Vendo no blog do crítico Rubens Edwald Filho, a interessante postagem do saldo do cinema norte-americano neste ano que termina que incluí os filmes que trouxeram prejuízo a indústria americana no mundo excluíndo o filme Anônimo, The Big Year, The Rum Diary e Enigma do Outro mundo por serem inétidos aqui e deste modo não terem cumprido sua renda global.
- Marte precisa de Mães - Orçamento: $150 (sempre em dólares) Milhões, Renda Global $39M
- Sucker Punch - Orçamento: $82M; Renda Global: $89.8M
- Arthur, O Milionário Sedutor - Orçamento: $40M; Renda Global: $45.7M
- Lanterna Verde - Orçamento: $200M; Renda Global: $219.9M
- Cowboys & Aliens - Orçamento: $163M; Renda Global $178.8M
- Glee: The 3D Concert Movie - Orçamento: $9M; Renda Global : $18.7M
- Conan o Bárbaro -Orçamento: $90M; Renda Global: $48.8M
- Não sei como ela Consegue - Orçamento: $24M; Renda Global : $30.5M
- Assalto nas Alturas - Orçamento: $75M; Renda Global: $126.3M
- Happy Feet 2 - Orçamento: $135M; Renda Global: $115M
- Noite de Ano Novo- Orçamento 56 milhões, Renda Global $54.9 milhões.
BRAZUCA DE KIMONO
8 de janeiro de 2012
Poema dos Tempos
Poema presente na Caixa, no livro Sombras dos Tempos. Não obstante, aos que creem ser uma ilusão o que é o espaço então, ar, matéria ou vazio navegável?
Oh tempo, implacável e silencioso,
rei do universo a que tudo faz vibrar,
onipresente cria e corroí, a energia faz jorrar
é, era, e será,
fluí nem de onde nem para aonde
Quantos tempos há para o Tempo?
Quem pode conte-lo?
Cerra em suas mãos, Kairos!
Tempo, Mestre do universo
casado com o espaço, pai da matéria
bolha e onda confunde e não fluí?
O Tempo é anedonta sutil e cruel
http://gersonavillez.blogspot.com/
Oh tempo, implacável e silencioso,
rei do universo a que tudo faz vibrar,
onipresente cria e corroí, a energia faz jorrar
é, era, e será,
fluí nem de onde nem para aonde
Quantos tempos há para o Tempo?
Quem pode conte-lo?
Cerra em suas mãos, Kairos!
Tempo, Mestre do universo
casado com o espaço, pai da matéria
bolha e onda confunde e não fluí?
O Tempo é anedonta sutil e cruel
http://gersonavillez.blogspot.com/
4 de setembro de 2011
Conto: Enhanced Temporal Experience
Tunguska, 30 de junho de 1908
Os primeiros raios solares emergiam do horizonte junto ao canto dos pássaros diante do ar frio que eram das mediações da Sibéria. As árvores semelhantes as encontradas no Canadá e em clima equatorial demonstravam grande beleza mesmo presente ao clima de frio severo, nas mediações do lago Baikal que parecia como um espelho refletir as nuvens se tornando douradas no pacífico céu enquanto um servo surgia dentre as árvores para beber água criando ondulações.
Eram sete horas e quinze minutos quando porém, algo mais intenso que os raios solares refletiu nas águas límpidas do lado e apareceu a se tornar rapidamente em algo como um sol a cortar os céus como uma bola de fogo o rasgando parecia crescer fazendo com que o servo corresse rapidamente do local sem nada adiantar, o bólido literalmente explodiu criando uma onda de impacto equivalente a uma bomba de 14 megatons, muito mais forte mesmo que a bomba de Hiroshima destruindo 80 milhões de árvores em 2150 quilômetros quadrados com efeitos conseqüentes de abalos sísmicos de cinco graus na escala Richter. A bola de fogo cresceu nos céus tornando-o momentaneamente mais claro do que em qualquer momento do dia consumindo mesmo as sombras que pareciam definhar entre as árvores que se tornaram como carvão em poucos minutos em seu lastro mais próximo.
Assim que levantou ao perceber a intensidade daquela luz, o morador mais próximo, a muitos quilômetros dali ficou simplesmente paralisado diante daquela imagem quando a bola se dissipou. Porém, um forte vento veio a seguir arrastando e dobrando mesmo as árvores e o arremessando a metros de onde se encontrava de pé em frente a sua casa, dando-lhe tempo de apenas a seguir levantar sua cabeça a contemplar aquele estranho espetáculo.
Naquele mesmo momento porém, um homem que se tornou comum conhecido da T.E.M.P.U.S. realizava mais daqueles experimentos, desta vez na torre Wardenclyffe, enquanto seu amigo Robert Peary realizava expedição ao pólo norte. Nikola Tesla, estava treinando seu raio da morte que ao receber tal notícia da explodiu acreditou se tratar do resultado do mesmo.
Daquele lugar, no epicentro do impacto permanecia, porém, estranhamente algumas árvores de pé sem quaisquer galhos quando em seu solo algo estranho parecia haver, a lançar algum tipo de brilho estranho esverdeado enquanto o clarão agora dando lugar às cinzas e a fumaça parecia esconder algo como sombras a correrem pelo solo.
Zona Temporal Neutra de São Paulo
O monitoramento do tempo era sempre realizado de modo simultâneo em três tempos junto as outras ZT´s espalhadas em locais e períodos diferentes naquele tempo do Experimento de ressonância Temporal, quando porém, algo atípico foi detectado simultaneamente em dois tempos diferentes para os presentes da ZT de São Paulo, no Brasil em tempos do colonialismo primitivo ainda presentes. Sentado diante dos monitores cujas telas translúcidas pareciam transmitir dados em Tempo Tridimensional real - como preferiam referir-se - detectavam toda e qualquer ressonância e eco temporal em simultâneo no continuo, ou nem tão continuo...
- Sr.Labvin - chamou o operador ao ver o alarme soando. - creio termos uma anomia saltando na tela!
O homem que com um jaleco branco se levantou e cerrou a visão diante do monitor em seguida reclamando. - preciso fazer outra correção celular nas minhas vistas, acho que é esta resina que está envelhencedo.
Porém, com mais concentração ficou assustado perceber leituras comuns e típicas aos dois incidentes dando outro alarme em seguida, séculos atrás daquele periodo que se encontravam, na Antártida.
- O que que é isso? - exclamou ele - faça leituras mais detalhadas e chamem a equipe de apoio.
Entretanto uma interferência estática temporal surgiu rapidamente entre as estações impedido deles tentar compartilhar aqueles dados com as demais ZT´s.
- Sr.Labvin! Não vai acreditar no que temos aqui! - falou novamente o jovem quando outro adentravam a sala a passos largos.
- Prossiga! - falou Edmund Labvin, aquele homem com cabelos grisalhos e esbelto com certo charme.
- Os sinais são de asteróides com o mesmo tipo de assinatura como se viessem de um só lugar fragmentando, mas rompendo o tempo. E me parece conter exatamente as descrições das pedras que são colocadas em nossos visores de quantum!
- Não acredito nisto! - resmungou Labvin praticamente correndo de volta.
- Não obstante parece carregar os mesmos tipos de entidades de darktrons que a ZT de Londres identificou.
- Aquele Teogoras, estava certo! - resmungou novamente Labvin quando mais dos demais se inclinavam no lugar observando leituras enquanto comentavam-se entre si. - Vamos organizar uma equipe de campo para Tunguska, quero Adalberto Sekanina na equipe de pesquisas avançadas.
Aquele lugar era diferente do ambiente comum da ZT da Antártida após a destruição daquele mesmo lugar mesmo que equipamentos de tecnologias comuns a estes fossem os mesmos, porém, tendo muito mais funcionários Chronologos oriundos daquele períodos de espaço que das demais. E Adalberto Sekanina era um destes, o português vindo nas primeiras caravelas portuguesas mal sabia dos segredos que iria desvendar nos subterrâneos daquele lugar enquanto toda uma cidade crescia na superfície, como se encima ou embaixo importasse se não passado e futuro. Labvin seguiu saindo da sala a passos largos pelo corredor de paredes brancas enquanto outros iam a sentido oposto para sala de onde vinham, quando uma mulher passou por ele lhe parando dizendo.
- Sr.Labvin, creio que acabamos de descobrir o que nos permite viajar no tempo? Como é possível?
- Ainda não sabemos Michele, porém, se estiver interessada em seu primeiro passeio de campo...
- O senhor está organizando uma equipe para o local de impacto? - perguntou a jovem entusiasmada.
- Apenas dentro de 30 minutos esteja na sala de conferências. - responde Labvin saindo quase lhe dando as costas mesmo com o largo sorriso que a morena lhe deu ao saber.
Entretanto ao resolver ir ao banheiro algum ruído lhe chamou a atenção, pensando se tratar de algum Chronologo aspirante que estava se engalfinhando com alguma cadete pelos cantos durante a folga ele fechou sua calça indo em direção ao local onde o material de limpeza se encontrava quando a luz se acendeu com sua presença, suave. Porém, o que este viu lhe deixou confuso e perplexo o fazendo quase gritar por socorro.
- Não grite! - falou a voz de um homem que parecia ter saído de lugar algum se não através das paredes com algum tipo de armadura dourada.
- Recebi instruções para encontrar o líder deste local, como vocês chamam Zona Temporal Neutra. Tenho pouco tempo, se não a pretensa de evocar o Protocolo 37 sob o mando de Apocon Keysotne.
Nisso o alarme de intrusão rapidamente soou no local demonstrando que identificaram algum tipo de sinal atípico no lugar, algo que rompeu a barreira temporal ondular e naturalmente torcendo o quantum.
- É sobre o impacto dos asteróides, estamos os catalogando de Nibiru, um planeta antes do surgimento da Terra de onde vem vossas pedras. Vocês não eram para ter detectado tais entradas atmosféricas, mas creio estarem lidando com algo maior, uma entidade bio-quântica extremamente poderosa.
- O que você quer que façamos? Chame a polícia? a CEET? Se souberem vão me dar ponta pé no traseiro! Você não poderia ter invadido deste modo!
- Há muito mais em jogo do que legislações administrativas! - falou o estranho viajante. – selecione a equipe evocando o Protocolo 37, do qual somente estes farão os relatos que vos encontro no sítio do epicentro em Tunguska, o local e tempo do evento para passar-lhe mais informações.
- Onde exatamente neste local? - falou Labvin nervoso olhando para trás.
- Onde não importa, mais sim quando. Eu te encontrarei!
Ao falar isto, o sujeito virou-se e em seguida acionou algo em seu braço luzindo o fazendo ser bilocados apenas deixando residuais reflexivas, pouco mais que sombras, quando abriram a porta do lugar.
- Sr.Labvin! Como o senhor está! Detectamos aberrações quântico-temporais no lugar! Algo transpassou! - falou Michele com um leitor de quantum em mãos detectando as residuais por onde aquele homem saiu.
Porém, Labvin referiu-se que apenas havia notado algum tipo de flutuação atípica talvez proporcionada pelo campo de isolamento quântico local como uma bolha demonstrando falha, porém, não convenceu os ali presentes quanto mais ao verem que o rastro temporal indicava locomoção ao periodo do evento de Tunguska, como se aquele estranho já tivesse indo a encalço deles antes mesmo de partir.
Porém, Labvin insistiu no nível emergencial da missão imediatamente solicitando o Protocolo 37 de sigilo científico dizendo ter recebido tal notificação pessoal do próprio Apocon, o mentor de toda a T.E.M.P.U.S. e assim foram para a sala de conferência os nomes solicitados.
Edwand Sekanina, era um descendente estrangeiro que se tornou precursor no futuro de estudos de extremófilos sugerindo outras variáveis de formas de vida por componentes pouco conhecidos fora o carbono e a água normalmente ligados a eventos cósmicos como asteróides e um dos descobridores das propriedades incomuns das pedras do Alasca. Como biólogo e geólogo, disciplinas comuns destes no avanço da exobiologia se tornou chave, porém, dos estudos de entidades extratemporais e sua posição relação com tais pedras que agora souberam não se tratar de comuns ao sítio do Alasca.
Quando Sekanina, Labvin e Michele Stoneset se encontravam na sala de conferências a presença de Julio Machado foi requerida como auxiliar de segurança por temores de Labvin pelo viajante misterioso para então finalmente Labvin relatar os acontecimentos de discrepância ocorridos naquele local sob o mando do Protocolo 37. Naturalmente houveram discussões sob em seguir as orientações de tal viajante sem sabe-lo por fatos quem era. Mas temendo a procedência e as implicações ficaram de acordo mediante relatos em continuo por códigos criptográficos quânticamente para a T.E.M.P.U.S. caso algo lhes ocorresse.
Trajando roupas simples com macacões pretos seguiram a sala de embarque tendo seus acessórios rotineiros e o pessoal da base recebendo apenas a instrução de salvarem os registros criptografados recebidos sem tentar abri-los sob o pedido do dito 37, e assim seguiram pelo wormhole aberto e estabilizados as coodernadas para o local do evento de Tunguska, 8 horas após o incidente como os rastros deixados pelo viajante estranho.
Ao surgirem no local completamente devastado do fim de tarde, porém, por estar encoberto de uma espessa nevoa provocada pela fuligem e fumaça esbranquiçada pouco conseguiam enxergar e perceberam ainda que muitas das árvores ainda se encontravam com seus troncos em brasa pela súbita explosão. Não demorou muito a perceberem leituras do mesmo material utilizados por eles em seu visor a poucos metros a adiante e imediatamente para tal ponto chegaram quando notaram um vulto em meio a nevoa.
Temendo que fosse algumas daquelas entidades Labvin fez leituras apontando seu visor percebendo não o eram se não o estranho viajante que havia acabado de chegar naquele instante.
- Congratulações Labvin e vossa equipe por seguir minhas instruções, percebo que se anteciparam. Perdoe-me o modo de abordagem, meu nome é Zeh-hu-Kahn, imperionautas de, ao vosso ver, ressoantes.
- Por tanto agora nos diga o que há neste lugar! - exclamou Edmund Labvin lhe apontando os visores - Todos os dados monitorados tem sido passados diretamente a TEMPUS de modo criptografado, se for alguma cilada saberão.
- Certamente que o não, se o fosse não estaríamos nem nos falando. - ressaltou Zeh-hu-Kahn cruzando os braços.
