nada ver, mas tão logo deram falta de Túlio e seu colega, que ao amanhecer, Rogério jurando a si próprio lhe dar uma bronca pela travessura saiu a procura-lo, apenas recebendo a notícia ofegante de um dos estagiários de que eles estavam mortos em meio às ruínas do presídio.
Muitos anos atrás, aquele lugar que havia tido presos famosos da ditadura como Leonel Brizola - que em virtude do trauma mandou demolir o lugar - se havia sediado também as fundações de uma das maiores organizações criminosas do Brasil, a Falange Vermelha, hoje mais conhecida por Comando Vermelho. E naquele mesmo lugar um jovem preso pela cruel ditadura por resistir na liberdade de expressão planejou fugir após ver a fuga cinematográfica de escadinha. Um dia chuvoso com raios que pelo constante barulho justificou a aproximação de um helicóptero que lhe jogando algo para subir o levou para longe daquela masmorra tropical. No dia seguinte jornalistas e policias da metade do Estado do Rio vagavam pelo local que pela segurança comprovadamente precária - a quem diga que os guardas foram comprados - animou alguns presos políticos a fugirem do lugar.

Passando o alvoroço da impressa e do próprio governo, o jovem tinha todo um plano que seguiu a risca aproveitando o momento de troca de guarda para fugirem utilizando-se uma chave forjada por eles e uma corda. Seguiram eles agachados assim como séculos atrás com Joaquim e seu compatriota, quando ao conseguirem pular o muro o alarme soou. Os dois correndo como loucos em direção a praia de Parnaioca sumiram no mato quando viram as luzes de lanternas e latidos caninos os procurando. Os dois riram, estavam livres como poucas vezes ficaram em sua condição civil.

- Brizola ficou de nos prestar auxílio, mas cá estamos! - falou um deles.

Nos dias atuais, Rogério impressionado com a maneira muito similar em que foram encontrado os corpos em similaridade a estagiária, começou a crer em algum tipo de crime, talvez crimes em série, o que por via das dúvidas fez as autoridades locais bloquear o local impedido que qualquer um saísse ou entrasse até que o dilema fosse resolvido, ou seja, alguns dias. Mesmo que os fatos pareciam indicar uma enorme e bizarra coincidência, que para o credo comum jamais seria. Rogério ficou abatido com tal, mas ao seguir a pousada onde ainda estava Alinne que chorou com aquilo ouviu em meio ao dialogo dos três uma moradora de idade avançada local falar de algo similar ocorrido a muitos anos quando ainda era jovem.

- Existem forças que não podemos brincar, a tempestade que se abateu foi o prenuncio do que ocorreu antes.
- A senhora diz que houve casos similares anteriormente? - perguntou Rogério.
- Perfeitamente - ela respirou fundo e começou - certa vez dois jovens presos pela ditadura fugiram do presido de Dois Rios, mas somente um conseguiu chegar a vila de Parnaioca do outro lado desta ilha, e sob profundo medo disse ter visto algo horrível e imprescindível que ele chamou de Asmofobos.
No dia seguinte, o jovem que em profundo choque se entregou revelou o corpo do colega paralisado de medo, catatônico sem um aranhão se quer. O homem disse ter encontrado um artefato de dentes e penas.
Ao ouvir aquilo, Rogério congelou assustado seria o mesmo amuleto encontrado por ele na caverna que surgiu com o desmoronamento?
Não levou algumas horas para que um grupo de legistas e peritos especializados chegasse ao local, caso raro, mas graças à notoriedade que ganhou no boca-a-boca. Estes como poucos casos não usavam faca de cozinha para dessecar os corpos, mas usando o próprio campus da UFF com um suporte bastante melhor seguiram numa autópsia chegando à mesma conclusão que a de Rogério. Mortos de medo.
Perturbado diante do amuleto, Rogério em seu íntimo se recusava em contar as associações de tal com as ocorrências no lugar para a policia, como um ser mítico, bizarro, como um demônio ter sido responsável pelas mortes. A senhora que era cristã falou umas dezenas de palavras bíblicas após contar tal história. Talvez ela estivesse apenas querendo dar um sermão de conversão.
Preocupado somente teve o fato questionado diante de Alinne e Clarice, esta última francamente ironizando tal condição por considerar demasiado absurdo, como uma cristã bastante cética. Mas à população de moradores acostumados com alguns causos insólitos parecia ter o temor amplificado como as drogas naturais do corpo produzidas pelas vítimas do que quer que fosse.
O dia estava com o céu límpido com o típico ar puro das florestas em contrapeso com a maresia do mar, mas crendo que tais casos ocorridos normalmente apenas à noite os três percorreram o mesmo trajeto a suposta caverna tendo-se a lama parcialmente seca.

- Foi aqui onde encontramos os artefatos, seja o que for. - falou Rogério para as duas - já dei a volta nesta ilha diversas vezes de barco e a pé, e nunca vi nada igual no local. Os tipos de desenhos parecem remeter aos maias e são antigos demais para ser relacionados a qualquer tipo de culto bizarro.

A altitude do lugar deveria ser de uns 200 metros, mas mesmo que com as súbitas viradas de tempo típicas do verão não justificaria o nevoeiro que descia um pouco acima deles. Uma nuvem passando baixo, deixou as duas assustadas, mesmo que particularmente Clarice estivesse mais preocupada em quebrar as unhas com o terreno de difícil acesso a pessoas com ela ao menos. Alinne, por sua vez sendo uma garota mais versátil havia feito diversos acampamentos e mesmo algumas expedições de fim de semana realizando trilhas conhecidas por montanhistas como a da pedra do sino na serra dos órgãos.
Mas igualmente com as vítimas anteriores o silêncio tomou o lugar, o vento, os pássaros e quaisquer outros ruídos os deixando em polvorosa e correndo do lugar. Ao descer Rogério não agüentou e resolveu narrar os acontecimentos para as autoridades responsáveis pelos casos, mas sendo obviamente ridicularizados.
À noite o Festival mesmo mediante o recente sítio como nos tempos antigos, seguiu tentando animar não somente os turistas como o pequeno povoado. A música animada parecia tentar convidar as pessoas a dançarem e beberem sob a noite aparentemente de céu seguro. Lá, estava o capitão da polícia ao lado dos legistas observando o momento um pouco distante do trabalho no caso. As pessoas pouco a pouco como bons brasileiros típicos esqueciam os problemas a comemorar sabe-se o que, mas repentinamente enquanto Rogério ao lado das duas garotas sentado num puxadinho de uma das pousadas se viu no balcão conversando com o simpático homem que havia comprado o lugar a pouco tempo, Daniel, um ex-policial.
Porém, o lugar viu-se num súbito blecaute que seguiu não se espalhando somente nas vilas onde os geradores a diesel ainda eram constantes. A música se silenciou, o escuro a tudo cercou assim como os corações dos mais crédulos que pareciam se divertir com aquilo. Apenas vozes esparsas falavam agora perguntando-se o que ocorreu enquanto algum eventual grito de deboche parecia ironizar a situação simulando o susto. Mas não demorou para que os gritos se tornassem reais e sinceros quando algo perpetuou sobre as pessoas que ainda se encontravam no local. Nas trevas um medo sem parâmetro parecia livre pelas sombras dominantes e logo o que deveria ser um festival de música se tornou festival do medo.
O policial gritou pedindo calma, mas as pessoas correndo e logo a seguir utilizando-se de lanternas assim como lampiões das pousadas encontraram três pessoas mortas como quem estivessem congeladas de horror. Os policiais desta vez levaram a sério, olharam para Rogério ao seu lado e sacaram as armas, mas o que lá havia não poderia ser vencido com chumbo ou fogo. Um homem que pregava começou a orar em voz alta e com a bíblia estendeu os braços, mas como se fosse para convencer ele mesmo de não sentir medo enquanto todo restante corriam para sabe-se onde.
Um ruído cercou os policiais e estes se virando de um lado a outro apontando suas armas enquanto Alinne se escondia atrás de Rogério pareceu estar os encurralando quando um dos homens atirou, mas ao ver um vulto cair notou ser apenas um turista.

- Idiota! Você atingiu um inocente - gritou o capitão - Vamos todos pra DP solicitar reforços de terra pelo gerador.

Os sujeitos correram sem saber para onde ir, Rogério os seguiu junto com Clarice e Alinne. O ruído de medo e como de um rugido baixo e constante provocava arrepios íntimos neles quando escutou o barulho de vidraças quebrando ao seu redor, quando olharam ao redor viu um dos soldados de joelhos chorando desesperado, um enorme vulto ms tornando-se visivelmente pálido surgiu quando enormes olhos se abriram diante deles, olhas avermelhados e não menos repletos de medo. Um enorme odor de enxofre exalou do lugar e o sujeito agonizando somente de ver aquilo começou a tremer e tremer caindo no chão. Os policiais apontaram as armas e atiraram, mas como se nada atingisse o ser seguiu em direção a eles, diante de Rogério quando parou diante dele que tremendo o olhou de cima a baixo como se procurasse algo. Alinne arriscou dizer - a amuleto, está com você?

- Tal apenas do outro lado da ilha - sussurrou ele sem tirar os olhos de cima do ser.

Mas estes como se entendesse o que tivesse dito olhou para trás e como num alto sumiu e a luz retornou ao local. Preocupados resolveram pegar imediatamente um veículo ao local do campus, e subindo a estrada sob o luar sacudindo sem parar viu repentinamente o vulto de alguém acenando para o veículo no meio da estrada forçando para-lo repentinamente quase o atropelando.

- Algo atacou o campus, aparentemente o medo tomou todos, nos ajude! - falou uma jovem chorando nervosamente.

O capitão pisou fundo no acelerador e ao chegar no lugar viu diversos jovens saindo correndo e gritando do lugar. Rogério entrou na frente vendo os corredores vazios quando o som de vidros novamente se ouviu, algo quebrou onde artefatos arqueológicos dos sambaquis eram levados ao entrar na sala viram aquele mesmo vulto de pé de costas, pálido e um ruído de respiração similar a de choro virou-se diante deles e o ser de grandes olhos inclinando o rosto recuou simplesmente sumindo com o amuleto nas mãos.
No dia seguinte, todos tentavam entender o que aconteceu, muitos inclusive entre os policiais como o capitão se recusando crer e relatar aquilo do ser se não um "assaltante usando de recursos de medo". Mas não era um mero devaneio, ao caminharem em torno do campus viram em meio ao mato o amuleto jogado, um dos policiais o pegaram e levaram como provas de um crime junto a outras evidências, dentro de uma caixa partindo no próximo barco em direção ao continente, deixando a ilha, mas levando o medo, rompendo a quarenta, mas espalhando a pandemia das fobias?

Muitos séculos atrás, muito antes de qualquer um ocidental ou quaisquer outros homens do outro lado do mundo, fugindo de algo inominável corriam pela floresta, sobreviventes indígenas que repletos de apetrechos e pinturas pelo corpo fugiam lastimavelmente de maccho Picchu enquanto pareciam tal apenas ecoar por suas mentes como lembranças nostálgicas de algo formidável que era tal cidade, mas arrasada por uma força maligna, medonha, cruel do qual estes sentiam mesmo os ossos tremerem de horror num frio que os atingiam o mais profundo da alma, tal que naquele momento pareciam segui-los os cercando e que os tomaram em mórbido e mortal horror, a mesma força que antes fizeram vagar, assolados por tal um lado a lado com outro pararam quando um destes homens levantando as mãos diante da selva tropical apenas cortada pelas luzes do sol e de outro lado o mar de onde vieram empunhavam suas machadinhas olhando ao lado nervosamente, enquanto transpiravam sem parar e ofegantes diante do silêncio. Súbito da floresta, mas aquele que levantou os braços como um líder tinha o mesmo amuleto de dentes e penas em suas mãos que proferindo palavras intraduzíveis gritava como se para assustar tal força que parecia rodeá-los diante do súbito silêncio, este gritava e gritava como se para cortar o silêncio e assim os efeitos deste ser, mas nada resolvia, dois dos homens caíram em medo de prantos tremendo e tremendo, se curvando até seus músculos não agüentarem mais, enquanto o único de pé vendo um filete de sangue correr dos punhos cerrado de um dos seus, foi sucumbindo gradualmente e sua voz empalidecendo à medida que o amuleto apertado em suas mãos as fez igualmente sangrar, o homem antes de cair num medo catatônico falou assombrando - Asmofobos!


Este conto é parte integrante do Livro 'Crossovers Tales' de Gerson Avillez
(Todos os Direitos Reservados) vejam outros contos clicando aqui.