Realmente a tecnologia para aqueles parecia ser muito mais avançada que o comum gerando algum tipo de campo que facilitasse muito mais a locomoção temporal que o de hábito sem a necessidade de todo um anteparo de localização, orientação e estabilização na rede de wormholes. Porém, nisto interrompeu Sekanina os fazendo olharem para ele que se encontrava agachado sobre uma das pedras cujo brilho era oscilante.
- Incrível a leitura destas pedras, sãos exatamente as mesmas que a nossa! Como é possível o mesmo material colidir com a terra em períodos diferentes?
- Certamente tal vem de Nibiru, terra natal de algumas das entidades bio-quânticas que investigam, estas criaram a explosão, certamente não estamos sozinhos aqui. - falou Zeh-hu-Kahn olhando ao redor e fazendo leituras. - Percebo que somente a jovem entre vocês é a Seth do grupo.
- Como conseguem registrar isso em vosso equipamento? - indagou Labvin de modo curioso - aparentemente não há nada indistinto nestes para conseguir se registrar tal a nível quântico. Ela é uma novata na TEMPUS, recém formada.
- Sutilezas que não descobriram meus caros irmãos temponautas, e de igual modo posso determinar para onde alguns dos extraterrenos aqui presentes se locomoveram pelo espaço e tempo. Tinham de ter trazido alguns Seth mais instruídos.
- Não falem de mim como se não tivesse presente! - reclamou Michele - o fato de ter entrado a pouco não faz de mim inferior.
- Abundans cautela non nocet - falou Zeh-hu-Kahn - Naturalmente que não, porém o caso é por demais severo para maiores explicações, estas entidades se dispersam rápido pelo tempo quando livres.
- Sabemos que poucos danos podem fazer diretamente se não por reação. - ressaltou Edwand Sekanina com uma das pedras em mãos e colocando dentro de um anteparo - atual apenas sobre a caótica induzindo acidentes.
- O azar do mundo - completou Michele. - Porque temos de recolher este material em sigilo para nossa própria gente?
- Porque assim consta-se na linha temporal favorável a Apocon. - Zeh-hu-Kahn.
- Não compreendo. - falou Edmund Labvin
- As sombras de Apocon, são as sobras flutuantes do Tempo, a anomia que tenta anular sua existência em suas sementes, fazendo parte deste evento que liberou entidades sombrias. Chronos está livre, você estão lidando com entidade mais poderosa que toda vossa tecnologia.
Naquele momento porém, Julio Machado gritou por eles estando a poucos metros dali onde as leituras eram mais precisas a procura de quaisquer alterações atípicas. Todos eles viraram-se em direção a este quando seu vulto se tornou visível até o próprio ter a fisionomia reconhecível em meio a nevoa.
- Senhor, leituras atípicas em movimento, parece seguir algum padrão inteligente! - relatou Julio com uma arma em mãos.
- Como disse temos companhia, porém, não parem de colher todo material extratemporal, contenho tais por algum tempo. - falou Zeh-hu-Kahn acenando para Julio - venha comigo!
Rapidamente Edmund Labvin começou a percorrem o local inicialmente colhendo os fragmentos do asteróide a vista deles e posteriormente pelo registro de localização do visor de quantum que naturalmente não era uma mera pulseira de adorno a vaidade.
Quando estes acreditavam estar chegando ao fim da busca de coleta de todo material ruído de tiros diferentes do de Julio soaram pela nevoa entre os troncos de árvores sem poderem ver o que ocorria no local, Edmund acreditou se tratar da arma de Zeh-hu-Kahn em vista que a de Julio era um inibidor de consciência podendo lançar tiros proporcionais de partículas positivas que enfraquecessem entidades de antimatéria.
Não demorou todavia que as dúvidas de Michele, Edmund e Edwald fossem destituídas quando viram surgir da nevoa tanto Julio quanto Zeh-hu-Kahn surgirem correndo desviando-se dos troncos ainda em brasa.
- São muitos! e estão vindo de todos os lados, vamos temos pouco tempo! - falou Zeh-hu-Kahn.
Temerem então profundamente aqueles seres malévolos como se transpirassem o vazio existencial do qual parecia se alimentar convertendo matéria em antimatéria as tragando não tão diferente de um buraco negro a sugar tudo a sua volta. Edmund fechou então caixa com as pedras para que aqueles monstruosos seres não os devorassem e partiram sob o escoro de Zeh-hu-Kahn que em seguida desapareceu os lembrando do que tinham se comprometido.
Ao retornarem na sala de bilocação temporal foram indagados pelo pessoal de base sobre o que tinha ocorrido no local e o que tinham naturalmente recolhido no campo. Porém, foram prontamente não respondidos por Edmund alegando o Protocolo 37. Ao escrever o relatório pensou imediatamente em contatar Apocon Keystone e assim o fez quando lhe perguntou sobre a natureza do incidente e tendo por negativa o fato de seu completo desconhecimento sobre o caso.
- Não faço idéia de que seja este Zeh-hu-Kahn, porém realmente fora estranhos os sinais destes incidentes, mantenha o Protocolo 37 sobre o caso.
- pediu Apocon interessado e mesmo cogitando visitar aquela ZT para acompanhar de perto as investigações do incidente pela equipe seleta.
- Assim que retornei a base houve outra manifestação de impacto atípico nas mediações do litoral do Alasca, no século VII, estamos perplexos e nossos funcionários pedem respostas senhor! - falou Edmund
- A Tempus surgiu como um experimento sobre as teóricas do tempo ondular a pesquisar sobre as ressoantes temporais a explicar diversos fenômenos até então inexplicáveis como alguns tipos de alucinações, previsões proféticas e mesmo alguns casos de fantasmas como residuais temporais, a matéria espelhada espacial. Entretanto ganhou maior ampliação de abrangência com descobertas não previstas e mesmo agora este como você disse ser imperionautas que pode perfeitamente ser ressoante como casos anteriores demonstram. - falou Apocon bastante calmo para Edmund - Lidamos basicamente com a analise da natureza do Tempo e sua interação com o universo, sendo muito mais essencial que se pensava anteriormente pela física clássica, porém, assim como se amplia a percepção e consciências humanas a outro nível de nossos funcionários o mesmo está incumbido para nós podendo ter eventuais interações extratemporais entre nós mesmos justificando a essencialidade do Protocolo 37.
- Realmente não vi nada parecido com isto! - retrucou Edmund - tente conter a CEET, pois realmente não sei como proceder com a papelada com este caso.
- Estarei investigando e retornarei a ti. Confio em sua capacidade de improvisar, desligando.
Apocon desligou seu contato com o futuro tão repentinamente que pareceu mesmo nada ter sanado de dúvidas tendo-se em vista que este jamais ouvira falar do tal imperionautas sei lá das quantas. Entretanto naquele momento adentrou na sala Julio Machado e Michele lhe solicitando permissão para descanso, por stress mental.
- Senhor a natureza do incidente parece realmente ter deixando não somente eu, mas Michele confusos em relação a estes paradoxos. Não sabemos como prosseguir com os relatórios até porque o Protocolo 37 não parece ser tão abrangentes administrativamente, todos estão curiosos e estamos sendo pressionados. O incidente parece algo sem proporção ao contrário do que nos foi ensinado. - falou Julio em quase desabafo.
- Olhe-se no espelho não vendo a si próprio se não como seus próprios atos como se fosse contra ti mesmo para saberes quem és pelo que deseja deste modo. É exatamente deste modo que os fenômenos temporais ondulares ocorrem a consciência não é tão diferente, pois ela apenas reflete. - sugeriu Edmund e lhes concedendo permissão para o restante do dia de folga.
Ao se dirigirem a seus aposentos Michele com seus cabelos castanhos encaracolados tomou um banho tentando se desligar do caso e começando a ver as notícias e "novidades" de quando veio - meados do século XXI - pegou no sono adormecendo quando teve um sonho.
Parecia estar apenas com as roupas leves de linho sobre seu corpo com sua pele fina e sem quaisquer marcas quando em seu tempo parecia estar ao lado de seu então marido indo à frente do espelho para se observar. Notou ela porém que seu reflexo não parecia comum, simetricamente oposto, mas como se estivesse no lado invertido a sua frente o que a deixou tonta quando quase bateu de cabeça no espelho e seu marido Igor Fortes lhe segurou.
- Não vá quebrar o espelho viu? São sete anos de azar! Não tem ainda tantos meses para começar a desmaiar. - falou o homem a fazendo perceber que estava grávida.
Diante daquilo ela despertou assustada enquanto a tela translúcida da TV passava um seriado de seu tempo 'O homem que não sabia dançar', ela tentou se recobrar ajeitando o travesseiro habitual, mas ao lembrar que estava grávida quando a tentaram mata-la começou a chorar.
Pela manhã, Michele procurou o psicólogo local que resolveu pedir para que lhe passasse relatórios detalhados de seus sonhos por temer sofrer princípio de narcose temporal, tendo inclusive monitoramento das ondas cerebrais noturnas.
Ao seguir para o comando local Edmund estava debruçado sobre gráficos de analises dos incidentes fazendo registros de proveniência comum dos asteróides num completo trabalho do que chamam por Cronografia que os levavam a conclusão comum de que aquele viajante estranho realmente estava certo sobre a procedência das pedras, algum lugar anterior a Terra.
O que os deixaram, porém intrigados não foram à conclusão tirada por dados capitalizados de Cronografia pelos rastros de trajetória espaço-temporal dos bólidos em seus diversos graus e tamanhos, se não a presença incomum do que aparentava ser algum outro viajante cujos sinais se diferenciavam daquele chinês que lhes encontraram e mesmo os antecipavam no sítio de Tunguska.
- Como não fomos capazes de detectar antes? - retrucou Edmundo com as mãos na mesa.
- Os sinais são muito sutis e difusos não parece ser por meio de tecnologia comum a nossa. - falou o operador.
- Como a do chinês?
- Não, parece algo de residual comum similar a fenômenos naturais, porém, deixando no lastro o sinal humano.
- Talvez seja tais entidades bio-quanticas afinal o viajante disse que estes tinha transpassado o tempo - sugeriu Edwald
- O tem do sítio é 3:53 minutos após o incidente, condições ainda bastante abióticas para um humano no epicentro não acham? - respondeu perguntando Edmund.
- Talvez mandemos a mesma equipe ao local sob o respaldo do Protocolo 37. As vezes podem ser leituras difusas e por isso mesmo quem sabe algum sobrevivente?
- Os oriundos temporais não podem vê-los, as conseqüentes vocês conhecem. - respondeu Edmund concordando e aparentemente dizendo que não estaria presente na missão desta vez.
Ao saírem da sala Michele entregou o atestado que porém, ela disse estar em condições aptas para serviços de campo, sendo apenas avaliações pisco-temporais, observação por temer-se estar com princípios da Narcose Temporal, e mesmo tendo-se em vista que sendo mulher era comum o pessoal da T.E.M.P.U.S. tomar maiores cuidados, vendo-se que normalmente as condições de trabalho não eram apenas remunerados se não psicologicamente com muitas folgas mediante o stress proporcionado pelo serviço. Porém, Edmund aceitou que esta fosse para o campo novamente. Foi neste momento que surgiu Julio Machado falando para Michele em tom descontraído.
- O que é o que? Está sempre está passando e nunca acaba de passar?
- O tempo, sem sombra de dúvidas! - respondeu ela como se pouco surpreendida estivesse.
- Porque pessoas inteligentes sempre têm o dom de tirar a graça das minhas piadas? - resmungou ele.
Ao receber porém, a noticia que estaria no próximo grupo de campo, Julio que era conhecido pelo bom humor mesmo sendo responsável pela segurança foi com Michele até a sala de brienfing enquanto conversavam pelos corredores sempre movimentados mesmo que aquela ZT fosse menor que a de Londres e mesmo a dos Estado Unidos antes da colonização inglesa.
- Não se há motivo para se mistificar como os primitivos do passado. Tais presunções apenas levaram ao preconceito e as maiores atrocidades que a humanidade passou. Havia certo animal que mesmo quase fora extinto por considerarem que trazia azar. Essa coisa de espelhos de seu sonho, pode ter sido apenas algo psicológico de seu subconsciente por tanto estudar sobre isto. - responde Julio ao ter o sonho dela contado para ele.
Ao entrar na sala somente Edwald Sekanina estava presente do comando, e o briefing curto, por não ser nada complexo seria apenas tentar procurar maiores leituras daquela presença aparamente atípica no local.
- Apesar de estarmos nesta missão sob o mando do Protocolo de Sigilo Científico, o 37, temos trocado informações sobre estes incidentes com as demais ZT´s que nos forneceram dados não somente para poder se determinar a localização de origem dos asteróides porém estranhas relações entre si que infelizmente não pudemos compartilhar em retorno com estes. - falou Edwald sob uma mesa enquanto na tela os gráficos eram exibidos. - Recentemente a Zona Temporal Neutra de Londres teve um estranho incidente de flutuação temporal que levou um certo agente chamado John Octavios a interagir com Nikola Tesla. O interessante é que o mesmo, considera-se responsável pelo incidente de Tunguska enquanto descobrimos que algumas leituras mentais dele demonstram alteração em seu lóbulo temporal a justificar o porque de estranhos sonhos premonitórios e mesmo de tecnologia. Não sabemos o que há de em comum destes casos entre si, porém, estamos investigando. No momento, porém, vocês terão de apenas monitorar o sítio a procura destas assinaturas que vocês vêem no tempográfico. - parou ele mostrando na tela translúcida que mudou. - Perguntas?
- Não senhor. - respondeu Julio com o consentimento de Michele.
Ao embarcarem Michele confessou para Julio que sentia-se nervosa talvez por ser novata e que a última missão simplesmente a bilocação não foi das mais agradáveis. Nada que não se acostumassem com a experiência requerida para seus cargos, disse enfaticamente Julio Machado.
Ao surgirem lá, notaram o mesmo cenário desolado ainda em chamas. Fumaça por todos os lados e troncos caídos parecia não dar margem para qualquer forma de vida subsistir por longo periodo no local, porém, as leituras pareciam ser claras e nítidas ali mesmo com a interferência das pedras: algum humano cujos sinais biométricos conseguiram mesmo identificar seu sexo como masculino a estar naquele sítio a exatos 13 minutos e 53 segundos. Seguiram em direção ao sinal cujo rastro parecia evidentemente ser rastreado por travessia do futuro, 11 de setembro de 2001, direto de Nova York, aparentemente no local e tempo dos atentados do World Trade Center.