O Que éstá Acontecendo (Crossovers Tales)

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Parecia ser um dia como outro qualquer dentro da prisão, os homens andando em campo aberto de um lado a outro diante de um enorme muro tendo apenas algumas torres de um lado a outro com guardas na guarita armados com longos fuzis. As vozes dos presos se intercalavam num pequeno e baixo tumulto de vozes entrecortadas mutuamente quando repentinamente o ruído crescente de algo como um trator parecia surgir fazendo com que os guardas da guarida se virassem para o lado de fora da prisão e olhassem assustados e falassem ao rádio que algo ocorria. Rapidamente os presos, todos, olharam em direção ao mundo quando um estrondo irrompeu fazendo com que o a camada de concreto e tijolos voassem para todos os lados fazendo surgir um grande buraco na parede que se tornou visível quando a nuvem de poeira se dispersou e sem pensar os presos correram em direção aquele buraco onde se revelou um tanque. Sim, um tanque como daqueles de guerra que roubado por alguém foi jogado contra aquele lugar para abrir aquele enorme buraco.
Um alarme rapidamente soou, e fez com que os guardas corressem de um lado a outro com armas, mas rapidamente outros dois carros pararam soltando homens que do lado de fora atiraram contra os guardas da guarita os fazendo se abaixar para se proteger enquanto os presos fugiam. Entre eles um jovem, um traficante chamado Dedo que rápida e livremente entrou num dos carros e este virou a esquina sumindo. Assim começou mais um dia dentre tantos dias naquele cotidiano dominado por violência.

Ruas vazias e molhadas, as luzes dos postes acessos entre fios entrelaçados de ligações clandestinas. O lugar é inclinado e começa a subir, mas nestes casos quanto mais alto, mais vai aumentando a pobreza, revelando casas no tijolo e em construções cada vez mais irregulares como um amontoado caótico de construções. Em meio ao silêncio deste lugar os primeiros pássaros começam a cantar diante de pontos deste morro revelando um nobre pedaço remanescente da mata atlântica, porém o ronco do motor de um carro irrompe e interrompe tal silêncio, como um caminhão sob a rua constante até vermos que é como um carro forte preto. Chamado popularmente de “caveirão”, é um blindado do CORE, uma divisão da policia civil especializada em incursões nas favelas cariocas e situações de risco, neste caso após a fuga de presos dentre os quais um estaria naquele morro. Temido pelos bandidos e como esperança para os homens da lei, o carro é prenúncio de tiroteio, prenuncio este que se confirma quando as primeiras balas traçantes cortam o céu que ainda se clareava. Mais uma batalha começaria.
Logo atrás deles uma D-20 cheia de policiais armados até os dentes, alguns dos quais usando mascaras por morarem nas redondezas, os soltaram em formação seguindo por ruelas estreitas e escuras, pois nem mesmo o sol havia liberado seus primeiros raios. Um choro de criança se houve, um bebê acordou com os tiros. Um marginal pula o muro diante dos olhos de Daniel, um destes homens da corporação que vestindo preto buscava a cada incursão deixar seu coração em seu lar, com sua mulher. O homem desaparece diante de seus olhos antes mesmo que ele levante o fuzil quando mais dois surgem seguindo o mesmo caminho e estes apontam as armas para cara dele.
Seu corpo gelou tal como a dos marginais, três estranhos que naquele momento sem lados apenas pensavam em sobreviver, porém que por uma fração de segundos com a troca terrível e desesperadas destes sob a fachada de serem durões impassíveis perdurou apenas tempo suficiente para que tiros de trás deles cortassem o lugar atingindo dos traficantes enquanto outro pula o muro e Daniel acessa para ele.
O jovem, não deveria ter nem 20 anos, segue por um corredor enquanto o choro do bebê aumenta, ofegante e desesperado agora se sentiu caçado quando antes era dominante. Chegou ao fim do corredor, um beco sem saída e sons de passos ao fundo, este olha para os lados e apenas vê uma porta que sem pensar a arromba, mas ainda permanecendo trancada este dá um tiro e entra. Uma jovem negra levanta da cama desesperada quando este passa por estes até um senhor que acorda igualmente assusto e apenas vê o jovem cuja bermuda larga e cumprida e um enorme cordão de ouro quebra a janela e pula com o fuzil. Bagulho doido meu irmão! Pensou ele consigo.
Lá fora Daniel e o outro parceiro fazem a varredura do local e estes e Daniel protegem a entrada de seu parceiro Alessandro, este entra sem piedade pela porta arrombada dos que neste local moram, apenas gritando ser da polícia e para se deitarem enquanto ele aponta uma desert Eagle que ele mesmo comprou as suas custas. Porém, chega da janela e nada vê a não ser algo no terraço da casa do lado balançando. Ele foi por ali!
Alessandro segue impassível, saltando quase com a mesma habilidade do bandido tirando-se a botina que pesa demais, olha em volta enquanto vê do outro lado, já sobre um dos terraços, um outro policial a verificar o lugar apontando com seu AR-15 com uma mira, mas nada. O lugar está escuro mesmo que o céu comece a ficar azulado e o mar se torne visível como uma paisagem formidável demais para tal situação. Porém, repentinamente ele houve barulho de água, ele olha em volta e nota que mesmo co a chuva horas antes o terraço já estava praticamente seco, tirando-se uma poça entorno de uma caixa dágua. Alessandro aponta sua brilhosa arma em direção a caixa d'água e nota um pedaço de cano para fora e concluí, por ali ele respira. Sem nem pestanejar ele coloca a mão sobre o cano para impedir a respiração de qualquer pessoa que lá estivesse, permanece assim por alguns minutos até que a tampa da caixa balança e Alessandro largando o cano sorri e se afasta descarregando sua arma sobre a caixa d'água. Diversos filetes e água jorram ganhando o tom avermelhado do sangue do jovem rapaz.
Alessandro então olha para o lado e vê que aquele outro policial o viu, e então o encara nos olhos como quem dissesse, você vai contar o que? Levanta a tampa e pega a arma do bandido, uma 45 enquanto Daniel surge da janela com as armas em punho pergunta o que houve e este apenas mostra a arma como quem dissesse, me defendi.
Outros tiros ocorrem em outro lugar chamando atenção deles quando no rádio ouvem um pedido de socorro, um dos deles está encurralado, correndo Daniel e Alessandro vão até o local onde de trás de um muro vê uma mulher negra que grávida ostenta nas mãos um revolver prateado, mas ela não o vê, fumando um cigarro vê outro homem sair do lugar agachado e Daniel lhe aponta a arma gritando para se deitar no chão, o jovem levanta as mãos e coloca a arma no chão se deitando lentamente, porém, Alessandro chega e lhe desfere um chute no rosto que com o peso da botina faz jorrar o sangue do supercílio do jovem. Daniel grita com ele para que não faz tal, aquela ameaça já havia sido neutralizada.
A Mulher, porém, ao perceber sai correndo por um beco estreito com seu "trabucão" na mão até o outro traficante que havia cercado o policial agachado por de trás de um cano de concreto de mais uma construção começada no período eleitoral e não concluída, mataram o deputado responsável por combater um caso de impunidade.
Ele olhou a volta a ver as luzes dos postes começarem se apagar enquanto pássaros voavam quase como se nada houvesse, o lugar tirando-se tal situação até seria tranqüilo, mas estes ao colocar a cabeça pelo cano rapidamente tiros vieram em sua direção. Ele pega o rádio e grita:

- Daniel! Vem logo!