- Alguém sabe dizer se Osama Bin Ladden tenha acesso à tecnologia temporal? - perguntou Julio claramente confuso. - Talvez os pilotos terroristas tenham se transportado no momento da colisão! - concluiu ele rindo em tom de sarcasmo.
Porém, naquele momento eles viram algo se mover entre as nuvens de fumaça espessa como um vulto que sentiu a presença deles. Naquele momento Edwald acenou com a cabeça para Julio partir a seu encalço apontando as armas mentais quando tal se vendo encurralado levantou as mãos com sinal de rendição. Era o filho de Designnium que porém, não faziam idéia de quem fosse.
- Não atirem! Foi isso que restou do WTC? Não sei o que ocorreu, estava naquele lugar quando repentinamente aparecia aqui.
Aquele papo realmente não convenceu Julio nem ninguém presente, principalmente porque tal arma mental não somente era capaz de fazer estes emergirem num coma como fazer leituras emocionais e perceberam se tratar e provável mentira, e o fundamental, parecia estar colhendo pedras do sítio. O que fez com que Julio pedisse para que imediatamente as largassem, visivelmente aquele sujeito estava se fantasiado de vítima dos atentados como alguns religiosos no século XXI se travestiam de viajantes temporais para justificar seus atos, digamos, pouco condizente com as legislações temporais da T.E.M.P.U.S., se falar na recém conhecida deles a Bug´s Time cujas características comuns eram aquelas personalidades pouco sociáveis e repletas de preconceito.
Todavia aquele homem não tinha qualquer aparato tecnológico em mãos o que parecia dar alguma veracidade o que ele dizia, e vendo a condição do local não viram outra alternativa se não move-lo para a ZT deles onde o interrogariam e tentariam localizar realmente de quem tempo era oriundo. O homem surgiu na sala de transporte demonstrando o típico sinal de atordoamento sob os olhares de Edmund. Porém, estes logo se recobrou a observar tudo ao entorno, da tecnologia as pessoas e mesmo num breve momento o viram parado diante de um mapa da ZT, quando foi interrompido.
- Precisamos fazer alguns exames e lhes indagar algumas coisas pertinente ao caso. Normalmente apenas recrutamos pessoas com talentos e capacidades próprias a natureza de nosso projeto e experimento, sendo pessoas que na linha temporal comum teriam morrido por sabotagem ou acidente. Este é o primeiro caso do tipo, porém. – falou Edmund. – Comecemos por seu nome.
- Sim, perfeitamente, meu nome é Saul Astrix. – respondeu com certa hesitação a Edmund.
- O que fazia na Torre Norte do World Trade Center? Trabalho? – indagou Edmund ao lado de Michele que tinha recebido treinamento em interrogatórios sob monitoração sem saber para que não ficasse nervoso.
- Era corretor de seguros itinerante. Porque?
Eles sentiram a hesitação do sujeito em responder, pois sabia que certamente todos os dados estaria sendo analisados na linha temporal onde se dizia vir, a procura de registros que demonstrasse que realmente tal homem existia naquele tempo.
- Sou da FedEX seguros, repartição da empresa de entregas.
- Talvez o senhor tenha então confundido as pedras como mercadorias de entrega? – indagou Edmund que apesar do sarcasmo aparente foi feito de modo sério.
- Apenas achei bonito o brilho delas. – falou Saul
- Para alguém deslocado temporal parecia estar bastante confortável. – falou Michele – Talvez queria nos revelar algo, pois como se sabe temos aparatos que analisam mesmo assinaturas temporais genética, por demonstrações de paralelo em mutações recentes com as antigas, e note que interessante que acabamos de receber, seus genes parece ser tão antigo mesmo que com misturas mais recentes, tem algo a dizer sobre isto?
- Tendo-se em vista que a natureza deste encontro não inclui advogados, afinal desconheço qual crime cometi, não saberia nem o que dizer!
- Talvez você esteja aqui para nos estudar deliberadamente, como os bugmans sob a pretensa de nos sabotar e naturalmente nos usurpar. – falou Edmund.
- Quem são estes Bugmans? Algum tipo de inseto humanóide? Tudo isso é estranho para mim gente, é sério – respondeu ele, porém, com claro sinal de mentira.
Naquele momento Edmund Labvin respirou fundo e olhou para Michele em meio ao silêncio deixado pela resposta dele ao verem o sinal de leitura mental. O que os fizeram verdadeiramente o colocar na sala de quarentena até decidirem o que fazer com aquele provável falsário.
Como observavam eles nas pesquisas de ressonâncias temporais, as discrepâncias interagentes mentalmente nunca resultavam em efeitos de consciências sobrepostas ou de conhecimentos que literalmente saltavam temporalmente ao passado sem seu 'mentor', os casos eram das chamadas profecias sempre em tom defensivo com se fosse algum reflexo instinto de mentes mais evoluídas assim por dizer. Passaram-se então dois dias após este, e todo o tipo de baterias de exames genéticos e de assinatura quântica foram realizados a constatarem não se tratar daquele quem dizia, afinal nem ao menos registros temporais foram encontrados no tempo oriundo em que disse este, desconhecendo qualquer Saul em repartição de seguros da FedEx, crendo ser algum replicante que fora mandado para estudados, quando determinaram estar em mãos um caso mais complexo do que imaginara e mesmo que o Protocolo de Sigilo Cientifico concebe-se perante o conhecimento em voga deles que nem mesmo Apocon sobre o mando do mesmo conseguia compreender pedindo o arquivamento até que maiores fatos viessem. Entretanto, subitamente algum alarme soou no local a perceberem se tratar do literal rompimento do isolamento bioquântico do local simplesmente os fazendo entrar me pânico temendo se tratar de algum tipo de assalto. Porém, Edmundo notou que tal vinha da sala de quarentena solicitando toda segurança ao local, e quando lá chegaram Edmund e Michele viram algo dos mais estranhos como se todo o lugar estivesse oscilante como água em sua imagem e viram então Saul desaparecer diante de seus olhos diante de algo que tomava contornos estranhos e humanóides que se virou para eles dizendo.
- Setres, morram!
O alarme ressoava por todo lugar e pareciam saltar em diversos pontos simplesmente fazendo-se ter leituras estranhas em diversos tempos, em especifico dos sítios onde foram atingidos pelos impactos do asteróide.
- O que é isto? Aparentemente algum tipo de força parece agir quase que simultaneamente em vários pontos do tempo! - falou Edwald quase em pânico.
- Provavelmente é Chronos - como disse Edmund.
Nisso notaram a interação de tal provocou flutuações mesmo na ZT de Londres, sendo registrada por eles como anomia em 1876 e fazendo algumas pessoas desaparecerem da superfície.
- Relatório imediato! Nome dos pessoas atingidas pela discrepância temporal, e a integridade de nossa ZT.
- É estranho senhor, aparentemente é como se tivéssemos sido deslocados do tempo original e perdemos contato com as demais ZT´s a algum tipo de linha oscilante, talvez ressoante. - falou Julio perplexo.
- Entre os nomes temos alguns de 1876, senhor.
- Fale.
- Rudolf Fentz, que aparentemente foi bilocado para 1939, porém, temos bloqueios como se... - Edwald interrompeu estranhamente - como se não estivéssemos no tempo onde estávamos.
Enquanto isso no local e tempo onde se encontrava a ZT do Brasil, simplesmente um enorme vácuo existencial deu lugar a um imenso salão vazio tento apenas dois relógios convencionais utilizados como enfeite que haviam desaparecido de dentro do lugar deles, enquanto em meio a Big Apple de 1939 em Nova York um certo Rudolf Fentz saiu perplexo e confuso as ruas quando fora atropelado de súbito por um táxi. A ZT do Brasil da T.E.M.P.U.S. parou em algum lugar que os mesmos desconheciam dando-se a impressão de mesmo estar sendo invadida, quando ao saírem na superfície daquele local sem saberem ainda onde estavam Michele notou um floco de neve cair suavemente até a palma de sua mão que ao próximo revelava fractais cada qual tão original que jamais se repetiam, porém, aquele parecia formar sinal muito familiar a eles, a de uma estrela de oito pontos como quase identicamente a flor do tempo chinesa do Império do Tempo.
Gerson Machado de Avillez – 2011 ® - Todos Direitos Reservados
Os primeiros raios solares emergiam do horizonte junto ao canto dos pássaros diante do ar frio que eram das mediações da Sibéria. As árvores semelhantes as encontradas no Canadá e em clima equatorial demonstravam grande beleza mesmo presente ao clima de frio severo, nas mediações do lago Baikal que parecia como um espelho refletir as nuvens se tornando douradas no pacífico céu enquanto um servo surgia dentre as árvores para beber água criando ondulações.
Eram sete horas e quinze minutos quando porém, algo mais intenso que os raios solares refletiu nas águas límpidas do lado e apareceu a se tornar rapidamente em algo como um sol a cortar os céus como uma bola de fogo o rasgando parecia crescer fazendo com que o servo corresse rapidamente do local sem nada adiantar, o bólido literalmente explodiu criando uma onda de impacto equivalente a uma bomba de 14 megatons, muito mais forte mesmo que a bomba de Hiroshima destruindo 80 milhões de árvores em 2150 quilômetros quadrados com efeitos conseqüentes de abalos sísmicos de cinco graus na escala Richter. A bola de fogo cresceu nos céus tornando-o momentaneamente mais claro do que em qualquer momento do dia consumindo mesmo as sombras que pareciam definhar entre as árvores que se tornaram como carvão em poucos minutos em seu lastro mais próximo.
Assim que levantou ao perceber a intensidade daquela luz, o morador mais próximo, a muitos quilômetros dali ficou simplesmente paralisado diante daquela imagem quando a bola se dissipou. Porém, um forte vento veio a seguir arrastando e dobrando mesmo as árvores e o arremessando a metros de onde se encontrava de pé em frente a sua casa, dando-lhe tempo de apenas a seguir levantar sua cabeça a contemplar aquele estranho espetáculo.
Naquele mesmo momento porém, um homem que se tornou comum conhecido da T.E.M.P.U.S. realizava mais daqueles experimentos, desta vez na torre Wardenclyffe, enquanto seu amigo Robert Peary realizava expedição ao pólo norte. Nikola Tesla, estava treinando seu raio da morte que ao receber tal notícia da explodiu acreditou se tratar do resultado do mesmo.
Daquele lugar, no epicentro do impacto permanecia, porém, estranhamente algumas árvores de pé sem quaisquer galhos quando em seu solo algo estranho parecia haver, a lançar algum tipo de brilho estranho esverdeado enquanto o clarão agora dando lugar às cinzas e a fumaça parecia esconder algo como sombras a correrem pelo solo.
Zona Temporal Neutra de São Paulo
O monitoramento do tempo era sempre realizado de modo simultâneo em três tempos junto as outras ZT´s espalhadas em locais e períodos diferentes naquele tempo do Experimento de ressonância Temporal, quando porém, algo atípico foi detectado simultaneamente em dois tempos diferentes para os presentes da ZT de São Paulo, no Brasil em tempos do colonialismo primitivo ainda presentes. Sentado diante dos monitores cujas telas translúcidas pareciam transmitir dados em Tempo Tridimensional real - como preferiam referir-se - detectavam toda e qualquer ressonância e eco temporal em simultâneo no continuo, ou nem tão continuo...
- Sr.Labvin - chamou o operador ao ver o alarme soando. - creio termos uma anomia saltando na tela!
O homem que com um jaleco branco se levantou e cerrou a visão diante do monitor em seguida reclamando. - preciso fazer outra correção celular nas minhas vistas, acho que é esta resina que está envelhencedo.
Porém, com mais concentração ficou assustado perceber leituras comuns e típicas aos dois incidentes dando outro alarme em seguida, séculos atrás daquele periodo que se encontravam, na Antártida.
- O que que é isso? - exclamou ele - faça leituras mais detalhadas e chamem a equipe de apoio.
Entretanto uma interferência estática temporal surgiu rapidamente entre as estações impedido deles tentar compartilhar aqueles dados com as demais ZT´s.
- Sr.Labvin! Não vai acreditar no que temos aqui! - falou novamente o jovem quando outro adentravam a sala a passos largos.
- Prossiga! - falou Edmund Labvin, aquele homem com cabelos grisalhos e esbelto com certo charme.
- Os sinais são de asteróides com o mesmo tipo de assinatura como se viessem de um só lugar fragmentando, mas rompendo o tempo. E me parece conter exatamente as descrições das pedras que são colocadas em nossos visores de quantum!
- Não acredito nisto! - resmungou Labvin praticamente correndo de volta.
- Não obstante parece carregar os mesmos tipos de entidades de darktrons que a ZT de Londres identificou.
- Aquele Teogoras, estava certo! - resmungou novamente Labvin quando mais dos demais se inclinavam no lugar observando leituras enquanto comentavam-se entre si. - Vamos organizar uma equipe de campo para Tunguska, quero Adalberto Sekanina na equipe de pesquisas avançadas.
Aquele lugar era diferente do ambiente comum da ZT da Antártida após a destruição daquele mesmo lugar mesmo que equipamentos de tecnologias comuns a estes fossem os mesmos, porém, tendo muito mais funcionários Chronologos oriundos daquele períodos de espaço que das demais. E Adalberto Sekanina era um destes, o português vindo nas primeiras caravelas portuguesas mal sabia dos segredos que iria desvendar nos subterrâneos daquele lugar enquanto toda uma cidade crescia na superfície, como se encima ou embaixo importasse se não passado e futuro. Labvin seguiu saindo da sala a passos largos pelo corredor de paredes brancas enquanto outros iam a sentido oposto para sala de onde vinham, quando uma mulher passou por ele lhe parando dizendo.
- Sr.Labvin, creio que acabamos de descobrir o que nos permite viajar no tempo? Como é possível?
- Ainda não sabemos Michele, porém, se estiver interessada em seu primeiro passeio de campo...
- O senhor está organizando uma equipe para o local de impacto? - perguntou a jovem entusiasmada.
- Apenas dentro de 30 minutos esteja na sala de conferências. - responde Labvin saindo quase lhe dando as costas mesmo com o largo sorriso que a morena lhe deu ao saber.