O som do caveirão surge e atrás dele Daniel e outros mandando bala pra cima dos traficantes, mas Daniel hesita ao ver a grávida. Afinal como poderia ele matar uma mulher que carrega um inocente na barriga? Mas Alessandro não perdoa e manda tiros sobre ela, como se fosse um daqueles alvos de papelão no treinamento do quartel, mas a mulher escapa e faz ele apenas dizer tão sortuna quanto uma barata, e ri.
Daniel o encara sério, pois para Alessandro parecia apenas ser um safári. O homem encurralado com um tiro na perna se arrasta até se pego por dois homens que o retira de dentro do cano de onde se encontra.
O Carro vem junto a outros dois e colocam o homem dentro dele, enquanto outro vê mais um morto ao menos desta vez justificável, mas Alessandro se aproxima do homem que havia o visto no terraço e antes que saíssem do lugar lhe diz em tom de intimidação:

- O que você viu Lucas? O que você viu?!
- Vi apenas mais um amanhecer duvidoso. - respondeu ele.

Os homens entram nos carros e saem quando outros policiais vendo a "barra limpa" chegaram para a perícia fazer o fiapo de trabalho que lhe restava e saíram descendo a ladeira quando o sol já estava pleno sobre as ruas. Antes mesmo que acordassem, aqueles homens do qual alguns com o curto salário seguiram tal profissão contrariados sobrevivendo à violência não muito diferentemente dos próprios traficantes, mas sendo obrigados a verem a corrosão não pela maresia, mas pela miséria e ganância a arrebatar jovens que encurralados moral e socialmente não puderam escolher seu caminho, indo parar no tráfico. Foi apenas mais um dia, dentre tantos no diário daqueles homens num front duma guerrilha urbana praticamente declarada.
No Batalhão, Alessandro, um homem negro e robusto retira o colete e escora a arma enquanto se aproxima para falar com outro homem que lá estava cochichando. Daniel vê, mas cansado mesmo que o dia apenas estivesse começando retira o colete e olha para baixo.

Enquanto isso na favela, um jovem do tráfico se aproxima para o sub-gerente e diz:
- Cana, tentamos prever o bagulho...
- Se liga mané, se não quiser virar um comédia! - respondeu o sub-gerente Cana apontando uma pistola para sua cabeça. Mas nisso um outro entra, desta vez Dedo que havia fugido da prisão e diz.
- Coé Cana, o moleque é responsa, ficava neutro só mesmo tu pra botar nessa parada.
- Vai ficar de caó Dedo? - respondeu Cana - Tamos precisando do reforço no bagulho e vai da pra trás?
- Ai Cana, o moleque só quis se livrar das dívidas nem estava no pernoite, libera porque a dor também ele, Zangão era brother dele. - respondeu Dedo de modo coerente, pois o jovem que cresceu com ele sendo amigo de infância foi sentido por tal.

Dedo, era um homem bom, não gostava de tirar onda com a comunidade desde quando tomaram o morro, mexia com gente estimada e pegava tudo que é mulher do local a força. Por isso alguns do próprio bando notaram que alguns moradores importantes pareciam até mesmo preferir que outra facção depois que foram tirados, mesmo que muitos destes fosse moradores antes queridos como Zangão e o jovem que tomava na cara de Cana, Betinho e Dedo antes de subir. Faziam até mesmo alguma coisa pela comunidade quando se viram obrigados a se virar pra sobreviver entrando pro bando que agora Dedo gerenciava. Porém, Dedo era alvo de quem eles menos pensavam e modo que não sabiam, ele fazia dinheiro para os "cabeça" do tráfico e assim tirava uma grana boa pra si e subiu no conceito da facção. Ficou conhecido por tal apelido depois que a facção rival invadiu a favela e este acabou disfarçadamente servido de olheiro para os seus entregando os comparsas da facção rival, mas que em meio à invasão ainda assim tentaram o matar. O Sujeito tomou vários tiros e foi encontrado empoçado em seu sangue, mas sobreviveu agora mancando duma perna. Por tais motivos Dedo se tornou uma quase lenda no local e costumava pegar todo tipo de mulher, sem falar depois de ter fugido da prisão.
Aquilo lhe fez lembrar uma história de um antigo colega dele que numa fuga assustou um homem que trabalhava num cemitério ao lado da prisão onde estava preso. O homem passou dois anos cavando um túnel para que saísse num terreno baldio do lado, porém, por erros de cálculos acabou inclinando o túnel a um cemitério que durante a noite quando ele e seus companheiros de cela realizaram a fuga, o coveiro local notou um ruído durante uma ronda habitual que ao se aproximar viu a placa de concreto onde estava um morto se mover.
Desesperado este jogou a lanterna para cima do túmulo que para sua surpresa viu um braço sair e em seguida um homem, o preso que havia fugido. O pobre coveiro sem agüentar ao ver tal cena acabou enfartando e morrendo no local, mesmo que os demais presos ao saírem pelo túnel tentaram fazer algo a ele, em vão. Não bastando a fuga o colega de Dedo foi condenado por homicídio culposo...

A noite já havia caído quando, portanto trajes comuns Daniel chegou em seu lar, um apartamento num condomínio da COAB. Subiu lentamente as escadas até o terceiro andar de onde morava. Sua esposa com seu filho de colo, enquanto preparava a comida retratou não mais do que uma típica família do subúrbio carioca, mesmo que poucos soubessem que Daniel na realidade era um policial de elite. Não havia qualquer interesse disto uma vez que até mesmo colocaria sua família em risco diante a ingenuidade de seu filho ante um mundo tão cruel. Depois de tomar um banho com sua mulher, deitou-se onde, porém começou lembrar das dores de um antigo incidente que lhe afetava profundamente como um trauma que por mais que tivesse tentado deixar para trás ainda persistia a retornar como um fantasma do medo da repetição.
Noite em meio a um centro urbano, apesar de não ser tão comum o seqüestro de ônibus tinha muitos precursores anteriores como a do 174 por um jovem que anos atrás havia sobrevivido a outro trauma, o massacre da candelária. Mas os dois homens que prenderam o ônibus desta vez pareciam fugir de algum executor, que em seu desespero fazendo de reféns mulheres e crianças inocentes dentro do coletivo. A tensão se estendeu por toda à noite fazendo com que num ato de desespero não somente a PM intervisse, mas o CORE onde contando com os atiradores de elite do qual ele costumava ser, se posicionou sobre um prédio próximo escondido pelo escuro da noite. O homem viu seu suposto executor em meio a multidão e se apavorou forçando a arma sob a cabeça de uma jovem menor de idade enquanto o outro se abaixou, algo os deixaram profundamente temorosos, mas que fez com o pedido para que Daniel atirasse mudasse radicalmente o desfecho da história. Bastou o movimento de ínfimo de sue polegar enquanto seu olho direito sob a mira telescópica interrompida constantemente pelo suor da tensão bastasse para que o irromper silencioso do projétil varasse o vento num único zunido a atingir a cabeça do malfeitor que tinha a jovem como refém. Entretanto, ao ver tal, o comparsa se levantou e num ato de desespero lançou tiros sobre a multidão. Daniel, não podia se atemorizar, mas sua respiração agora ofegante buscava de sua pequena lente de visão um modo de atingi-lo quando este lançou um único tiro certeiro, se não fosse por ele agarrar uma criança na frente a levantando uma facção de segundos no momento em que ele apertou o gatilho. Meus neurônios poderiam ter sido mais rápidos, me proporcionando um reflexo maior antes que lhe matasse meu dedo apertar o gatilho, pensou ele consigo. Porém, o tiro matou a criança e mesmo que o homem tivesse atirado diante da multidão matando um e ferindo três o clamor veio sobre a corporação tal como ele.
Desde então as imagens da criança tendo sua cabeça impactada pelo tiro, enquanto permaneceu ele impotente após o mesmo a observar seu corpo agora sem vida cair morto enquanto rapidamente suas roupas tornavam-se vermelhas com seu próprio sangue. Tais imagens soavam como um eco torcido da realidade amplificado por suas razões de moralidade que perpetuavam-se como um verdadeiro fantasma em sua mente, a lhe conceder sonhos e pesadelos psicológicos.
Mas um barulho repentino sucedeu repetitivamente como se algo rolasse no chão o despertando. Daniel apenas viu a luz do rádio relógio e acendendo o abajur se aproximou da janela fechada enquanto sua bela mulher dormia tranqüila ao seu lado. Pensou em abrir a janela para identificar o que era tal barulho, mas ao olhar novamente o relógio marcando 4:42 acabou por desistir e deitou-se novamente.

Protestos nas ruas próximas ao morro onde eles invadiram no dia anterior, a população revoltada em parte com alguns erros da atuação da policia somada a pressão do trafico levaram diversos moradores pobres a queimar madeiras, pneus velhos nas saídas da favela como protesto à morte de um suposto inocente. Daniel passa próximo a tais ruas com seu carro usado em direção à corporação apenas assistindo a tal cena sem nada poder fazer.
Mais um dia começa, e ele veste sua farda, coloca seu colete aprova de balas e pega nas armas. Alessandro entra no local e o cumprimenta após vê-lo novamente com aquele homem do dia anterior. Neste momento o superior, Aguinaldo se aproxima e diz o motivo do protesto: a população teria reclamado que alguém da corporação, algum policial teria matado um morador e seqüestrado um traficante, Dedo, que havia fugido dois dias atrás da prisão de modo cinematográfico.
Todos demonstram-se surpresos com tal revelação assim como Alessandro que friamente falou que este deveria ser punido por tal ato, porém, não sabia Daniel o que estava por descobrir sobre aquele seu parceiro.
Constantemente Daniel se via em situações difíceis sobre o que fazer, não era frio como Alessandro, e por isso se apiedava quando via alguém em situação de desvantagem especialmente para um vítima, mas rapidamente mudava sua postura quando seu sangue esquentava por presenciar algum ato igualmente de covardia de algum bandido, e por isso foi colocado ao lado de Alessandro que antes era considerado um homem frio.

Logo eles entraram num dos carros e seguiram para o local onde ocorria o protesto. Enfileirados seguiram pelas ruas onde os homens armados de fuzil para fora das janelas e nas partes traseiras da caçamba dos carros faziam os que passavam observar parando num misto de medo e curiosidade.
Em meio a rua algumas pessoas começavam quebrar vidros e pára-brisa dos carros e ônibus num vandalismo crescente mesmo que parte deste protestasse apenas com cartazes e num unicoro contra a violência, o que contraditoriamente alguns perpetuavam.
Quando os carros adentraram o local alguns se aquietaram, mas outros ocultados pela multidão lançaram pedras e paus sobre o CORE onde diante do choque que já saia de seus carros e um micro ônibus pareceram na realidade pouco se preocupar com a situação saindo calmamente em fila com seus escudos.
Tiros se ouviram e a multidão se dispersou com gritos onde até mesmo crianças pulando sobre a carcaça de um carro estavam foram às últimas a saírem como um desafio às autoridades competentes. O tempo estava fechado, não somente pelo clima de medo e violência crescente que rondava, mas aqueles dias nuvens cinzas pairavam sobre a cidade transcrevendo um clima de tristeza sob o lugar.
Outros tiros foram ouvidos, desta vez do morro onde os bandidos pareciam desafiar os homens da lei e tão logo alguns diziam o porque, seqüestraram Dedo. A rua então ficou rapidamente deserta como se fosse madrugada, mas diante da luz do dia dispersa pelas nuvens no céu. Os soldados então subiram as ruas vazias enquanto viam estabelecimentos sendo fechados quando uma música do Legião Urbana se fez ouvir no local, vindo de um bar cujas portas eram descidas ocultando uma mesa de sinuca.

"Vamos celebrar a estupidez humana, a estupidez de todas as nações, essa corja de covardes assassinos, estrupadores e ladrões. Vamos celebrar a estupidez do povo, da política e da televisão..."