Entretanto ao resolver ir ao banheiro algum ruído lhe chamou a atenção, pensando se tratar de algum Chronologo aspirante que estava se engalfinhando com alguma cadete pelos cantos durante a folga ele fechou sua calça indo em direção ao local onde o material de limpeza se encontrava quando a luz se acendeu com sua presença, suave. Porém, o que este viu lhe deixou confuso e perplexo o fazendo quase gritar por socorro.
- Não grite! - falou a voz de um homem que parecia ter saído de lugar algum se não através das paredes com algum tipo de armadura dourada.
- Recebi instruções para encontrar o líder deste local, como vocês chamam Zona Temporal Neutra. Tenho pouco tempo, se não a pretensa de evocar o Protocolo 37 sob o mando de Apocon Keysotne.
Nisso o alarme de intrusão rapidamente soou no local demonstrando que identificaram algum tipo de sinal atípico no lugar, algo que rompeu a barreira temporal ondular e naturalmente torcendo o quantum.
- É sobre o impacto dos asteróides, estamos os catalogando de Nibiru, um planeta antes do surgimento da Terra de onde vem vossas pedras. Vocês não eram para ter detectado tais entradas atmosféricas, mas creio estarem lidando com algo maior, uma entidade bio-quântica extremamente poderosa.
- O que você quer que façamos? Chame a polícia? a CEET? Se souberem vão me dar ponta pé no traseiro! Você não poderia ter invadido deste modo!
- Há muito mais em jogo do que legislações administrativas! - falou o estranho viajante. – selecione a equipe evocando o Protocolo 37, do qual somente estes farão os relatos que vos encontro no sítio do epicentro em Tunguska, o local e tempo do evento para passar-lhe mais informações.
- Onde exatamente neste local? - falou Labvin nervoso olhando para trás.
- Onde não importa, mais sim quando. Eu te encontrarei!
Ao falar isto, o sujeito virou-se e em seguida acionou algo em seu braço luzindo o fazendo ser bilocados apenas deixando residuais reflexivas, pouco mais que sombras, quando abriram a porta do lugar.
- Sr.Labvin! Como o senhor está! Detectamos aberrações quântico-temporais no lugar! Algo transpassou! - falou Michele com um leitor de quantum em mãos detectando as residuais por onde aquele homem saiu.
Porém, Labvin referiu-se que apenas havia notado algum tipo de flutuação atípica talvez proporcionada pelo campo de isolamento quântico local como uma bolha demonstrando falha, porém, não convenceu os ali presentes quanto mais ao verem que o rastro temporal indicava locomoção ao periodo do evento de Tunguska, como se aquele estranho já tivesse indo a encalço deles antes mesmo de partir.
Porém, Labvin insistiu no nível emergencial da missão imediatamente solicitando o Protocolo 37 de sigilo científico dizendo ter recebido tal notificação pessoal do próprio Apocon, o mentor de toda a T.E.M.P.U.S. e assim foram para a sala de conferência os nomes solicitados.
Edwand Sekanina, era um descendente estrangeiro que se tornou precursor no futuro de estudos de extremófilos sugerindo outras variáveis de formas de vida por componentes pouco conhecidos fora o carbono e a água normalmente ligados a eventos cósmicos como asteróides e um dos descobridores das propriedades incomuns das pedras do Alasca. Como biólogo e geólogo, disciplinas comuns destes no avanço da exobiologia se tornou chave, porém, dos estudos de entidades extratemporais e sua posição relação com tais pedras que agora souberam não se tratar de comuns ao sítio do Alasca.
Quando Sekanina, Labvin e Michele Stoneset se encontravam na sala de conferências a presença de Julio Machado foi requerida como auxiliar de segurança por temores de Labvin pelo viajante misterioso para então finalmente Labvin relatar os acontecimentos de discrepância ocorridos naquele local sob o mando do Protocolo 37. Naturalmente houveram discussões sob em seguir as orientações de tal viajante sem sabe-lo por fatos quem era. Mas temendo a procedência e as implicações ficaram de acordo mediante relatos em continuo por códigos criptográficos quânticamente para a T.E.M.P.U.S. caso algo lhes ocorresse.
Trajando roupas simples com macacões pretos seguiram a sala de embarque tendo seus acessórios rotineiros e o pessoal da base recebendo apenas a instrução de salvarem os registros criptografados recebidos sem tentar abri-los sob o pedido do dito 37, e assim seguiram pelo wormhole aberto e estabilizados as coodernadas para o local do evento de Tunguska, 8 horas após o incidente como os rastros deixados pelo viajante estranho.
Ao surgirem no local completamente devastado do fim de tarde, porém, por estar encoberto de uma espessa nevoa provocada pela fuligem e fumaça esbranquiçada pouco conseguiam enxergar e perceberam ainda que muitas das árvores ainda se encontravam com seus troncos em brasa pela súbita explosão. Não demorou muito a perceberem leituras do mesmo material utilizados por eles em seu visor a poucos metros a adiante e imediatamente para tal ponto chegaram quando notaram um vulto em meio a nevoa.
Temendo que fosse algumas daquelas entidades Labvin fez leituras apontando seu visor percebendo não o eram se não o estranho viajante que havia acabado de chegar naquele instante.
- Congratulações Labvin e vossa equipe por seguir minhas instruções, percebo que se anteciparam. Perdoe-me o modo de abordagem, meu nome é Zeh-hu-Kahn, imperionautas de, ao vosso ver, ressoantes.
- Por tanto agora nos diga o que há neste lugar! - exclamou Edmund Labvin lhe apontando os visores - Todos os dados monitorados tem sido passados diretamente a TEMPUS de modo criptografado, se for alguma cilada saberão.
- Certamente que o não, se o fosse não estaríamos nem nos falando. - ressaltou Zeh-hu-Kahn cruzando os braços.
Realmente a tecnologia para aqueles parecia ser muito mais avançada que o comum gerando algum tipo de campo que facilitasse muito mais a locomoção temporal que o de hábito sem a necessidade de todo um anteparo de localização, orientação e estabilização na rede de wormholes. Porém, nisto interrompeu Sekanina os fazendo olharem para ele que se encontrava agachado sobre uma das pedras cujo brilho era oscilante.
- Incrível a leitura destas pedras, sãos exatamente as mesmas que a nossa! Como é possível o mesmo material colidir com a terra em períodos diferentes?
- Certamente tal vem de Nibiru, terra natal de algumas das entidades bio-quânticas que investigam, estas criaram a explosão, certamente não estamos sozinhos aqui. - falou Zeh-hu-Kahn olhando ao redor e fazendo leituras. - Percebo que somente a jovem entre vocês é a Seth do grupo.
- Como conseguem registrar isso em vosso equipamento? - indagou Labvin de modo curioso - aparentemente não há nada indistinto nestes para conseguir se registrar tal a nível quântico. Ela é uma novata na TEMPUS, recém formada.
- Sutilezas que não descobriram meus caros irmãos temponautas, e de igual modo posso determinar para onde alguns dos extraterrenos aqui presentes se locomoveram pelo espaço e tempo. Tinham de ter trazido alguns Seth mais instruídos.
- Não falem de mim como se não tivesse presente! - reclamou Michele - o fato de ter entrado a pouco não faz de mim inferior.
- Abundans cautela non nocet - falou Zeh-hu-Kahn - Naturalmente que não, porém o caso é por demais severo para maiores explicações, estas entidades se dispersam rápido pelo tempo quando livres.
- Sabemos que poucos danos podem fazer diretamente se não por reação. - ressaltou Edwand Sekanina com uma das pedras em mãos e colocando dentro de um anteparo - atual apenas sobre a caótica induzindo acidentes.
- O azar do mundo - completou Michele. - Porque temos de recolher este material em sigilo para nossa própria gente?
- Porque assim consta-se na linha temporal favorável a Apocon. - Zeh-hu-Kahn.
- Não compreendo. - falou Edmund Labvin
- As sombras de Apocon, são as sobras flutuantes do Tempo, a anomia que tenta anular sua existência em suas sementes, fazendo parte deste evento que liberou entidades sombrias. Chronos está livre, você estão lidando com entidade mais poderosa que toda vossa tecnologia.
Naquele momento porém, Julio Machado gritou por eles estando a poucos metros dali onde as leituras eram mais precisas a procura de quaisquer alterações atípicas. Todos eles viraram-se em direção a este quando seu vulto se tornou visível até o próprio ter a fisionomia reconhecível em meio a nevoa.
- Senhor, leituras atípicas em movimento, parece seguir algum padrão inteligente! - relatou Julio com uma arma em mãos.
- Como disse temos companhia, porém, não parem de colher todo material extratemporal, contenho tais por algum tempo. - falou Zeh-hu-Kahn acenando para Julio - venha comigo!
Rapidamente Edmund Labvin começou a percorrem o local inicialmente colhendo os fragmentos do asteróide a vista deles e posteriormente pelo registro de localização do visor de quantum que naturalmente não era uma mera pulseira de adorno a vaidade.
Quando estes acreditavam estar chegando ao fim da busca de coleta de todo material ruído de tiros diferentes do de Julio soaram pela nevoa entre os troncos de árvores sem poderem ver o que ocorria no local, Edmund acreditou se tratar da arma de Zeh-hu-Kahn em vista que a de Julio era um inibidor de consciência podendo lançar tiros proporcionais de partículas positivas que enfraquecessem entidades de antimatéria.
Não demorou todavia que as dúvidas de Michele, Edmund e Edwald fossem destituídas quando viram surgir da nevoa tanto Julio quanto Zeh-hu-Kahn surgirem correndo desviando-se dos troncos ainda em brasa.
- São muitos! e estão vindo de todos os lados, vamos temos pouco tempo! - falou Zeh-hu-Kahn.
Temerem então profundamente aqueles seres malévolos como se transpirassem o vazio existencial do qual parecia se alimentar convertendo matéria em antimatéria as tragando não tão diferente de um buraco negro a sugar tudo a sua volta. Edmund fechou então caixa com as pedras para que aqueles monstruosos seres não os devorassem e partiram sob o escoro de Zeh-hu-Kahn que em seguida desapareceu os lembrando do que tinham se comprometido.
Ao retornarem na sala de bilocação temporal foram indagados pelo pessoal de base sobre o que tinha ocorrido no local e o que tinham naturalmente recolhido no campo. Porém, foram prontamente não respondidos por Edmund alegando o Protocolo 37. Ao escrever o relatório pensou imediatamente em contatar Apocon Keystone e assim o fez quando lhe perguntou sobre a natureza do incidente e tendo por negativa o fato de seu completo desconhecimento sobre o caso.
- Não faço idéia de que seja este Zeh-hu-Kahn, porém realmente fora estranhos os sinais destes incidentes, mantenha o Protocolo 37 sobre o caso.
- pediu Apocon interessado e mesmo cogitando visitar aquela ZT para acompanhar de perto as investigações do incidente pela equipe seleta.
- Assim que retornei a base houve outra manifestação de impacto atípico nas mediações do litoral do Alasca, no século VII, estamos perplexos e nossos funcionários pedem respostas senhor! - falou Edmund
- A Tempus surgiu como um experimento sobre as teóricas do tempo ondular a pesquisar sobre as ressoantes temporais a explicar diversos fenômenos até então inexplicáveis como alguns tipos de alucinações, previsões proféticas e mesmo alguns casos de fantasmas como residuais temporais, a matéria espelhada espacial. Entretanto ganhou maior ampliação de abrangência com descobertas não previstas e mesmo agora este como você disse ser imperionautas que pode perfeitamente ser ressoante como casos anteriores demonstram. - falou Apocon bastante calmo para Edmund - Lidamos basicamente com a analise da natureza do Tempo e sua interação com o universo, sendo muito mais essencial que se pensava anteriormente pela física clássica, porém, assim como se amplia a percepção e consciências humanas a outro nível de nossos funcionários o mesmo está incumbido para nós podendo ter eventuais interações extratemporais entre nós mesmos justificando a essencialidade do Protocolo 37.
- Realmente não vi nada parecido com isto! - retrucou Edmund - tente conter a CEET, pois realmente não sei como proceder com a papelada com este caso.
- Estarei investigando e retornarei a ti. Confio em sua capacidade de improvisar, desligando.
Apocon desligou seu contato com o futuro tão repentinamente que pareceu mesmo nada ter sanado de dúvidas tendo-se em vista que este jamais ouvira falar do tal imperionautas sei lá das quantas. Entretanto naquele momento adentrou na sala Julio Machado e Michele lhe solicitando permissão para descanso, por stress mental.
- Senhor a natureza do incidente parece realmente ter deixando não somente eu, mas Michele confusos em relação a estes paradoxos. Não sabemos como prosseguir com os relatórios até porque o Protocolo 37 não parece ser tão abrangentes administrativamente, todos estão curiosos e estamos sendo pressionados. O incidente parece algo sem proporção ao contrário do que nos foi ensinado. - falou Julio em quase desabafo.
- Olhe-se no espelho não vendo a si próprio se não como seus próprios atos como se fosse contra ti mesmo para saberes quem és pelo que deseja deste modo. É exatamente deste modo que os fenômenos temporais ondulares ocorrem a consciência não é tão diferente, pois ela apenas reflete. - sugeriu Edmund e lhes concedendo permissão para o restante do dia de folga.
Ao se dirigirem a seus aposentos Michele com seus cabelos castanhos encaracolados tomou um banho tentando se desligar do caso e começando a ver as notícias e "novidades" de quando veio - meados do século XXI - pegou no sono adormecendo quando teve um sonho.
Parecia estar apenas com as roupas leves de linho sobre seu corpo com sua pele fina e sem quaisquer marcas quando em seu tempo parecia estar ao lado de seu então marido indo à frente do espelho para se observar. Notou ela porém que seu reflexo não parecia comum, simetricamente oposto, mas como se estivesse no lado invertido a sua frente o que a deixou tonta quando quase bateu de cabeça no espelho e seu marido Igor Fortes lhe segurou.
- Não vá quebrar o espelho viu? São sete anos de azar! Não tem ainda tantos meses para começar a desmaiar. - falou o homem a fazendo perceber que estava grávida.
Diante daquilo ela despertou assustada enquanto a tela translúcida da TV passava um seriado de seu tempo 'O homem que não sabia dançar', ela tentou se recobrar ajeitando o travesseiro habitual, mas ao lembrar que estava grávida quando a tentaram mata-la começou a chorar.