A trilha sonora soou medonha ao passo que animou reflexivamente outros destes companheiros de Daniel que mergulharam numa introspecção sobre o que eles mesmo lá faziam. Estamos seqüestrando os mesmos que seqüestram, para extorquir dinheiro dos próprios criminosos e traficantes que combatemos, pensou Daniel.
Porém, um som cresceu no céu revelando um helicóptero blindado deles que surgiu para dar cobertura e fazer reconhecimento do local quando tiros foram dados contra a aeronave que revidou. Tal situação fez eles lembrarem do helicóptero derrubado pelos traficantes a algum tempo atrás e justificando um blindado...
Mas tão rapidamente os mesmos tiros se ouviram desta vez sobre os soldados que agora correram pelo canto das ruas e entrando nos becos para se defender fazendo formações e sinalizando os seus enquanto recebiam instruções do comando e do helicóptero. As balas cortaram o concreto ao lado de Daniel criando buracos no poste e no muro por onde em seguida ele olhou vendo um destes traficantes com um fuzil semelhante ao dele e então ele sinalizou para Alessandro na direção onde estava por estar em posição melhor que ele, e sem pestanejar atirou derrubando o sujeito imediatamente. Entretanto, tiros vieram de cima, de uma das lajes fazendo Alessandro se jogar no chão quando uns destes bandidos gritaram:

- Solta o nosso, tá ligado? Sabemos que é você!

Daniel olhou sério para o homem que olhou de volta de mesmo modo, mas rastejando em seguida até uma posição melhor atrás de uma pilastra de concreto utilizada para bloquear as ruas quando convinha. Colocou seu fuzil sobre tal e mirou silenciosamente na cabeça de um destes quando outro tiro o antecipou derrubando um dos policiais com um tiro na perna. Vendo a cena, Daniel sinalizou, pois seu parceiro estava agora isolado pelo fogo cerrado fazendo com que rapidamente atirassem de volta enquanto o comandante deu ordem para Daniel ir até eles. Foi então Daniel, abaixado retirando sua pistola e colocando fuzil nas costas até os homens onde os dois agora seguraram pelo ombro o ferido e o carregaram até um ponto seguro. O helicóptero fez uma revoada rasante sobre eles e parando próximo parou com os soldados de fora apontando para os lados lhes dando proteção para que saíssem do local. Assim terminou mais um dia, onde Daniel ao sair e chegar finalmente ao local vomitou num canto só, antes de ir para seu lar...

Enquanto isso, um telefone toca, um celular. Um homem vestido de terno atende, apesar de elegante rapidamente ficou nervoso transpirando mesmo que estivesse frio, com um cavanhaque o sujeito guardou o celular e foi para o carro entrando nele e saindo. Já era noite quando este carro subiu a mesma favela onde algum comercio já havia aberto de volta, quando ao soltar se deparou com um menino armado de fuzil, mas que ao invés de abordado ofensivamente o permitiu passagem até dentro de uma casa, tendo sobre o muro um prato de barro com alguns elementos espetados e ao abrir a porta uma galinha preta morta num outro prato no chão repleto de moscas ao seu redor. Ele viu dois homens sentados numa mesa ao fundo, jogando baralho enquanto era acompanhado pelo menino que mal conseguia segurar o fuzil, o negro vestia camisa, mas o outro um moreno sem camisa sem olhar para o sujeito que entrava disse:

- Estamos com a grana - se agachou então do outro lado da mesa e levantou uma bolsa revelando com a luz do local um pentagrama enorme em seu braço e outros símbolos de umbanda. - Se liga no bagulho Alberto - disse ele - dois nossos vão com você pra pegar esse louco, tá ligado, já tá morto.

O Advogado, que ele era, gelou nas bases com a frieza do homem, mesmo buscou demonstrar o mesmo, mas sem disfarçar que engoliu seco. Alberto foi um homem que acabou desistindo do sistema e acabou se corrompendo para sobreviver e ao abrir a bolsa vendo aquele mote de dinheiro rapidamente viu naquilo como sendo a resposta para todos seus problemas, dinheiro suficiente para fugir do país, daquele caos dominados por todos menos pela lei e pelo governo. Entrou no carro, quando viu mais dois brutamontes armados surgirem por trás dele entrando num outro carro atrás, obviamente deveria ser roubado, pois era um Sienna.
Transpirando Alberto colocou a bolsa ao seu lado, no banco do carona e virou a ignição dando partida no veículo, desceu a rua enquanto via a pequena feira aberta de entorpecentes químicos até pegar a Av.Brasil vendo o veículo logo atrás deles. O telefone tocou novamente, e este viu que era o número do celular roubado que o policial utilizava para contata-la quando repentinamente o transito congestionou por um acidente deixando o Sienna lá no fundo. O horário e local da entrega estava marcado para a troca do homem pelo dinheiro, mas após desligar o telefone ele percebeu que dois caminhões fecharam a visão entre ele e o Sienna os separando mais, quando ele viu uma saída próxima e olhando para a bolsa ao seu lado, transpirando virou-se para o retrovisor e não viu eles olhando novamente para a saída quando acelerando subiu o meio fio observando o retrovisor para saber se era visto e acelerou até saída do local entrando na rua mais próxima com o dinheiro.
Entrou em sua casa rapidamente pegando uma gaiola com seu papagaio, pois morava só, e rapidamente colocando seus pertences rapidamente dentro do carro quando o telefone novamente tocou o fazendo gelar. Eram os homens do tráfico. Alberto não atendeu, mas agora ofegante entrou no carro de qualquer jeito deixando as luzes da casa acessa e acelerando seu Astra usado pelas ruas iluminadas por postes. Enquanto dirigia pegou o celular e ligou para o aeroporto se informando sobre qualquer vôo que saísse do Rio para depois ir para fora do país. Naquele momento já deveria estar no local de encontro...

Escuridão, apenas as luzes do relógio amarelo eram visíveis marcando 2:25 da madrugada quando um ruído surgiu interrompendo o silêncio no local onde estava dormindo Daniel com sua mulher. O mesmo som da noite anterior e que lhe incomodava nos últimos três dias. Daniel colocou as mãos na cabeça e se sentou na cabeça como se tal estivesse lhe provocando dor de cabeça. Se levantou então seguindo até a janela a abriu ainda zonzo de sono e vendo tudo embaçado, mas o suficiente para enxergar lá embaixo na rua um triciclo com um garotinho pedalando, sozinho na madrugada.
Daniel esfregou os olhos assustado com aquilo e olhou em volta sem nada ver. Pensando ser um sonho voltou a se deitar não sem pensar naquilo que acabou de ver, mas tão logo pegou no sono novamente...

No caminho para o aeroporto Alberto se assustava com qualquer carro Sienna cinza que surgisse pelas ruas o fazendo suar frio, pegou a avenida Brasil novamente onde seguiu pela via deserta saindo do subúrbio onde morava até o aeroporto e vendo que o telefone não parava de tocar o desligou. Seguiu ele obstinado com a idéia de fugir do país o quanto antes, sobreviver à loucura daquele lugar onde ninguém era de ninguém e eram de todos menos donos de si próprio.
Porém, a frente notou um ônibus parado a crescer no horizonte onde pessoas pareciam correr no meio da avenida Brasil e rapidamente um carro de ré cresceu sobre ele que ao se desviar subiu no meio fio perdendo o controle e capotando. Um carro ficou atravessado no meio da rua, outros começaram a dar ré pela via paralela enquanto outros contornavam indo pela contramão, um arrastão se formava forçando os motoristas sobreviverem do modo que podiam, fugindo por todos os lados, pelas calçadas e pelo meio fio quando um caminhão surgiu e disparou se ouviram...
Alberto dançou com Astra de um lado a outro, mas se recusou a diminuir acelerando o veículo quando percebeu jovens armados no meio da rua agarrando uma mulher e outro tirando objetos duma sacola. Um destes ao ver o carro se aproximar apontou o fuzil sobre o carro de Alberto vindo para frente do carro sem nada temer o forçando parar, mas desesperado ele acelerou e se abaixou para o banco do carona fechando os olhos e escutando apenas os tiros zunido quando um tranco atingiu o carro. O corpo do jovem armado voou sobre o veículo sendo arremessado longe e fazendo seu revolver saltar quando Alberto todo torto segurou o volante percebendo que o carro perdia a direção e se levantou com o carro sambando na estrada de um lado a outro com os pára-brisas quebrados. Acelerou mais e olhou pelo retrovisor rindo ao ver outros atirando contra ele, mas quando se virou um pilar amarelo de uma passarela surgiu diante dele fazendo o carro bater de frente e então tudo se silenciou e se escureceu...

No dia seguinte Daniel ao sair de casa notou dois homens o observando, assustado pegou o celular, mas os ouviu falando estes se tal não tinham algo com o seqüestro do traficante. Como estes sabiam? Como chegariam eles até Daniel? Tais perguntas martelaram sobre sua cabeça durante o resto do dia no trabalho o fazendo diversas vezes ligar para sua mulher preocupado. Ao sair do trabalho ele viu na Tv sobre o caso do seqüestro, quando o telefone celular tocou era Alessandro com uma voz nervosa como se temesse algo, o homem que se dizia machão e grande torturador, entretanto, não agüentava o mesmo com ele.

- Preciso de ti parceiro. - disse Alessandro.

Daniel coçou a cabeça preocupado com ele e com si próprio, pois mesmo que o sujeito fosse mal já havia lhe salvado algumas vezes e vice-versa, e sobretudo era valente do front de modo sentia-se obrigado de certo modo a fazer algo. Antes mesmo, Daniel ao ouvir o que o bandido disse na favela ficou preocupado, mas nada falou para a corregedoria, na verdade nem chegou comentar com o mesmo como algumas coisas chegaram ocorrer antes em que Daniel irritado acabou por não revelar.
Assim ele seguiu até uma prisão de onde havia fugido Dedo, a interrogar um homossexual que em homenagem a um antigo bandido do Rio recebeu no nome de Madame Satã, por ser tão perverso. O homem maquiado como uma mulher, entretanto era musculoso e tinha um olhar medonho, se recusou falar com ele por ser policial, mas tão logo mudou de idéia quando este tivesse que sabia sobre Dedo que vendo como era importante para os tais resolveu falhar-lhe contrariado. O homem sentou-se numa mesa e levantou o dedo lhe apontando.

- Fica esperto, que gente como a sua não lido. Espero que seja útil o que tem a dizer!
- Não concordo com o que fizeram com o Dedo, pois foi igualmente crime, mas sei onde ele está e creio que podemos-nos sermos úteis mutuamente para resolver tal situação.

O homem ficou calado o olhando como sinal de que estava ouvido o que queria propor, cruzando os braços em seguida como desafio.

- Soltarei Dedo, desde que você não mate Alessandro. - disse Daniel - agindo assim, já estarei errado perante a lei, mas corrigindo outro erro anterior.
- Pouco importa se tá na lei ou não! Solta o Dedo duma vez. - respondeu o homem em tom de desafio e irredutível - pra mim todos vocês tinham que morrer, tá ligado?

Daniel ficou nervoso e por sentir-se intimidado pelo mesmo acabou mudando o tom ao se levantar da cadeira e o pegando pela camisa que por sua vez, empurrou Daniel em seus braços e assim Daniel lhe revidou com um soco no rosto o fazendo sangrar. Rapidamente os guardas vieram e seguraram o homem, mas Daniel fez sinal de que não tinha problema e este apontou o dedo ao preso e disse.

- Vou cumprir o que falei, pois não sou homem de fazer promessas vãs. Mas deixa sua gente longe da minha.

Daniel ao sair visivelmente estressado, entrou no seu humilde carro e seguiu para casa quando o telefone novamente tocou. Alessandro.

- Ai, esta parada pode sujar até eu. - disse Daniel - Mas vou, seguir, pois parece não ter jeito de sair limpo mesmo. Mas que seja a última vez.