Pela manhã, Michele procurou o psicólogo local que resolveu pedir para que lhe passasse relatórios detalhados de seus sonhos por temer sofrer princípio de narcose temporal, tendo inclusive monitoramento das ondas cerebrais noturnas.
Ao seguir para o comando local Edmund estava debruçado sobre gráficos de analises dos incidentes fazendo registros de proveniência comum dos asteróides num completo trabalho do que chamam por Cronografia que os levavam a conclusão comum de que aquele viajante estranho realmente estava certo sobre a procedência das pedras, algum lugar anterior a Terra.
O que os deixaram, porém intrigados não foram à conclusão tirada por dados capitalizados de Cronografia pelos rastros de trajetória espaço-temporal dos bólidos em seus diversos graus e tamanhos, se não a presença incomum do que aparentava ser algum outro viajante cujos sinais se diferenciavam daquele chinês que lhes encontraram e mesmo os antecipavam no sítio de Tunguska.
- Como não fomos capazes de detectar antes? - retrucou Edmundo com as mãos na mesa.
- Os sinais são muito sutis e difusos não parece ser por meio de tecnologia comum a nossa. - falou o operador.
- Como a do chinês?
- Não, parece algo de residual comum similar a fenômenos naturais, porém, deixando no lastro o sinal humano.
- Talvez seja tais entidades bio-quanticas afinal o viajante disse que estes tinha transpassado o tempo - sugeriu Edwald
- O tem do sítio é 3:53 minutos após o incidente, condições ainda bastante abióticas para um humano no epicentro não acham? - respondeu perguntando Edmund.
- Talvez mandemos a mesma equipe ao local sob o respaldo do Protocolo 37. As vezes podem ser leituras difusas e por isso mesmo quem sabe algum sobrevivente?
- Os oriundos temporais não podem vê-los, as conseqüentes vocês conhecem. - respondeu Edmund concordando e aparentemente dizendo que não estaria presente na missão desta vez.
Ao saírem da sala Michele entregou o atestado que porém, ela disse estar em condições aptas para serviços de campo, sendo apenas avaliações pisco-temporais, observação por temer-se estar com princípios da Narcose Temporal, e mesmo tendo-se em vista que sendo mulher era comum o pessoal da T.E.M.P.U.S. tomar maiores cuidados, vendo-se que normalmente as condições de trabalho não eram apenas remunerados se não psicologicamente com muitas folgas mediante o stress proporcionado pelo serviço. Porém, Edmund aceitou que esta fosse para o campo novamente. Foi neste momento que surgiu Julio Machado falando para Michele em tom descontraído.
- O que é o que? Está sempre está passando e nunca acaba de passar?
- O tempo, sem sombra de dúvidas! - respondeu ela como se pouco surpreendida estivesse.
- Porque pessoas inteligentes sempre têm o dom de tirar a graça das minhas piadas? - resmungou ele.
Ao receber porém, a noticia que estaria no próximo grupo de campo, Julio que era conhecido pelo bom humor mesmo sendo responsável pela segurança foi com Michele até a sala de brienfing enquanto conversavam pelos corredores sempre movimentados mesmo que aquela ZT fosse menor que a de Londres e mesmo a dos Estado Unidos antes da colonização inglesa.
- Não se há motivo para se mistificar como os primitivos do passado. Tais presunções apenas levaram ao preconceito e as maiores atrocidades que a humanidade passou. Havia certo animal que mesmo quase fora extinto por considerarem que trazia azar. Essa coisa de espelhos de seu sonho, pode ter sido apenas algo psicológico de seu subconsciente por tanto estudar sobre isto. - responde Julio ao ter o sonho dela contado para ele.
Ao entrar na sala somente Edwald Sekanina estava presente do comando, e o briefing curto, por não ser nada complexo seria apenas tentar procurar maiores leituras daquela presença aparamente atípica no local.
- Apesar de estarmos nesta missão sob o mando do Protocolo de Sigilo Científico, o 37, temos trocado informações sobre estes incidentes com as demais ZT´s que nos forneceram dados não somente para poder se determinar a localização de origem dos asteróides porém estranhas relações entre si que infelizmente não pudemos compartilhar em retorno com estes. - falou Edwald sob uma mesa enquanto na tela os gráficos eram exibidos. - Recentemente a Zona Temporal Neutra de Londres teve um estranho incidente de flutuação temporal que levou um certo agente chamado John Octavios a interagir com Nikola Tesla. O interessante é que o mesmo, considera-se responsável pelo incidente de Tunguska enquanto descobrimos que algumas leituras mentais dele demonstram alteração em seu lóbulo temporal a justificar o porque de estranhos sonhos premonitórios e mesmo de tecnologia. Não sabemos o que há de em comum destes casos entre si, porém, estamos investigando. No momento, porém, vocês terão de apenas monitorar o sítio a procura destas assinaturas que vocês vêem no tempográfico. - parou ele mostrando na tela translúcida que mudou. - Perguntas?
- Não senhor. - respondeu Julio com o consentimento de Michele.
Ao embarcarem Michele confessou para Julio que sentia-se nervosa talvez por ser novata e que a última missão simplesmente a bilocação não foi das mais agradáveis. Nada que não se acostumassem com a experiência requerida para seus cargos, disse enfaticamente Julio Machado.
Ao surgirem lá, notaram o mesmo cenário desolado ainda em chamas. Fumaça por todos os lados e troncos caídos parecia não dar margem para qualquer forma de vida subsistir por longo periodo no local, porém, as leituras pareciam ser claras e nítidas ali mesmo com a interferência das pedras: algum humano cujos sinais biométricos conseguiram mesmo identificar seu sexo como masculino a estar naquele sítio a exatos 13 minutos e 53 segundos. Seguiram em direção ao sinal cujo rastro parecia evidentemente ser rastreado por travessia do futuro, 11 de setembro de 2001, direto de Nova York, aparentemente no local e tempo dos atentados do World Trade Center.
- Alguém sabe dizer se Osama Bin Ladden tenha acesso à tecnologia temporal? - perguntou Julio claramente confuso. - Talvez os pilotos terroristas tenham se transportado no momento da colisão! - concluiu ele rindo em tom de sarcasmo.
Porém, naquele momento eles viram algo se mover entre as nuvens de fumaça espessa como um vulto que sentiu a presença deles. Naquele momento Edwald acenou com a cabeça para Julio partir a seu encalço apontando as armas mentais quando tal se vendo encurralado levantou as mãos com sinal de rendição. Era o filho de Designnium que porém, não faziam idéia de quem fosse.
- Não atirem! Foi isso que restou do WTC? Não sei o que ocorreu, estava naquele lugar quando repentinamente aparecia aqui.
Aquele papo realmente não convenceu Julio nem ninguém presente, principalmente porque tal arma mental não somente era capaz de fazer estes emergirem num coma como fazer leituras emocionais e perceberam se tratar e provável mentira, e o fundamental, parecia estar colhendo pedras do sítio. O que fez com que Julio pedisse para que imediatamente as largassem, visivelmente aquele sujeito estava se fantasiado de vítima dos atentados como alguns religiosos no século XXI se travestiam de viajantes temporais para justificar seus atos, digamos, pouco condizente com as legislações temporais da T.E.M.P.U.S., se falar na recém conhecida deles a Bug´s Time cujas características comuns eram aquelas personalidades pouco sociáveis e repletas de preconceito.
Todavia aquele homem não tinha qualquer aparato tecnológico em mãos o que parecia dar alguma veracidade o que ele dizia, e vendo a condição do local não viram outra alternativa se não move-lo para a ZT deles onde o interrogariam e tentariam localizar realmente de quem tempo era oriundo. O homem surgiu na sala de transporte demonstrando o típico sinal de atordoamento sob os olhares de Edmund. Porém, estes logo se recobrou a observar tudo ao entorno, da tecnologia as pessoas e mesmo num breve momento o viram parado diante de um mapa da ZT, quando foi interrompido.
- Precisamos fazer alguns exames e lhes indagar algumas coisas pertinente ao caso. Normalmente apenas recrutamos pessoas com talentos e capacidades próprias a natureza de nosso projeto e experimento, sendo pessoas que na linha temporal comum teriam morrido por sabotagem ou acidente. Este é o primeiro caso do tipo, porém. – falou Edmund. – Comecemos por seu nome.
- Sim, perfeitamente, meu nome é Saul Astrix. – respondeu com certa hesitação a Edmund.
- O que fazia na Torre Norte do World Trade Center? Trabalho? – indagou Edmund ao lado de Michele que tinha recebido treinamento em interrogatórios sob monitoração sem saber para que não ficasse nervoso.
- Era corretor de seguros itinerante. Porque?
Eles sentiram a hesitação do sujeito em responder, pois sabia que certamente todos os dados estaria sendo analisados na linha temporal onde se dizia vir, a procura de registros que demonstrasse que realmente tal homem existia naquele tempo.
- Sou da FedEX seguros, repartição da empresa de entregas.
- Talvez o senhor tenha então confundido as pedras como mercadorias de entrega? – indagou Edmund que apesar do sarcasmo aparente foi feito de modo sério.
- Apenas achei bonito o brilho delas. – falou Saul
- Para alguém deslocado temporal parecia estar bastante confortável. – falou Michele – Talvez queria nos revelar algo, pois como se sabe temos aparatos que analisam mesmo assinaturas temporais genética, por demonstrações de paralelo em mutações recentes com as antigas, e note que interessante que acabamos de receber, seus genes parece ser tão antigo mesmo que com misturas mais recentes, tem algo a dizer sobre isto?
- Tendo-se em vista que a natureza deste encontro não inclui advogados, afinal desconheço qual crime cometi, não saberia nem o que dizer!
- Talvez você esteja aqui para nos estudar deliberadamente, como os bugmans sob a pretensa de nos sabotar e naturalmente nos usurpar. – falou Edmund.
- Quem são estes Bugmans? Algum tipo de inseto humanóide? Tudo isso é estranho para mim gente, é sério – respondeu ele, porém, com claro sinal de mentira.
Naquele momento Edmund Labvin respirou fundo e olhou para Michele em meio ao silêncio deixado pela resposta dele ao verem o sinal de leitura mental. O que os fizeram verdadeiramente o colocar na sala de quarentena até decidirem o que fazer com aquele provável falsário.
Como observavam eles nas pesquisas de ressonâncias temporais, as discrepâncias interagentes mentalmente nunca resultavam em efeitos de consciências sobrepostas ou de conhecimentos que literalmente saltavam temporalmente ao passado sem seu 'mentor', os casos eram das chamadas profecias sempre em tom defensivo com se fosse algum reflexo instinto de mentes mais evoluídas assim por dizer. Passaram-se então dois dias após este, e todo o tipo de baterias de exames genéticos e de assinatura quântica foram realizados a constatarem não se tratar daquele quem dizia, afinal nem ao menos registros temporais foram encontrados no tempo oriundo em que disse este, desconhecendo qualquer Saul em repartição de seguros da FedEx, crendo ser algum replicante que fora mandado para estudados, quando determinaram estar em mãos um caso mais complexo do que imaginara e mesmo que o Protocolo de Sigilo Cientifico concebe-se perante o conhecimento em voga deles que nem mesmo Apocon sobre o mando do mesmo conseguia compreender pedindo o arquivamento até que maiores fatos viessem. Entretanto, subitamente algum alarme soou no local a perceberem se tratar do literal rompimento do isolamento bioquântico do local simplesmente os fazendo entrar me pânico temendo se tratar de algum tipo de assalto. Porém, Edmundo notou que tal vinha da sala de quarentena solicitando toda segurança ao local, e quando lá chegaram Edmund e Michele viram algo dos mais estranhos como se todo o lugar estivesse oscilante como água em sua imagem e viram então Saul desaparecer diante de seus olhos diante de algo que tomava contornos estranhos e humanóides que se virou para eles dizendo.
- Setres, morram!
O alarme ressoava por todo lugar e pareciam saltar em diversos pontos simplesmente fazendo-se ter leituras estranhas em diversos tempos, em especifico dos sítios onde foram atingidos pelos impactos do asteróide.
- O que é isto? Aparentemente algum tipo de força parece agir quase que simultaneamente em vários pontos do tempo! - falou Edwald quase em pânico.
- Provavelmente é Chronos - como disse Edmund.
Nisso notaram a interação de tal provocou flutuações mesmo na ZT de Londres, sendo registrada por eles como anomia em 1876 e fazendo algumas pessoas desaparecerem da superfície.
- Relatório imediato! Nome dos pessoas atingidas pela discrepância temporal, e a integridade de nossa ZT.
- É estranho senhor, aparentemente é como se tivéssemos sido deslocados do tempo original e perdemos contato com as demais ZT´s a algum tipo de linha oscilante, talvez ressoante. - falou Julio perplexo.
- Entre os nomes temos alguns de 1876, senhor.
- Fale.
- Rudolf Fentz, que aparentemente foi bilocado para 1939, porém, temos bloqueios como se... - Edwald interrompeu estranhamente - como se não estivéssemos no tempo onde estávamos.
Enquanto isso no local e tempo onde se encontrava a ZT do Brasil, simplesmente um enorme vácuo existencial deu lugar a um imenso salão vazio tento apenas dois relógios convencionais utilizados como enfeite que haviam desaparecido de dentro do lugar deles, enquanto em meio a Big Apple de 1939 em Nova York um certo Rudolf Fentz saiu perplexo e confuso as ruas quando fora atropelado de súbito por um táxi. A ZT do Brasil da T.E.M.P.U.S. parou em algum lugar que os mesmos desconheciam dando-se a impressão de mesmo estar sendo invadida, quando ao saírem na superfície daquele local sem saberem ainda onde estavam Michele notou um floco de neve cair suavemente até a palma de sua mão que ao próximo revelava fractais cada qual tão original que jamais se repetiam, porém, aquele parecia formar sinal muito familiar a eles, a de uma estrela de oito pontos como quase identicamente a flor do tempo chinesa do Império do Tempo.
Gerson Machado de Avillez – 2011 ® - Todos Direitos Reservados
3 de setembro de 2011
Conto: O Poço
A lua, normalmente tão pacifica e silenciosa que junto às estrelas em seu brilho imortal serviram de inspiração a poetas e escritores por séculos e séculos. O astro de fases a inspirar igualmente marés e alguns dizem até o humor das pessoas, surgia redondo ao límpido céu apenas tendo em companhia as demais estrelas intocadas pelo ser humano, se não por seu imaginário.
Diante desta visão, entretanto, um olhar, este triste refletia sua imagem em sua íris como senti-se algum pesar, exalando uma dor interna mais que externa, mas que pareceu ser perder diante daquele lugar tento apenas como lâmpada à própria lua.
O galo canta. Mais um rotineiro dia começa num lugar tranqüilo do interior do Brasil cujos primeiros raios solares cortam pouco a pouco a fina nevoa da madrugada e cujo orvalho escorre pelas pontas das folhas após mais uma fria noite. O sol pouco a pouco cortou aquele lugar sem qualquer discriminação se não pelas sombras projetadas por objetos que se encontravam à frente do outro, mas que mesmo assim expressavam suas verdadeiras formas. O mesmo sol para todos, tal como o solo, tal como o ar, tal como o mundo, cada ser do menor ao maior, dos conhecidos ou não.
Logo os primeiros pássaros cantam e numa revoada iniciam uma revoada como chamariz do começo do dia. José Alberto, acorda por um empurrão de mão sobre seu ombro de seu pai, o seu Silva, para ordenhar as vacas e prepararem o café da manhã.
O rapaz mulato abre seus olhos como se tivesse seus sonhos interrompidos por tal, e se levanta de súbito trocando suas roupas e seguindo ao exterior da humilde casa a revelar um belo e extenso pasto e curral com cavalos e galinhas apenas entrecortados pelo raiar do dia. Um vento deliciosamente fresco e límpido parecia purificar seus pulmões e limpar sua mente mesmo que em sua rotina determinada pelo nascer do sol, dia após dia, e seus sonhos de sair daquele local e poder investir em si próprio eram parcialmente esquecidos mediante ao clima ameno e tranqüilo do lugar.
Após ordenhar as vacas, e realizarem seu desjejum, seu Silva seguiu a capinar e ir para lavoura plantar e colher os frutos do solo plantados sob o sol e regados com a doce água. Não havia grandes problemas, se não de eventuais roedores a corroer as plantações ou micos roubarem os frutos, onde mordidos davam espaço para que pássaros também os atacassem. Porém, nada que um bom cão de guarda não protegesse. O canino, cujos pelos denunciavam o bom trato que recebido com afano tanto pelo Silva quando seu filho José explicava o porque dele obedecer tão cordialmente os meros comandos de voz deles.
O sol agora estava mais alto, e sobre as cabeças de crianças que saiam para escola parecia quase castigar, gritos e risos espontâneos eram soados, mas até quando um grupo de jovens surgindo a cavalo.
Temidos pelas mesmas crianças elas se calavam e corriam, por temer estes garotos tão estúpidos que vestindo suas roupas pobres e sobre cavalos mal alimentados e com feridas de açoites constantes desde a lavoura de onde pertenciam era um prenúncio de baderna. Conhecidos por pequenos roubos no local, por maltratar alguns jovens e agarrar as meninas, chegando a estuprar uma destas, eles seguiam praticamente impunes por um deles ser filho de um poderoso senhor de engenho local. Não era o mesmo o de Silva do qual mesmo sendo um escravo dele, após o fim da escravatura este concedeu cordialmente acomodações tranqüilas e seguras tal como seu tempo para poder passear, descansar e fazer o que quisesse desde que não infringisse a lei. Não trabalhando apenas em troca de comida e cama, mas sim também obtendo um percentual nos lucros das colheitas. O homem era nobre e côrtes, e vendo que assim como grandes partes dos ex-escravos simplesmente vagariam pelas ruas resolveu lhe oferecer tal oportunidade do qual mesmo antes se demonstrou um homem justo com as suas então "posses". Foi assim que José Alberto naquele dia recebeu de seu pai uma moeda, um dobrão, após os lucros de a colheita terem sido tão bons e lhe rendendo algo em troca e por isso até mesmo sobrando o excedente para seu pai este concedeu ao seu filho por sempre auxilia-lo nos afazeres.
Mas aquele outro homem era vil e impiedoso, temido, não respeitado, espancador dos seus escravos alguns diziam até mesmo que eventualmente o fazia por prazer assim como se "divertir" com as negras da senzala. Os seus ex-escravos ao saírem desta condição rumaram para longe como se nunca mais quisessem ver homem tão mal assim, que ao contrário do senhor de engenho do Silva que mesmo tendo um semblante sério e aparentemente rude, este era um homem cuja aparência enganava facilmente, e seu filho não era diferente, junto alguns outros da vizinhança eram literalmente o terror do local.
Foi então que José Alberto passeando tranqüilo com seu cão que livremente andava pelas calçadas enquanto seu eleito dono cumprimentava alguns ex-escravos e outros comerciantes, quando ele viu Raquel, uma jovem loira que trabalhava com a mãe num bar. Ao passar próximo, sempre ficava desconcertado com seu jeito tão feminino e carinhoso. A contemplando ao longe, a viu mexer eu seus dourados cabelos enquanto embrulhava algo para sua mãe Joaquina. O lugar costumava apresentar alguns que se arriscavam a cantar como a própria e assim passou a ser ponto de encontro daqueles cujo gosto cultural costumava ser mais elevado. Seguiu então ele quando virou a esquina a se deparar com estes maus jovens em suas montarias e do qual ao vê-lo sem pestanejar saltaram de seus cavalos a rodeá-lo em tom de ameaça. Rapidamente um destes começou o empurrar dizendo:
- O negrinho, porque vois me cê andas por aqui? Deves pagar taxa para tal!
Entretanto, ele sem nada dizer buscou se esquivar deste, que vendo não ter lhe dado atenção apontou para seu cachorro o pegando pelas costas, mas que pela agressividade este rosnou e o atacou.
- Largue meu cão! - disse José Alberto.
- Seu cachorro será nosso pagamento, teremos churrasco hoje! - respondeu um destes rindo.
Mas ao ver isto José Alberto pegou um pedaço de madeira e avançou sobre este que estava com seu cão, quando um som galopante os interrompeu a contemplarem o senhor de engenho do pai Silva surgir num cavalo garboso e emplumado com seus pêlos brilhantes a demonstrar os bons tratos. Este homem então retirou das costas uma garrachuda, uma daquelas armas com que costumavam caçar alguns invasores em suas plantações, e apontando para estes disse:
- Filho de Nicolau, volte para seu engenho com sua turma se não quiser problema comigo! Largue este e seu cão!
Mesmo que procurasse se desviar daqueles onde percebendo sua presença procurava outro lugar a passar, pois sabia ele que certamente no mínimo lhe lançariam palavras mal intencionadas a provoca-lo, às vezes o confronto parecia quase inevitável. Eram tais os responsáveis por ele se fortalecer mais em seus sonhos de sair daquele lugar a cidade grande, onde vislumbrava um dia abrir uma loja ou bar, mesmo que obviamente a discriminação fosse enorme por ser ex-escravo.
Ao se dirigir para sua casa lembrou-se uma antiga lenda do qual um poço não muito longe de onde morava concederia desejos aos que lhe jogassem moedas, seus pedidos feitos no silêncio de seus corações lhes seriam concedidos, e onde quanto maior o valor a moeda a ser ofertada mais rápido se concederia tal desejo. José Alberto lembrou-se então entristecido de seu íntimo desejo naquele momento, onde ao considerar que tal jovem lhe era distante e seus sentimentos jamais lhe alcançaria, desgostoso ao surgir, vislumbrou o poço solitário ao horizonte e cercado por uma vegetação rasteira onde ao entardecer a luz dourada irradiou um tom de estranheza que lhe concedia quase vida. Suas pedras rudimentares e caídas e a sorte para o balde apodrecido por cupim e assim sem como buscar água de seu interior.
Se aproximou ele, ao tocar as pedras de granito cujo muro parcialmente desfeito revelava que era largo e tão profundo que seus olhos quase não podiam contemplar seu fundo, mas o suficiente para se perceber que ao seu fim, não havia mais tanta água, mas com a pouca luz que entrava do sol refletia brilhos de moedas que por décadas lá foram jogadas por seus donos em busca de terem seus pedidos realizados. Retirou ele o dobrão de seu bolso, e o contemplando triste limpou-o com suas mãos grossas do constante trabalho pesado a limpando e em seguida jogando-a no fundo onde esta dando voltas seu estalido ao chocar-se contra as paredes intermetido por seu brilho refletido e finalizado pelo som do fundo lhe fez pensar em seu íntimo seu desejo, e se deu por cumprido.
Seguiu então triste para sua casa, mas depositando junto com sua fé a moeda naquele poço a acreditar que não foi em vão.
A noite já havia caído quando José Alberto seguiu para seu humilde lar revelando que os primeiros postes acessos com óleo feito e extraído de baleia eram acesos um a um por um homem que utilizando-se de um longo cabo para coloca-lo e acende-lo repetia a tarefa por toda a rua até que houvesse luzes razoavelmente suficientes para ilumina-la. Não à toa nos anos posteriores tal fora proibido, a provocar matança entre os enormes graciosos cachalotes e graças ao advento da eletricidade e a lâmpada por um certo Thomas Edison.
Porém, havia um certo charme nas luzes oscilantes não por sua origem tenebrosa, mas por dar tons e contornos a estas ruas feitas de pedras colocadas uma a uma a algo estranhamente nostálgico que remotava os lugares históricos de Portugal, fazendo estes que ali estavam, conflitar suas memórias num híbrido da Europa com os trópicos a gerar uma pequena cidade quase surreal, numa síntese cultural e natural de ex-escravos e outros povos como uma sutil influência dos espanhóis em suas divisões da colônia brasilis, até serem expulsos "sutilmente" pelos portugueses.
Com suas mãos nos bolsos e o olhar baixo seguiu ele até passar novamente em frente ao bar onde Raquel trabalhava lançando-lhe um sorrateiro olhar na esperança de reconhecer seus contornos sutis e suaves, a lá estava a jovem do qual uma silhueta dourada se revelava com as luzes de velas acessas, tal como lamparinas, enquanto uma mulher sentada num banco tocava e cantava num violão diante de uma pequena platéia de comerciantes. Porém, Raquel lançou um olhar de encontro ao de José Alberto desta vez, como se orientado ao acaso ou uma força que a lhe compeliu olha-la, que o reconhecendo sorriu cordialmente e lhe acenou o fazendo retribuir meio encabulado, mas se aproximando com tal receptividade do qual se seguiu também pela senhora sua mãe que surgiu ao seu lado.
Simpatia parecia ser algo herdado geneticamente uma vez que os olhares das duas demonstravam não somente sinceridade, mas quase ingenuidade num lugar que sem dúvidas tal ainda era uma constante. Logo, ele se viu conversando com estas que para sua surpresa lhe trataram muito cordialmente e com educação chegando até mesmo lhe oferecer um cafezinho "por conta da casa". Este surpreso com tal oferta aceitou, mas com certo receio, afinal não era sempre que as pessoas costumavam ser tão generosas assim, quanto mais com um filho de ex-escravo, e como nascido na senzala, mesmo que tão logo alguns olhares preconceituosos surgiram por parte da platéia antes concentrada na mulher, não demorou para ele se ver conversando com a bela Raquel a sós, trocando descontraídos sorrisos.
Foi então que resolveu ele contar-lhe sobre a história do poço, quando a jovem revelando suas angústias num momento, este disse que tal poderia resolver seus problemas.
- Dizem, que os primeiros portugueses que aqui chegaram, encontraram tal por acaso, como uma caverna cujo lençol freático se estendo por longos quilômetros e seus entalhes se perdem por suas rochas e curvas escuras. Entretanto, o que mais chamou atenção destes é que fonte tinha uma capacidade sobrenatural de realizar alguns dos mais íntimos desejos canalizados apenas por uma moeda entre você e o poço. - disse José Alberto de modo entusiástico como se tal fosse uma quase ciência exata - Meu pai diz que a abolição da escravatura só ocorrera graças ao pedido duma escrava que amargura por perder o esposo pelo Senhor Nicolau teria se doado ao poço em troca de tal. Seu corpo nunca mais fora encontrado, se não um bilhete por ela deixada, e no mês seguinte aquela princesa Izabel tal aboliu!
- Não conhecia tal história - disse Raquel - Mas realmente me impressionou. Você pode me levar até lá?
- Claro que sim, só basta dizer-me quando e aqui estarei a conduzi-la. - respondeu com um sorriso cordial José Alberto mesmo que sem pensar.
Tão logo, ela havia dito para que assim a levasse no dia seguinte ao entardecer, uma vez que não era a tão longa distância assim. José Alberto parecia prosa com tal avanço e rapidamente viu neste mesmo fato como uma prova do poder positivo de tal poço. Naquele dia, recostou ele sua cabeça em sua cama de palha feliz e com um sorriso dormiu como se tivesse tido sonhos com ela diante de um campo cujo gramado rasteiro parecia ritmar com eles dançando.
No dia seguinte, seu pai nem ao menos teve trabalho de acorda-lo, pois ao levantar já estava de pé sorridente e como se tivesse esquecido todos os problemas. Com uma disposição que levantou suspeita do próprio seguiu este a fazer suas tarefas alegre e rapidamente como se quisesse logo ser liberado. Mesmo que José Alberto não estudasse, afinal tal escola era apenas para os ricos meninos de comerciantes ou de senhores de engenho, como de costume foi ele até o comércio trocar mercadorias para seu senhor de engenho tal como comprar alimentos para o almoço. Contava as horas, José Alberto, para poder encontrar os belos olhos de Raquel e conduzi-la até o local, e tão pouco parecia hoje haver sinal daqueles perversos arruaceiros local.
Após comer com o mesmo e já quase irritante sorriso em seu rosto como se apenas seu corpo lá estivesse o próprio senhor de engenho - que eventualmente com eles se sentava para comer e contar histórias de sua terra natal, tal como suas viagens à Inglaterra e outros países - resolveu arriscar palavras ao jovem.
- Vejo a paixão brilhar em seus olhos meu jovem - disse ele cordialmente - quem foi a donzela a lhe roubar seu coração?
- Meu senhor, há muitos mistérios em nossos corações para que eu mesmo entenda. - respondeu ele buscando despistar a indagação feita por este.
Apesar de terem conversado durante algum tempo, na realidade o jovem mal esperava para se retirar do local não sem antes acabar por pedir as horas ao seu agora gentil e cordial patrão o fazendo retirar seu relógio de bolso e lhe informar as horas. Saindo do local, cujo aroma sempre agradável era a ele um quase sinônimo de acolhimento mesmo que a casa do patrão tal como seus belos cavalos fossem obviamente muito melhor que as condições que viviam os seus, como pouco mais que caseiros.