Eles marcaram um local par a soltar Dedo que não bastando havia sido torturado por Alessandro, mas Daniel estressado e com a consciência pesada não conseguiu dormir ficando boa parte do tempo sentado na cama acordando até mesmo sua mulher que preocupada lhe perguntou o que tinha ocorrido.
Daniel foi para a sala e ficou sentado no chão, quando já sendo madrugada ele tornou a ouvir o som do triciclo da noite anterior, ele antes emergido em pensamentos próprios se focou no ruído e se levantou abrindo a janela vendo o mesmo garotinho pedalando no triciclo. Olhou fixamente agora estando certo de que não era fruto do cansaço de sua mente, mas sim um fato. Era quase carnaval, e por isso, ocorriam alguns atos inexplicáveis já não bastando o lugar ser surreal, onde mascarados na realidade tiravam as mascaras as colocando para ser o que não podiam sem tais. Daniel pegou sua arma temendo a estranheza da situação, e desceu pelas escadas do prédio até abrir a porta silenciosamente no escuro. Viu então a luz do poste sobre o menino que ao vê-lo sair parou de pedalar e olhou diretamente para ele e sorriu ingenuamente. Daniel escondeu a arma olhando em volta e seguiu pelo canto da calçada quando viu o menino se levantar e sem qualquer roupa sair correndo pelado até virar a esquina.
Um medo profundo tomou Daniel que temendo estar sozinho resolveu voltar, subir e finalmente dormir um pouco, pois no dia seguinte teria muito a resolver.
Mesmo sem mal dormir, Daniel com profundas olheiras se levantou seguindo para o trabalho, mas ao virar a esquina viu carros da policia parado numa pequena loja de televisores e concertos. Ao se aproximar Daniel meio disperso pela insônia perguntou a um destes o que tinha ocorrido e este revelou que estavam por dias serrando as grades do local durante a madrugada para arrombarem tal e roubas tais equipamentos.
Daniel seguiu vendo as nuvens cinzas carregadas de toda tristeza que representava tal local e situação prometendo um temporal na o entardecer, típico de verão. Ele parou para tomar o café num bar enquanto na Tv as mesmas notícias de violência, sangue e miséria se sucediam repetidamente enquanto um rádio baixo tocava uma música de Gabriel Pensador, Palavras perdidas.
Após chegar ao batalhão, arrumou-se e com olhar triste e baixo seguiu para aquele morro apenas vendo-se o igualmente arrependido olhar de seu companheiro. Ao saírem seguiram eles e o sujeito ainda assim fez questão de lhe chamar atenção para saber se estava com ele, e assim o fez. Caminhando ele logo viu molhar pelas primeiras gotas de água que desciam do céu em alta velocidade e de modo rapidamente crescente até que uma quase enxurrada se formou a seu redor. O parceiro dele agora com um olhar sombrio e intempestuoso parecia nutrir em seu íntimo orgulho de seus atos mesmo mediante o agradecimento de Daniel pelo auxílio, mas no fundo, no fundo parecia pouco se importar de estar cometendo os mesmo delitos que o criminoso que seqüestrara. Sabia perfeitamente Daniel que o grande male não eram as drogas, mas sim num curso sobre fatores culturais que a injustiça social provocava, dentre estes muitos como Mv Bill acreditou como ele mesmo disse que para ser alguém deveria ser bandido e essa mentalidade fatalista por meio de sobreviver à truculência fora da lei subsistiam tantos do qual Alessandro parecia nutrir com seus atos a justificar o ódio de alguns contra a polícia, já tão sofrível pelas condições terríveis.
Vendo-se assim não existia muita diferença entre bandidos e polícia, ambos cruéis, impiedosos, torturadores...
Mas Daniel era diferente não admitia ter seu rabo presos como rédeas de cavalo a ser domado por crimes e mãos molhadas, e ali naquele mesmo momento o chuva cerrou e o comércio fechando-se apenas ouviu um ruído baixo duma música do Legião Urbana num bar, Perfeição cujo sarcasmo se tornava perfeito a situação.
Quando em meio a chuva o primeiro tiro irrompeu varando em meio a chuva as gordas gotas de água que caiam em fartura do céu rapidamente a encher as ruas com pequenos riachos que se formavam em meio as ruas como se fossem seus leitos. Mais tiros se ouviram, mas sem se saber de que lado eram, um homem surgiu repentinamente diante de Daniel lhe apontando uma arma e disse.

- Onde está Alessandro? Queremos o Dedo!

Nisto Alessandro surgiu despreparado para a presença do jovem e vendo-se tal antes que pegasse a arma o sujeito lhe deu um tiro e o pegando pela farda lhe perguntou com severidade.
- Mostra onde está o Dedo pra nós soltar ele!

Nisto outro policial surgiu atrás e vendo tal, dois outros bandidos escondidos se revelaram começando um tiroteio, Daniel simplesmente se jogou para trás de um muro em meio a chuva, quando notou que logo acima uma forte corrente que descia do morro se acumulava na parede na frente de Alessandro.
Neste momento o torturador valentão do Alessandro afinou sua voz como se implorasse ao bandido revelando a posição do sujeito, num barraco logo abaixo. Um outro apontou a arma para Daniel o pedindo para levar até lá enquanto o tiroteio comia debaixo de chuva. Quando desceu, abriu a porta e viu-se Dedo amordaçado com as mãos amarradas atrás, nas costas. O sujeito o soltou mesmo vendo as marcas de pancadas sofridas por mero prazer de sadismo de Alessandro, e Dedo se levantou pegando uma arma que o sujeito tinha. Mas neste momento, quando tal pensou em apontar a arma pra Daniel para descarta-lo após ter servido seu propósito para eles, um estrondo soou acima, fazendo descer uma cascata de lama e tijolos morro abaixo carregando Alessandro e outro policial no caminho e indo em direção a eles.
Neste momento os três correm, mas não bastando a enxurrada pega o parceiro de Dedo o arremessando no penhasco sobre outras casas que começaram a ser arrastadas pelo desabamento. Pulando uma sacada, junto com Dedo caíram numa sala onde aquela jovem grávida havia surgido anteriormente. Ela agora diante dos dois, mostrou a arma ao ver Daniel fardado, mas Dedo colocando sua mão sobre a arma esta abaixou, recebendo apenas o aceno de Dedo para que desse tempo a ele de fugir.
Completamente enlameado a chuva se dispersou quando Daniel saiu em meio à lama, caminhando como se pouco se importasse com o tiroteio quando finalmente encontrou seu pelotão a espera enquanto bombeiros se formavam ao redor do recém desabado pedaço de morro. Daniel foi salvo por sua honestidade reconhecida mesmo por aqueles nem sempre tão honestos, mas certamente aquele foi seu último trabalho na polícia, de certo Daniel se retirou.
Mas um dia, como outro qualquer um homem misterioso, mas muito civilizado lhe abordou quando trabalhava numa pequena pousada em Ilha Grande, aberta por ele e sua mulher, como quem nada quisesse, o sujeito porém, logo lhe falou sobre sua vida como poucos sabiam. E lhe lançou um convite, generoso e repleto de boa fé.

- Você conhece a Abin?
Este conto é parte integrante do Livro 'Crossovers Tales' de Gerson Avillez
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