Seguiu então ele quase correndo pelas ruas após molhar seus cabelos ruins e tentar ajeita-lo, arrumando sua roupa mais limpa que tinha e seguindo para Raquel como se o maior dia de sua vida a ponto dele esquecer seus outros sonhos. Ao chegar a jovem estava sentada num dos bancos do bar de frente a sua mãe atrás do balcão a conversar quando ele se aproximou retirando seu chapéu ao entrar e lhes dando boa tarde, meio que olhando para baixo por obviamente ver que alguns fregueses lhe notaram. Rapidamente, Raquel se despediu de sua mãe lhe dando um beijo e pedindo-lhe benção e seguiram eles então pela curta, mas agradável trilha até o poço. Foram eles rindo e conversando naturalmente até quando um ruído se ouviu do meio do mato os chamando atenção.
Pensado eles ser uma onça José Alberto pegou uma grande pedra próxima, entretanto, o animal que de lá saiu era muito mais astuto e perigosamente cruel do qual tal, era o filho de Nicolau. O jovem cuja uma cárie crescia no canto superior esquerdo exposto quando ele abria seu sorriso malicioso, lançou seu olhar sobre o corpo da jovem lambendo os lábios em seguida, como se ela fosse um prato de refeição servido a mesa. Em seguida saíram mais dois destes de trás duma moita de mato o que quer que fizessem lá. Rapidamente o filho de Nicolau, Guilherme Nicolau empurrou José Alberto lhe falando que um homem como ele não poderia ter uma mulher como Raquel, antes deveriam ser castrados até desaparecerem e serem extinto do local. Tal irritou profundamente Raquel que dizendo-lhe para cuidar de si próprio, porém, não lhe respondeu a demonstrar porque ele seria merecedor dela e ele não.
- Venha aqui, sua ninfeta de cabaré, vamos fazer uma farrinha ali atrás. - disse Guilherme colocando suas mãos em seus braços e em seguida passando-lhe em seus seios sem que ela consentisse.
Vendo tal, José Alberto sentiu como um frio lhe subisse a cabeça, na realidade a esquenta-lo fazendo com que ele atingisse sua cabeça com a pedra que ele tinha empurrando os dois que lhe seguravam. Tal pedra lhe foi certeira o fazendo cair ensangüentado ao chão enquanto Raquel ao se soltar caiu de costas sentada, chorando e revelando agora seu vestido repleto de lama assim como em suas mãos.
- Não, não! - disse ela colocando suas mãos sujas de lama no rosto.
Os dois jovens ao verem isso rapidamente se acovardaram e correndo fugiram para o meio do mato, apenas os fazendo esvoaçar dum lado a outro, até sumirem.
Assustados ao verem o seu corpo caído, eles correram viram que Guilherme havia jazido ali imóvel fazendo de sua cabeça uma quase fonte de sangue, mas dando lugar a sua brutalidade vulgar ao empalidecer vazio daquela carcaça revelando o quão todos nada são sem nossas almas. Saíram eles de lá, enquanto Raquel aos prantos fora lá explicar a sua mãe o que ocorreu. Porém, antes deles já estavam os dois jovens que junto à polícia tal relatou conforme seu parecer e não demorando chegar os olhos destes se viraram contra ele a indagar, quando o policial lhe perguntou quase afirmando.
- Então vós me cê me diga, aguardando a jovem e matando seu defensor? Maldito escravo, são como os ratos infectores!
Tão logo, um pequeno clamor se levantou no local graças aos dois jovens que de machões se passaram por vítima, a heróis sobreviventes mesmo que Raquel buscasse dizer o mal entendido de que apenas ele tentou a defender. Rapidamente acabaram por recuar no testemunho quando sua mãe lhe obrigou. Porém, o policial lhe puxando por trás pela roupa lhe disse para leva-lo junto aos homens até o local do crime não sem antes ser esbofeteado como se fosse um réu confesso.
Já caia a noite quando estes homens com tochas acessas a fogo irrompiam a trilha como se fosse uma arcaica inquisição. Levando-o amarrado com uma corda ao pescoço, chegando lá seu corpo não mais estava, fazendo este esbofetear ainda mais o corpo do jovem José.
- Diga onde está o corpo de Guilherme seu verme negro!
Sem saber mais o que responder, dos demais homens se juntaram à volta deste e lhe cercando a ponta pés e socos, mas José Alberto rapidamente se soltou daqueles animais incontroláveis correndo em meio ao mato mesmo com as mãos amarradas tento apenas a lua a iluminar seus caminhos se é que havia algum. Ele não era um jovem muito grande ou forte, mas diante de tal subtraiu forças de onde não tinha e com todas estas seguiu não sem antes meter-lhe ainda as mãos no bolso de um destes a retirar suas moedas.
Foi quanto então se lembrou ele do poço, e seguindo em direção a tal se viu apenas ele e este tendo por trilha ao poço. Soltou-se ele, e começou a chorar diante do poço se ajoelhando e começou a falar:
- Porque não está mais dando certo? Porque este maldito poço me traiu!?
Porém, ele desesperado mesmo após aquele acesso de ódio retirou de seu bolso as moedas do espancador e as olhando arremessou ao fundo do poço escutando apenas o cintilar sonoro de seu metal a bater em suas paredes.
- Porque? Porque não me respondes? - indagou ele como se o poço fosse um deus. - Me perdoe, mas realize meu desejo o devolva minhas moedas a ti depositadas com minha alma!
Curvou-se ele um pouco mais a escutar o silêncio na noite e por uns longos minutos assim ficou, até que se levantando novamente aos choros por sentir-se traído e perseguido chutou parte do muro do poço o fazendo balançar.
- Maldito poço, devolva minhas moedas!
Curvando-se então ele sobre o muro para ver onde estas caíram ele se inclinou, porém o muro bambo começando a rachar desabou. Com pedras e tudo caiu José Alberto por suas estreitas paredes até tudo se escurecer.
Quando recobrou sua consciência sentiu as dores por todo seu corpo, e viu-se com fraturas por todo ele, e viu ele estar em seu fundo sendo iluminado apenas por uma fresta de onde a lua exatamente sobre ele revelou todo o lugar. Milhares de moedas além cujos brilhos cintilavam sem parar como se fossem convites a uma dança, virou ele o rosto vendo todo local e como a luz da lua por ele se dispersava, moedas de ouro, moedas de prata, dobrões, réis fossem eles portugueses ou espanhóis, José Alberto estava cercado de riquezas depositadas por gerações e gerações como um grande banco natural. Arrastando-se ele sobre a pedra empoçada com seu sangue, não demorou a ver o corpo da tida escrava que lá jazia, seu esqueleto segurando numa das mãos um dobrão de prata. Impressionado ele ficou, mas cansado e perdendo as forças recostou sua cabeça pesaroso de sua situação, pois aquele poço lhe realizou seu desejo do fundo do coração, mas não como uma benção, mas maldição, que era simplesmente morrer rico.
Temeu ele com o fundo da alma por seu próprio coração, e chorando levantou os braços sabendo que não devemos apenas saber pedir, mas sim como pedir.
- Maldito poço. Vou morrer rico...
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Diante desta visão, entretanto, um olhar, este triste refletia sua imagem em sua íris como senti-se algum pesar, exalando uma dor interna mais que externa, mas que pareceu ser perder diante daquele lugar tento apenas como lâmpada à própria lua.
O galo canta. Mais um rotineiro dia começa num lugar tranqüilo do interior do Brasil cujos primeiros raios solares cortam pouco a pouco a fina nevoa da madrugada e cujo orvalho escorre pelas pontas das folhas após mais uma fria noite. O sol pouco a pouco cortou aquele lugar sem qualquer discriminação se não pelas sombras projetadas por objetos que se encontravam à frente do outro, mas que mesmo assim expressavam suas verdadeiras formas. O mesmo sol para todos, tal como o solo, tal como o ar, tal como o mundo, cada ser do menor ao maior, dos conhecidos ou não.
Logo os primeiros pássaros cantam e numa revoada iniciam uma revoada como chamariz do começo do dia. José Alberto, acorda por um empurrão de mão sobre seu ombro de seu pai, o seu Silva, para ordenhar as vacas e prepararem o café da manhã.
O rapaz mulato abre seus olhos como se tivesse seus sonhos interrompidos por tal, e se levanta de súbito trocando suas roupas e seguindo ao exterior da humilde casa a revelar um belo e extenso pasto e curral com cavalos e galinhas apenas entrecortados pelo raiar do dia. Um vento deliciosamente fresco e límpido parecia purificar seus pulmões e limpar sua mente mesmo que em sua rotina determinada pelo nascer do sol, dia após dia, e seus sonhos de sair daquele local e poder investir em si próprio eram parcialmente esquecidos mediante ao clima ameno e tranqüilo do lugar.
Após ordenhar as vacas, e realizarem seu desjejum, seu Silva seguiu a capinar e ir para lavoura plantar e colher os frutos do solo plantados sob o sol e regados com a doce água. Não havia grandes problemas, se não de eventuais roedores a corroer as plantações ou micos roubarem os frutos, onde mordidos davam espaço para que pássaros também os atacassem. Porém, nada que um bom cão de guarda não protegesse. O canino, cujos pelos denunciavam o bom trato que recebido com afano tanto pelo Silva quando seu filho José explicava o porque dele obedecer tão cordialmente os meros comandos de voz deles.
O sol agora estava mais alto, e sobre as cabeças de crianças que saiam para escola parecia quase castigar, gritos e risos espontâneos eram soados, mas até quando um grupo de jovens surgindo a cavalo.
Temidos pelas mesmas crianças elas se calavam e corriam, por temer estes garotos tão estúpidos que vestindo suas roupas pobres e sobre cavalos mal alimentados e com feridas de açoites constantes desde a lavoura de onde pertenciam era um prenúncio de baderna. Conhecidos por pequenos roubos no local, por maltratar alguns jovens e agarrar as meninas, chegando a estuprar uma destas, eles seguiam praticamente impunes por um deles ser filho de um poderoso senhor de engenho local. Não era o mesmo o de Silva do qual mesmo sendo um escravo dele, após o fim da escravatura este concedeu cordialmente acomodações tranqüilas e seguras tal como seu tempo para poder passear, descansar e fazer o que quisesse desde que não infringisse a lei. Não trabalhando apenas em troca de comida e cama, mas sim também obtendo um percentual nos lucros das colheitas. O homem era nobre e côrtes, e vendo que assim como grandes partes dos ex-escravos simplesmente vagariam pelas ruas resolveu lhe oferecer tal oportunidade do qual mesmo antes se demonstrou um homem justo com as suas então "posses". Foi assim que José Alberto naquele dia recebeu de seu pai uma moeda, um dobrão, após os lucros de a colheita terem sido tão bons e lhe rendendo algo em troca e por isso até mesmo sobrando o excedente para seu pai este concedeu ao seu filho por sempre auxilia-lo nos afazeres.
Mas aquele outro homem era vil e impiedoso, temido, não respeitado, espancador dos seus escravos alguns diziam até mesmo que eventualmente o fazia por prazer assim como se "divertir" com as negras da senzala. Os seus ex-escravos ao saírem desta condição rumaram para longe como se nunca mais quisessem ver homem tão mal assim, que ao contrário do senhor de engenho do Silva que mesmo tendo um semblante sério e aparentemente rude, este era um homem cuja aparência enganava facilmente, e seu filho não era diferente, junto alguns outros da vizinhança eram literalmente o terror do local.
Foi então que José Alberto passeando tranqüilo com seu cão que livremente andava pelas calçadas enquanto seu eleito dono cumprimentava alguns ex-escravos e outros comerciantes, quando ele viu Raquel, uma jovem loira que trabalhava com a mãe num bar. Ao passar próximo, sempre ficava desconcertado com seu jeito tão feminino e carinhoso. A contemplando ao longe, a viu mexer eu seus dourados cabelos enquanto embrulhava algo para sua mãe Joaquina. O lugar costumava apresentar alguns que se arriscavam a cantar como a própria e assim passou a ser ponto de encontro daqueles cujo gosto cultural costumava ser mais elevado. Seguiu então ele quando virou a esquina a se deparar com estes maus jovens em suas montarias e do qual ao vê-lo sem pestanejar saltaram de seus cavalos a rodeá-lo em tom de ameaça. Rapidamente um destes começou o empurrar dizendo:
- O negrinho, porque vois me cê andas por aqui? Deves pagar taxa para tal!
Entretanto, ele sem nada dizer buscou se esquivar deste, que vendo não ter lhe dado atenção apontou para seu cachorro o pegando pelas costas, mas que pela agressividade este rosnou e o atacou.
- Largue meu cão! - disse José Alberto.
- Seu cachorro será nosso pagamento, teremos churrasco hoje! - respondeu um destes rindo.
Mas ao ver isto José Alberto pegou um pedaço de madeira e avançou sobre este que estava com seu cão, quando um som galopante os interrompeu a contemplarem o senhor de engenho do pai Silva surgir num cavalo garboso e emplumado com seus pêlos brilhantes a demonstrar os bons tratos. Este homem então retirou das costas uma garrachuda, uma daquelas armas com que costumavam caçar alguns invasores em suas plantações, e apontando para estes disse:
- Filho de Nicolau, volte para seu engenho com sua turma se não quiser problema comigo! Largue este e seu cão!
Mesmo que procurasse se desviar daqueles onde percebendo sua presença procurava outro lugar a passar, pois sabia ele que certamente no mínimo lhe lançariam palavras mal intencionadas a provoca-lo, às vezes o confronto parecia quase inevitável. Eram tais os responsáveis por ele se fortalecer mais em seus sonhos de sair daquele lugar a cidade grande, onde vislumbrava um dia abrir uma loja ou bar, mesmo que obviamente a discriminação fosse enorme por ser ex-escravo.
Ao se dirigir para sua casa lembrou-se uma antiga lenda do qual um poço não muito longe de onde morava concederia desejos aos que lhe jogassem moedas, seus pedidos feitos no silêncio de seus corações lhes seriam concedidos, e onde quanto maior o valor a moeda a ser ofertada mais rápido se concederia tal desejo. José Alberto lembrou-se então entristecido de seu íntimo desejo naquele momento, onde ao considerar que tal jovem lhe era distante e seus sentimentos jamais lhe alcançaria, desgostoso ao surgir, vislumbrou o poço solitário ao horizonte e cercado por uma vegetação rasteira onde ao entardecer a luz dourada irradiou um tom de estranheza que lhe concedia quase vida. Suas pedras rudimentares e caídas e a sorte para o balde apodrecido por cupim e assim sem como buscar água de seu interior.
Se aproximou ele, ao tocar as pedras de granito cujo muro parcialmente desfeito revelava que era largo e tão profundo que seus olhos quase não podiam contemplar seu fundo, mas o suficiente para se perceber que ao seu fim, não havia mais tanta água, mas com a pouca luz que entrava do sol refletia brilhos de moedas que por décadas lá foram jogadas por seus donos em busca de terem seus pedidos realizados. Retirou ele o dobrão de seu bolso, e o contemplando triste limpou-o com suas mãos grossas do constante trabalho pesado a limpando e em seguida jogando-a no fundo onde esta dando voltas seu estalido ao chocar-se contra as paredes intermetido por seu brilho refletido e finalizado pelo som do fundo lhe fez pensar em seu íntimo seu desejo, e se deu por cumprido.
Seguiu então triste para sua casa, mas depositando junto com sua fé a moeda naquele poço a acreditar que não foi em vão.
A noite já havia caído quando José Alberto seguiu para seu humilde lar revelando que os primeiros postes acessos com óleo feito e extraído de baleia eram acesos um a um por um homem que utilizando-se de um longo cabo para coloca-lo e acende-lo repetia a tarefa por toda a rua até que houvesse luzes razoavelmente suficientes para ilumina-la. Não à toa nos anos posteriores tal fora proibido, a provocar matança entre os enormes graciosos cachalotes e graças ao advento da eletricidade e a lâmpada por um certo Thomas Edison.
Porém, havia um certo charme nas luzes oscilantes não por sua origem tenebrosa, mas por dar tons e contornos a estas ruas feitas de pedras colocadas uma a uma a algo estranhamente nostálgico que remotava os lugares históricos de Portugal, fazendo estes que ali estavam, conflitar suas memórias num híbrido da Europa com os trópicos a gerar uma pequena cidade quase surreal, numa síntese cultural e natural de ex-escravos e outros povos como uma sutil influência dos espanhóis em suas divisões da colônia brasilis, até serem expulsos "sutilmente" pelos portugueses.
Com suas mãos nos bolsos e o olhar baixo seguiu ele até passar novamente em frente ao bar onde Raquel trabalhava lançando-lhe um sorrateiro olhar na esperança de reconhecer seus contornos sutis e suaves, a lá estava a jovem do qual uma silhueta dourada se revelava com as luzes de velas acessas, tal como lamparinas, enquanto uma mulher sentada num banco tocava e cantava num violão diante de uma pequena platéia de comerciantes. Porém, Raquel lançou um olhar de encontro ao de José Alberto desta vez, como se orientado ao acaso ou uma força que a lhe compeliu olha-la, que o reconhecendo sorriu cordialmente e lhe acenou o fazendo retribuir meio encabulado, mas se aproximando com tal receptividade do qual se seguiu também pela senhora sua mãe que surgiu ao seu lado.
Simpatia parecia ser algo herdado geneticamente uma vez que os olhares das duas demonstravam não somente sinceridade, mas quase ingenuidade num lugar que sem dúvidas tal ainda era uma constante. Logo, ele se viu conversando com estas que para sua surpresa lhe trataram muito cordialmente e com educação chegando até mesmo lhe oferecer um cafezinho "por conta da casa". Este surpreso com tal oferta aceitou, mas com certo receio, afinal não era sempre que as pessoas costumavam ser tão generosas assim, quanto mais com um filho de ex-escravo, e como nascido na senzala, mesmo que tão logo alguns olhares preconceituosos surgiram por parte da platéia antes concentrada na mulher, não demorou para ele se ver conversando com a bela Raquel a sós, trocando descontraídos sorrisos.
Foi então que resolveu ele contar-lhe sobre a história do poço, quando a jovem revelando suas angústias num momento, este disse que tal poderia resolver seus problemas.
- Dizem, que os primeiros portugueses que aqui chegaram, encontraram tal por acaso, como uma caverna cujo lençol freático se estendo por longos quilômetros e seus entalhes se perdem por suas rochas e curvas escuras. Entretanto, o que mais chamou atenção destes é que fonte tinha uma capacidade sobrenatural de realizar alguns dos mais íntimos desejos canalizados apenas por uma moeda entre você e o poço. - disse José Alberto de modo entusiástico como se tal fosse uma quase ciência exata - Meu pai diz que a abolição da escravatura só ocorrera graças ao pedido duma escrava que amargura por perder o esposo pelo Senhor Nicolau teria se doado ao poço em troca de tal. Seu corpo nunca mais fora encontrado, se não um bilhete por ela deixada, e no mês seguinte aquela princesa Izabel tal aboliu!
- Não conhecia tal história - disse Raquel - Mas realmente me impressionou. Você pode me levar até lá?
- Claro que sim, só basta dizer-me quando e aqui estarei a conduzi-la. - respondeu com um sorriso cordial José Alberto mesmo que sem pensar.
Tão logo, ela havia dito para que assim a levasse no dia seguinte ao entardecer, uma vez que não era a tão longa distância assim. José Alberto parecia prosa com tal avanço e rapidamente viu neste mesmo fato como uma prova do poder positivo de tal poço. Naquele dia, recostou ele sua cabeça em sua cama de palha feliz e com um sorriso dormiu como se tivesse tido sonhos com ela diante de um campo cujo gramado rasteiro parecia ritmar com eles dançando.
No dia seguinte, seu pai nem ao menos teve trabalho de acorda-lo, pois ao levantar já estava de pé sorridente e como se tivesse esquecido todos os problemas. Com uma disposição que levantou suspeita do próprio seguiu este a fazer suas tarefas alegre e rapidamente como se quisesse logo ser liberado. Mesmo que José Alberto não estudasse, afinal tal escola era apenas para os ricos meninos de comerciantes ou de senhores de engenho, como de costume foi ele até o comércio trocar mercadorias para seu senhor de engenho tal como comprar alimentos para o almoço. Contava as horas, José Alberto, para poder encontrar os belos olhos de Raquel e conduzi-la até o local, e tão pouco parecia hoje haver sinal daqueles perversos arruaceiros local.
Após comer com o mesmo e já quase irritante sorriso em seu rosto como se apenas seu corpo lá estivesse o próprio senhor de engenho - que eventualmente com eles se sentava para comer e contar histórias de sua terra natal, tal como suas viagens à Inglaterra e outros países - resolveu arriscar palavras ao jovem.
- Vejo a paixão brilhar em seus olhos meu jovem - disse ele cordialmente - quem foi a donzela a lhe roubar seu coração?
- Meu senhor, há muitos mistérios em nossos corações para que eu mesmo entenda. - respondeu ele buscando despistar a indagação feita por este.
Apesar de terem conversado durante algum tempo, na realidade o jovem mal esperava para se retirar do local não sem antes acabar por pedir as horas ao seu agora gentil e cordial patrão o fazendo retirar seu relógio de bolso e lhe informar as horas. Saindo do local, cujo aroma sempre agradável era a ele um quase sinônimo de acolhimento mesmo que a casa do patrão tal como seus belos cavalos fossem obviamente muito melhor que as condições que viviam os seus, como pouco mais que caseiros.
Seguiu então ele quase correndo pelas ruas após molhar seus cabelos ruins e tentar ajeita-lo, arrumando sua roupa mais limpa que tinha e seguindo para Raquel como se o maior dia de sua vida a ponto dele esquecer seus outros sonhos. Ao chegar a jovem estava sentada num dos bancos do bar de frente a sua mãe atrás do balcão a conversar quando ele se aproximou retirando seu chapéu ao entrar e lhes dando boa tarde, meio que olhando para baixo por obviamente ver que alguns fregueses lhe notaram. Rapidamente, Raquel se despediu de sua mãe lhe dando um beijo e pedindo-lhe benção e seguiram eles então pela curta, mas agradável trilha até o poço. Foram eles rindo e conversando naturalmente até quando um ruído se ouviu do meio do mato os chamando atenção.
Pensado eles ser uma onça José Alberto pegou uma grande pedra próxima, entretanto, o animal que de lá saiu era muito mais astuto e perigosamente cruel do qual tal, era o filho de Nicolau. O jovem cuja uma cárie crescia no canto superior esquerdo exposto quando ele abria seu sorriso malicioso, lançou seu olhar sobre o corpo da jovem lambendo os lábios em seguida, como se ela fosse um prato de refeição servido a mesa. Em seguida saíram mais dois destes de trás duma moita de mato o que quer que fizessem lá. Rapidamente o filho de Nicolau, Guilherme Nicolau empurrou José Alberto lhe falando que um homem como ele não poderia ter uma mulher como Raquel, antes deveriam ser castrados até desaparecerem e serem extinto do local. Tal irritou profundamente Raquel que dizendo-lhe para cuidar de si próprio, porém, não lhe respondeu a demonstrar porque ele seria merecedor dela e ele não.
- Venha aqui, sua ninfeta de cabaré, vamos fazer uma farrinha ali atrás. - disse Guilherme colocando suas mãos em seus braços e em seguida passando-lhe em seus seios sem que ela consentisse.
Vendo tal, José Alberto sentiu como um frio lhe subisse a cabeça, na realidade a esquenta-lo fazendo com que ele atingisse sua cabeça com a pedra que ele tinha empurrando os dois que lhe seguravam. Tal pedra lhe foi certeira o fazendo cair ensangüentado ao chão enquanto Raquel ao se soltar caiu de costas sentada, chorando e revelando agora seu vestido repleto de lama assim como em suas mãos.
- Não, não! - disse ela colocando suas mãos sujas de lama no rosto.
Os dois jovens ao verem isso rapidamente se acovardaram e correndo fugiram para o meio do mato, apenas os fazendo esvoaçar dum lado a outro, até sumirem.
Assustados ao verem o seu corpo caído, eles correram viram que Guilherme havia jazido ali imóvel fazendo de sua cabeça uma quase fonte de sangue, mas dando lugar a sua brutalidade vulgar ao empalidecer vazio daquela carcaça revelando o quão todos nada são sem nossas almas. Saíram eles de lá, enquanto Raquel aos prantos fora lá explicar a sua mãe o que ocorreu. Porém, antes deles já estavam os dois jovens que junto à polícia tal relatou conforme seu parecer e não demorando chegar os olhos destes se viraram contra ele a indagar, quando o policial lhe perguntou quase afirmando.
- Então vós me cê me diga, aguardando a jovem e matando seu defensor? Maldito escravo, são como os ratos infectores!
Tão logo, um pequeno clamor se levantou no local graças aos dois jovens que de machões se passaram por vítima, a heróis sobreviventes mesmo que Raquel buscasse dizer o mal entendido de que apenas ele tentou a defender. Rapidamente acabaram por recuar no testemunho quando sua mãe lhe obrigou. Porém, o policial lhe puxando por trás pela roupa lhe disse para leva-lo junto aos homens até o local do crime não sem antes ser esbofeteado como se fosse um réu confesso.
Já caia a noite quando estes homens com tochas acessas a fogo irrompiam a trilha como se fosse uma arcaica inquisição. Levando-o amarrado com uma corda ao pescoço, chegando lá seu corpo não mais estava, fazendo este esbofetear ainda mais o corpo do jovem José.
- Diga onde está o corpo de Guilherme seu verme negro!
Sem saber mais o que responder, dos demais homens se juntaram à volta deste e lhe cercando a ponta pés e socos, mas José Alberto rapidamente se soltou daqueles animais incontroláveis correndo em meio ao mato mesmo com as mãos amarradas tento apenas a lua a iluminar seus caminhos se é que havia algum. Ele não era um jovem muito grande ou forte, mas diante de tal subtraiu forças de onde não tinha e com todas estas seguiu não sem antes meter-lhe ainda as mãos no bolso de um destes a retirar suas moedas.
Foi quanto então se lembrou ele do poço, e seguindo em direção a tal se viu apenas ele e este tendo por trilha ao poço. Soltou-se ele, e começou a chorar diante do poço se ajoelhando e começou a falar:
- Porque não está mais dando certo? Porque este maldito poço me traiu!?
Porém, ele desesperado mesmo após aquele acesso de ódio retirou de seu bolso as moedas do espancador e as olhando arremessou ao fundo do poço escutando apenas o cintilar sonoro de seu metal a bater em suas paredes.
- Porque? Porque não me respondes? - indagou ele como se o poço fosse um deus. - Me perdoe, mas realize meu desejo o devolva minhas moedas a ti depositadas com minha alma!
Curvou-se ele um pouco mais a escutar o silêncio na noite e por uns longos minutos assim ficou, até que se levantando novamente aos choros por sentir-se traído e perseguido chutou parte do muro do poço o fazendo balançar.
- Maldito poço, devolva minhas moedas!
Curvando-se então ele sobre o muro para ver onde estas caíram ele se inclinou, porém o muro bambo começando a rachar desabou. Com pedras e tudo caiu José Alberto por suas estreitas paredes até tudo se escurecer.
Quando recobrou sua consciência sentiu as dores por todo seu corpo, e viu-se com fraturas por todo ele, e viu ele estar em seu fundo sendo iluminado apenas por uma fresta de onde a lua exatamente sobre ele revelou todo o lugar. Milhares de moedas além cujos brilhos cintilavam sem parar como se fossem convites a uma dança, virou ele o rosto vendo todo local e como a luz da lua por ele se dispersava, moedas de ouro, moedas de prata, dobrões, réis fossem eles portugueses ou espanhóis, José Alberto estava cercado de riquezas depositadas por gerações e gerações como um grande banco natural. Arrastando-se ele sobre a pedra empoçada com seu sangue, não demorou a ver o corpo da tida escrava que lá jazia, seu esqueleto segurando numa das mãos um dobrão de prata. Impressionado ele ficou, mas cansado e perdendo as forças recostou sua cabeça pesaroso de sua situação, pois aquele poço lhe realizou seu desejo do fundo do coração, mas não como uma benção, mas maldição, que era simplesmente morrer rico.
Temeu ele com o fundo da alma por seu próprio coração, e chorando levantou os braços sabendo que não devemos apenas saber pedir, mas sim como pedir.
- Maldito poço. Vou morrer rico...
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